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EXPOSIÇÕES ACTUAIS


"HIGH TIMES, HARD TIMES: New York Painting 1967-1975". Capa do Catálogo


Kenneth Showell, “Besped”, 1967.


Carolee Schneemann, "Body Collage", 1967


Michael Venezia, "S/ Título", 1971

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COLECTIVA

HIGH TIMES, HARD TIMES: New York Painting 1967-1975. Exploring a time of radical new directions in abstract painting




NATIONAL ACADEMY MUSEUM
1083 Fifth Avenue
NEW YORK, NY 10128

15 FEV - 22 ABR 2007


O que aconteceu em pintura – em Nova Iorque, entre 1967 e 1975 – não foi a New York School, não foi o formalismo de Greenberg nem o neo-expressionismo másculo dos anos 80. Não foi mainstream, mas aconteceu e foi de certa forma ignorado na escrita da História, entre os debates críticos e intelectuais que na altura visavam repor o espectador no centro, em detrimento do artista. Não foi Pop nem Op, nem minimal nem conceptual, nem land art nem fenomenologia. Foi um cruzamento experimental e optimista entre pintura, objecto e performance, que expressou o radicalismo social e a individualidade quando, por todas as razões imaginárias, a pintura tinha morrido.
Há uma enorme influência da segunda geração feminista no aparecimento destas pinturas e objectos, e na apropriação pelo artista da realização intelectual e conceito de trabalho.
A exposição impressiona, pela falta de dados e de livros que estudem a pintura neste período, em Nova Iorque – as peças da exposição têm uma leitura actual – que volta a emergir sob uma forma política, impossivel de conter na ideia de uma mera novidade, mais ou menos latente.

Uma grande parte desta produção é de artistas negros e mulheres que, de alguma forma, queriam alargar os seus limites e questionar o lugar da pintura, também enquanto corpo social. Neste trabalho, a tela é “declarativa” e não expressionista. Procura o espaço imenso deixado à pintura abstracta, com experiências visuais saídas directamente do fascínio pela novíssima imagem de vídeo, da consciência da perceptividade – onde as relações são soltas, feitas de materiais, interferências, cortes, sprays, buracos, pigmentos, tinta derramada, coisas penduradas, telas deformadas, telas não esticadas, conceito e objecto em colisão e uma enorme sofisticação formal – e conceptual, – que joga não tanto com o acaso, mas sim com uma performance que se reflecte num conjunto de acções que dão forma a qualquer coisa. As pinturas mostram o seu processo radical de aglomeração, sequência, relação, com um sentido poético que sabe ser muito directo – é o que é.

Depois dessa fase, alguns dos artistas expostos deixaram de o ser; outros são mais conhecidos pela performance, como Carolee Scheneemann, ou por serem feministas, como Lynda Benglis; outros continuam a trabalhar, na mesma linha, como é o caso de Mary Heilmann, Richard Tuttle ou Elizabeth Murray. A exposição resulta de uma investigação e pesquisa baseadas em memórias e relações antigas que quase se perderam, apesar da densidade desse período, no ainda relativamente pequeno mundo da arte nova-iorquina. Esta exposição corrige esse gap fulcral – quase nos esquecíamos deste momento da pintura, paralelo aos debates críticos e conceptuais, exactamente antes da explosão comercial dos anos 80.

A exposição está dividida em cinco grupos, que se organizam cronológica e formalmente. O grupo mais interessante é o segundo, onde a pintura se transforma em material, naquilo que é, se decompõe e começa a ter buracos, fios, rasgões, três dimensões e formas excêntricas, postas na parede ou no chão ou a cair do tecto. A partir daí a pintura é interpelada em performances, vídeos, documentos e instalações, como no terceiro grupo. No quarto grupo, a própria pintura em tela é distorcida – sugere movimento e interferências ópticas. Essa desconstrução prevalence, mesmo quando a tela mantém o formato clássico. O que se passa ao nível dos interesses mudou, questionam-se as diferenças, e os conteúdos passaram a ser um processo enredado no corpo social.



Artistas Expostos
Jo Baer, Lynda Benglis, Dan Christensen, Roy Colmer, Mary Corse, David Diao, Manny Farber, Louise Fishman, Guy Goodwin, Ron Gorchov, Harmony Hammond, Mary Heilmann, Ralph Humphrey, Jane Kaufman, Harriet Korman, Yayoi Kusama, Al Loving, Lee Lozano, Ree Morton, Elizabeth Murray, Joe Overstreet, Blinky Palermo, Cesar Paternosto, Howardena Pindell, Dorothea Rockburne, Carolee Schneemann, Alan Shields, Kenneth Showell, Joan Snyder, Lawrence Stafford, Pat Steir, Richard Tuttle, Richard Van Buren, Michael Venezia, Franz Erhard Walther, Jack Whitten, Peter Young



Ana Cardoso