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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Theo van Doesburg, “Composition IX”, 1917-18. Gemeentemuseum Den Haag


Theo van Doesburg, “Design for poster and The Little Review”, 1925. Kröller-Müller Museum, Otterlo


Theo van Doesburg, “Stained-Glass Composition IV”. Vitral desenhado para o interior e o exterior do De Lange House, Alkmaar 1918. Kröller-Müller Museum, Otterlo


Theo van Doesburg, “Counter-Construction, Axonometric, Maison Particulière”, 1923. © 2010 Museum of Modern Art, Nova Iorque / Scala, Florença

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THEO VAN DOESBURG

Van Doesburg and the International Avant-Garde: Constructing a New World




TATE MODERN
Bankside
London SE1 9TG

04 FEV - 16 MAI 2010


Nesta exposição patente na Tate Modern, que tem por base o trabalho de Theo Van Doesburg, podemos ver não apenas obras suas, como de vários artistas com quem trabalhou ou partilhou afinidades artísticas e culturais, nomeadamente os membros do grupo De Stijl que começou em 1917 com uma revista.

Este movimento artístico aproxima-se do abstraccionismo geométrico e abarca a pintura, escultura, arquitectura, design e decoração e incluiu artistas como Piet Mondrian, Gerrit Rietveld, Hans Richter, Vilmos Huszár, entre outros. Embora tenha sido um movimento que abrangeu tantas áreas e com artistas tão profícuos, não é um movimento que tenha grandes repercussões nos nossos dias. Mesmo Piet Mondrian que é talvez o artista mais conhecido e apreciado, é sempre referenciado como um pintor abstraccionista e ele próprio nomeou o seu estilo de Neoplasticismo. No entanto, podemos ver que Mondrian e Van Doesburg partilhavam a mesma matriz artística.

Theo Van Doesburg, nasceu Christian Emil Marie Küpper em Utrech na Holanda em 1883 e morreu em 1931. Adoptou para a sua carreira o apelido do seu padrasto. Foi um artista versátil, professor na Bauhaus, mas ficou mais conhecido como pintor e fundador do movimento De Stijl.

Os primeiros trabalhos que podemos ver em “Van Doesburg & the International Avant-Garde: Construction a New World” são de 1914 e 1916, anteriores ao movimento e algumas denotam já uma geometria que pressagia o que Van Doesbrug começará a fazer em 1917, principalmente os vitrais. No início do movimento, muitas das pinturas eram feitas a partir de pinturas anteriores ainda figurativas. Podemos ver aqui alguns exemplos que mostram a obra original e a sua decomposição abstracta.

A exposição ocupa 13 salas do piso 4 da Tate Modern e está dividida dentro das salas de uma forma não apenas cronológica, mas também lógica segundo as diferentes fases da sua carreira. Isto é, a título de exemplo refira-se que os projectos que Van Doesburg desenvolveu no âmbito da sua experiência como professor na Bauhaus, onde chegou em 1921 com o objectivo de leccionar e difundir as ideias de De Stijl, merecem uma sala, assim como toda a parte gráfica, que inclui não só trabalhos seus e de Lázló Moholy-Nagy mas também de artistas que de alguma forma influenciaram o De Stijl como os construtivistas El Lissitzky ou Alexander Rodchenko. Na realidade todas estas salas estão ligadas, porque todos estes movimentos que antecederam a década de 20 e se prolongaram até aos anos 40, estavam ligados artística e ideologicamente.

Para ter uma pequena noção de quão vasta foi a propagação do De Stijl pelas várias áreas artísticas, refira-se que estão também presentes pequenos filmes como Diagonal Symphony” (1921) de Viking Eggeling que mostra uma animação em que os desenhos aparecem e desaparecem ou “Rythmus 21” (1921) e “Rythmus 23” (1923) em que Hans Richter nos mostra quadrados e rectângulos que se movem. Para nos fazer entender o ambiente desta época, a Tate Modern incluiu até uma pequena zona onde podemos escutar o repertório de piano que Nelly Van Doesburg costumava tocar nos eventos De Stijl, Bauhaus e Dada. Existe, aliás, uma sala dedicada à fase Dada de Van Doesburg onde encontramos obras de Picabia e de Max Ernst.

“Van Doesburg & the International Avant-Garde: Construction a New World” tem duas salas dedicadas à arquitectura, design e mobiliário. Uma entre 1917 e 1920 e a outra entre 1923 e 1930. Na primeira podemos ver várias peças de mobiliário de Gerrit Rietveld, incluindo a sua famosa cadeira vermelha e azul (1918) que foi desenhada para a casa Rietveld-Schröder cujo projecto é também de sua autoria. Segundo uma carta de Rietveld para Van Doesburg, o seu objectivo com esta cadeira era fazer uma peça de mobiliário sem qualquer massa ou volume, que não contivesse espaço, mas permitisse que o espaço circundante não fosse interrompido.

Podemos também observar maquetes de edifícios e desenhos técnicos, a mostrar-nos que o desenho técnico feito à mão podia ser algo criativo, expressivo e apelativo a um olhar mais demorado, na era pré-autocad.

Esta exposição tem um incontornável carácter pedagógico. Quem não conheça o movimento De Stijl, fica a entender a sua inserção nos movimentos de Arte Moderna do Século XX, os seus artistas e mentores e sente um pouco o ambiente que se vivia na época. Mas é mais um percurso pelo movimento que Theo Van Doesburg desenvolveu, do que pela sua vida ou obra. Van Doesburg é o mote para a viagem, não o objecto em si.


Bárbara Valentina