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EXPOSIÇÕES ACTUAIS


Paul Chan, “The 7 Lights”. Instalação no New Museum


Paul Chan, “The 7 Lights”. Instalação no New Museum


Paul Chan, “The 7 Lights”. Instalação no New Museum


Paul Chan, “The 7 Lights”. Instalação no New Museum


Paul Chan, “The 7 Lights”. Instalação no New Museum


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PAUL CHAN

The 7 Lights




NEW MUSEUM
Chelsea Art Museum 556 West 22nd Street (at 11th Avenue)
NYC 10011

09 ABR - 29 JUN 2008


Os três pisos de galerias do museu de Kazuyo Sejima + Ryue Nishizawa / SANAA não têm divisões. No quarto piso há uma exposição de 15 pinturas de Tomma Abts, inaugurada no mesmo dia, onde uma linha semi-contínua de telas de 48 cm x 38 cm circunda o espaço vazio. A exposição de Paul Chan ocupa o terceiro piso do New Museum – é mostrado pela primeira vez nos Estados Unidos o ciclo completo “The 7 Lights”. Para esta exposição, foram construídas três paredes em forma de U.

“The 7 Lights” é um conjunto de textos, desenhos, colagens e projecções digitais de luz e sombra. A série foi iniciada em 2005 e completada em 2007. As projecções – animações digitais de silhuetas negras sobre fundos de luz e cor – sugerem elementos identificáveis ou não, e a sua projecção não ortogonal imita a luz directa que passa por uma janela. As projecções, “Lights” (Luzes), submergem-nos poeticamente, num universo estilhaçado ou em amena desintegração. As Luzes simbolizam os dias. De repente silhuetas de pessoas caem, estandartes, bandeiras, folhas e bandos de aves passam, um garfo aproxima-se demais e flutua uma metralhadora que entretanto se desfaz, aparecem e desaparecem fios, cabos de alta tensão, postes eléctricos, carros, árvores, computadores… A cor, ou luz de diferentes cores, marca diferentes horas e lugares - alvorecer, meio-dia, fim da tarde, madrugada. As “Luzes” vão do branco ao verde, laranja, azul, roxo, rosa, encarnado. A mudança constante entre as cores do espectro visível é contraposta pelas sombras suspensas que não se fixam e passam placidamente na mesma direcção. O simbolismo das que ascendem enquanto outras descem e às vezes até desaparecem, esvaziando a narrativa, dá-nos um tema clássico. O ritmo é sincopado, vazio, atemporal. As luzes, projecções, janelas têm formas como círculos, triângulos ou trapézios – os projectores estão instalados de um modo torcido, singular. Chan usa técnicas obsoletas, como a retroprojecção, por meio de espelhos; ou uma pequena ventoínha que, junto do projector, desequilibra a folha de papel onde um buraco circular, a centímetros da lente, deixa passar uma imagem de limites menos definidos. Os desenhos e as animações digitais são genericamente simples – o que cria uma tensão com o aparato técnico e faz sobressair o lado cénico.

A exposição explora e divaga. Exploração filosófica e política sobre a vida, as catástrofes, as religiões e a sujeição à morte. O filosófico e o estético relacionam-se com o dia-a-dia. Os movimentos de ascensão e queda de corpos têm inúmeras relações biblícas, reais e sobretudo actuais – o 11 de Setembro ou a Guerra do Iraque imprimem no mundo global a consciência do desastre. As sombras referenciam o Barroco, o teatro, a caverna de Platão como base de toda a ilusão, e os filmes estruturalistas. As “Luzes” de Chan são iluminações, janelas para o macabro, para as referências culturais cruzadas com a experimentação tecnológica de uma era capitalista.

As 7 “Luzes” trazem o sétimo dia da criação do mundo (o dia do descanso) ou os sete pecados capitais; os ciclos de nascimento e morte; e a separação da luz e da escuridão. São visões que aceitam os textos míticos e religiosos, o apocalipse.

Tudo passa, muitas vezes só em sombra como nos desenhos: bocados de papel preto rasgado e colado nas pautas musicais ou nos suportes de esferovite branca. Os desenhos que estão na parede da entrada têm o título “Score for 7th Light”. São colagens de pequenos bocados de papel preto rasgado sobre pautas musicais.

O facto de “Light” estar sempre riscado indica o negativo, a sombra própria, como no texto de Nietzsche “The Wanderer and His Shadow”. As sombras constroem uma narrativa ambígua, criam espaços negativos e falam de um desconhecido familiar.

Chan alia a destreza técnica a uma invulgar articulação crítica e intelectual. Além de artista, é activista político – em 2002 quebrou as sanções norte-americanas e esteve em Bagdad durante um mês, na companhia do grupo pró-desarmamento “Voices In The Wilderness”. Colaborou recentemente na produção site-specific da peça “À espera de Godot”, nas ruas de Nova Orleães, onde o tema da espera e do desolamento num lugar de sobreviventes, vazio e miscigenado, não podia ser mais apropriado.

Ouvi Paul Chan a falar e a ler, no auditório apinhado da New School, um texto seu recente com o título “The Spirit of Recession”. Sempre brilhante e divertido, explicou que o que interessa é tensão e criatividade; que a religião ensopa tudo (até o capitalismo tem uma dimensão religiosa), por isso a sociedade modernista comete um erro ao querer ignorá-la, defendendo a ideia de progresso; que Mark Twain disse “A História não se repete, rima”; que “o Espírito é um osso”, como definiu Hegel; que o pensamento mítico é natural; que a auto-preservação é dominação e o progresso é uma celebração que espera o milagre económico; e que, ainda que não consigamos mudar as grandes coisas, podemos sempre mudar as pequenas. Um poeta.


Ana Cardoso