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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Vista da exposição No Place Like Home. Museu Coleção Berardo. Foto: Rita Carmo


Vista da exposição No Place Like Home. Museu Coleção Berardo. Foto: Rita Carmo


Vista da exposição No Place Like Home. Museu Coleção Berardo. Foto: Rita Carmo


Vista da exposição No Place Like Home. Museu Coleção Berardo. Foto: Rita Carmo


Vista da exposição No Place Like Home. Museu Coleção Berardo. Foto: Rita Carmo


Vista da exposição No Place Like Home. Museu Coleção Berardo. Foto: Rita Carmo


Vista da exposição No Place Like Home. Museu Coleção Berardo. Foto: Rita Carmo


Vista da exposição No Place Like Home. Museu Coleção Berardo. Foto: Rita Carmo


Vista da exposição No Place Like Home. Museu Coleção Berardo. Foto: Rita Carmo


João Pedro Vale, Can I Wash You?, 1990. Barras de sabão Offenbach © Colecção BPP.


Vista da exposição No Place Like Home. Museu Coleção Berardo. Foto: Rita Carmo


Vista da exposição No Place Like Home. Museu Coleção Berardo. Foto: Rita Carmo


Vista da exposição No Place Like Home. Museu Coleção Berardo. Foto: Rita Carmo

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Teatro da Politécnica - Artistas Unidos, Lisboa
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ARQUIVO:


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NO PLACE LIKE HOME




MUSEU COLEÇÃO BERARDO
Praça do Império
1499-003 Lisboa

01 MAR - 03 JUN 2018

NO PLACE LIKE HOME: EXISTE UMA ESTÉTICA DUCHAMPIANA?

 

 

A exposição No place like home, após a inauguração no Museu de Israel, em fevereiro de 2017, tem, agora, no Museu Coleção Berardo, em Lisboa, o seu segundo momento, representativo de uma nitidamente bem sucedida parceria institucional.

A riqueza artística que se apresenta resulta da proveniência das mais de 100 obras expostas tanto dos acervos de ambas as instituições, como de outros, privados, de galerias, de artistas e, ainda, empréstimos da Coleção Eclipse. Porém, a principal razão pela qual se destaca esta exposição, que se anuncia como experimental, reside no que a curadoria celebra, o 102º aniversário do movimento Dada e o 101º da obra Fountain, frequentemente considerada a mais importante peça do incontornável Marcel Duchamp.

 

Marcel Duchamp, Fonte, 1917 / edição de réplica 1964. Urinol de porcelana. Coleção Vera e Arturo Schwarz de Arte Dada e Surrealista no Museu de Israel © Succession Marcel Duchamp / ADAGP, Paris 2018. Fotografia: © The Israel Museum, Jerusalém.

 

O Museu Berardo, em conjunto com os comissários Drª Adina Kamien-Kazhdan e David Rockefeller, deu, pois, um particular enfâse ao que constituiu a ação desse artista, que foi o maior impulsionador de toda a criação artística do séc. XX e absolutamente determinante para as perspectivas que, seguidamente, se desenvolveram e conduziram ao que hoje se conhece como arte contemporânea.

Como tal, torna-se particularmente importante reconhecer o que Marcel Duchamp defendeu ao longo do seu percurso, sendo um ponto fundamental de análise compreender se existe uma estética Duchampiana. Tal questão foi colocada pelo conceituado professor, investigador e teórico José Bragança de Miranda, numa conferência que antecedeu a cerimónia da inauguração, em Lisboa. Esta integrou-se no VIII Ciclo de Conferências Internacionais sobre Arte, História e Pensamento, organizado pela Escola de Comunicação, Artes e Tecnologias de Informação da Universidade Lusófona e pelo Museu Coleção Berardo, resultando numa importante reflexão sobre o artista e sobre o que este imprimiu no mundo da arte.

Como José Bragança de Miranda referiu, desde logo, Duchamp foi impelido por tudo o que ocorreu no séc. XIX, incluindo a Estética de Hegel. Nessa época desenvolveu-se uma profunda dúvida sobre o valor e o significado da arte, consequência da multiplicação das formas e práticas artísticas e das várias vanguardas que se assumiram na primeira metade do séc. XX.

Friedrich Hegel compreendeu e teorizou, pois, que a validade e a importância dos objetos artísticos, o que os distingue dos restantes, comuns, reside no domínio conceptual e não no visual e formal, como se considerava até à altura. Ora, como explicou Bragança de Miranda, Marcel Duchamp levou essa ideia ao limite, começando a operar e a manipular os mais variados conceitos dos objetos até à destruição dos mesmos.

Isso materializou-se no que, hoje, se conhece como ready made, patente nos objetos que se tornam obras de arte mediante a ação do artista e o que este lhes imprime como significado, linguagem e discurso. Esse exato momento em que algo se altera e atinge uma outra dimensão representa, precisamente, um dos conceitos mais importantes de Duchamp, o inframince. Tal palavra traduz o efeito invisível, imaterial e imperceptível que é transformador do objecto, validado por quem o realiza.

No que diz respeito a uma estética duchampiana, poderá compreender-se que esta não existirá de um mesmo modo que as outras estéticas, como disciplinas, determinadas e estabelecidas através de critérios específicos. Identificam-se, sim, perspetivas que o criador defendeu ao longo do seu percurso artístico e da sua vida, acompanhadas de uma convicção de que a evolução do homem ocorre através do ato livre, principalmente, da ação criativa livre.

Na exposição agora patente, inaugurada no primeiro dia de março e que se prolongará até 3 de junho, encontra-se uma reinterpretação das obras expostas de acordo com o novo contexto em que se inserem. A maioria dos trabalhos apresentados são inspirados em objetos do quotidiano, evocando questões dos papéis de género, do trabalho doméstico e da casa como espaço central na formação familiar e social.

Como a curadora Drª Adina Kamien-Kazhdan explica, há um diálogo entre o que é ou não do lar, entre o familiar e o estranho, ideia, precisamente, dadaísta e surrealista. Surge, assim, a partir da desobjectualização duchampiana, uma quase reposição e normalização dos objetos, que proporciona uma hibidrização do que é exposto, uma fragmentação e uma simultânea multiplicação discursiva. Os curadores examinam e expõem as dualidades de espaço/não espaço, casa/não casa, construindo um jogo de percepções e interpretações que provoca uma situação de unheimliche, inquietude, palavra que, como Sigmund Freud identificou, tem como raiz de significado, "diferente de casa".

 

Rachel Lachowicz, Untitled (Lipstick Urinals), 1992. Batom, cera e hidrocal © Rachel Lachowicz Fotografia: © Shoshana Wayne Gallery e Rachel Lachowicz.

 

A curadoria surge com o apoio da companhia IKEA, mostrando a galeria do Piso -1 como a planta de uma casa, com as suas diferentes divisões e fazendo-se acompanhar de um catálogo também inspirado no que esse grupo habitualmente compõe. Neste último, para além de fotografias das obras expostas, podem ler-se ensaios de arquitetos e historiadores com reflexões pertinentes relativamente à exposição e à arte contemporânea.

 

Imagem para Capa de Cátalogo No Place Like Home. Obras de No Place Like Home na Bergman House / Museu de Israel. Direção: Idan Epshtien. Fotografia: Elie Posner

 

Esta importante exposição estabelece-se, assim, com marcantes e altamente conceituados artistas, tais como Andy Warhol, Claes Oldenburg, Mona Hatoum, Yayoi Kusomo e, claro, o próprio Marcel Duchamp, do qual se contam 12 peças. Plural, heterogénea e altamente estimulante ao desenvolvimento de novas interpretações, relações e reflexões, esta mostra convida o espectador a uma singular experiência. Abre-se um universo, em certa medida, duchampiano, a partir de uma forma e expressão inéditas e invulgares, como toda a lógica que se herdou desse ímpar génio artístico.



CONSTANÇA BABO