Links

EXPOSIÇÕES ATUAIS


Erika Verzutti, vista da exposição. Centre Pompidou. Fotografia: Audrey Laurens


Erika Verzutti, vista da exposição. Centre Pompidou. Fotografia: Audrey Laurens


Erika Verzutti, vista da exposição. Centre Pompidou. Fotografia: Audrey Laurens


Erika Verzutti, vista da exposição. Centre Pompidou. Fotografia: Audrey Laurens


Erika Verzutti, vista da exposição. Centre Pompidou. Fotografia: Audrey Laurens


Erika Verzutti, vista da exposição. Centre Pompidou. Fotografia: Audrey Laurens


Erika Verzutti, vista da exposição. Centre Pompidou. Fotografia: Audrey Laurens


Erika Verzutti, vista da exposição. Centre Pompidou. Fotografia: Audrey Laurens


Erika Verzutti, vista da exposição. Centre Pompidou. Fotografia: Audrey Laurens


Erika Verzutti, vista da exposição - pormenor. Centre Pompidou. Fotografia: Audrey Laurens


Erika Verzutti, vista da exposição. Centre Pompidou. Fotografia: Audrey Laurens


Erika Verzutti, vista da exposição - Cemitério em primeiro plano. Centre Pompidou. Fotografia: Audrey Laurens


Erika Verzutti, vista da exposição. Centre Pompidou. Fotografia: Audrey Laurens


Erika Verzutti, vista da exposição. Centre Pompidou. Fotografia: Audrey Laurens


Erika Verzutti, vista da exposição. Centre Pompidou. Fotografia: Audrey Laurens

Outras exposições actuais:

FRANCISCO TROPA

O PIRGO DE CHAVES


Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa
JULIA FLAMINGO

CAROLINE MESQUITA

ASTRAY


Galeria Municipal do Porto, Porto
CONSTANÇA BABO

HORÁCIO FRUTUOSO

CLUBE DE POESIA


Museu de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto
CATARINA REAL

CARLOS BUNGA

THE ARCHITECTURE OF LIFE. ENVIRONMENTS, SCULPTURES, PAINTINGS AND FILMS


MAAT, Lisboa
MIGUEL PINTO

JORGE MOLDER

JEU DE 54 CARTES


Carpintaria de São Lázaro, Lisboa
MARC LENOT

COLECTIVA

WAIT


Museu Coleção Berardo, Lisboa
MIRIAN TAVARES

TACITA DEAN

TACITA DEAN


Museu de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto
CONSTANÇA BABO

MANUEL CASIMIRO

MANUEL CASIMIRO - DA HISTÓRIA DAS IMAGENS


Museu Arpad Szenes - Vieira da Silva, Lisboa
MARC LENOT

INÊS NORTON

DO MEU LUGAR, O QUE EU VEJO


quARTel da Arte Contemporânea de Abrantes, coleção Figueiredo Ribeiro, Abrantes
SUSANA RODRIGUES

BARRY CAWSTON

BANKSY'S DISMALAND AND OTHERS


Alfândega do Porto, Porto
CONSTANÇA BABO

ARQUIVO:


ERIKA VERZUTTI

ERIKA VERZUTTI




CENTRE POMPIDOU
Place Georges Pompidou
75191 Paris

20 FEV - 15 ABR 2019


 

 

Era a imagem inversa desta primeira que eu teria desejado mostrar ao início, a visão que temos do exterior do museu através das grandes janelas do Centro Pompidou, sobre a exposição da artista brasileira Erika Verzutti (até 15 de abril), a sua primeira exposição retrospectiva na Europa. Do exterior, vemos um grande cisne branco a servir de base a uma dúzia de pequenas esculturas, vemos cinco ilhotas cheias de pequenas esculturas coloridas entre as quais os visitantes navegam. O topo das paredes é pintado de amarelo, como um sol fantasmagórico, e, mais que diante de uma exposição, acreditamos estar num santuário colorido, exuberante, onde nunca seremos iniciados, mas que admiraremos de longe.

É claro, é preciso entrar, esquecer o discurso convencional que tenta vincular este trabalho ao da exposição mostrada ao lado (como se a geração de formas se pudesse reduzir a um processo orgânico) e mergulhar dentro deste universo precioso, irónico e impertinente. Erika Verzutti é uma hedonista que não tem nada a ver com conceitos abstratos ou pós-modernos (o que a torna difícil de enformar pelos bons espíritos da arte contemporânea: o prefácio do catálogo é uma prova hilariante). Mesmo a curadora Christine Macel (que, no entanto, já tinha apresentado Verzutti em Veneza em 2017) parece ter dificuldade em aceitar esta multitude, a sua recusa das regras, esta liberdade, que não podemos incluir no compartimento "feminismo" ou no compartimento "política", tão práticos. Avessa às práticas comuns, Verzotti é herdeira de Tarsila do Amaral (e do seu marido, o antropófago Oswald de Andrade), e rende-lhe aqui tributo com pequenas esculturas de pepinos fálicos que às vezes se beijam e acariciam.

 

Erika Verzutti, Bikini, 2015, bronze e acrílico, 61x40x9cm

 

Mas o seu trabalho não pode ser reduzido ao tropicalismo: as suas colunas, as suas "tartarugas", as suas estelas inscrevem-se numa história de arte barroca ou surrealista, entre natureza e cultura, entre arte primitiva, mesmo arcaica, e a civilização do ecrã. As suas peças carregam a impressão dos seus dedos, as suas aberturas sensuais acolhem ovos coloridos. Ela trabalha a argila, o bronze, o papel machê, o gesso, o betão, a cera, o que quer que seja, estas formas tanto prosaicas quanto estranhas nascem na ponta dos seus dedos como criações mágicas.

 

Erika Verzutti, Grávida, 2014, bronze, betão, enamel, cera e acrílico, 90x60x28cm

 

Erika Verzutti, Missionário, 2011, bronze e acrílico, 31x10x16cm

 

O seu erotismo é leve e irreverente, todo em sensualidade colorida e formas suaves, redondas e voluptuosas; a sua série "Missionário" evoca a posição em questão mais do que as conversões religiosas, com as Vénus pontiagudas (Yogi) e as Ladies em bananas (JosephineBaker?). Ambivalente e astuta, ela joga perfeitamente com a ambiguidade, o artifício (vejam o ensaio de Chris Sharp no catálogo, em torno de Byung-Chul Han) e profere por vezes enormidades que o seu entrevistador acredita ingenuamente e recolhe meticulosamente sem saber o que fazer com isso.

A exposição também inclui os "Cemitérios", reuniões no chão de desperdícios, de fracassos da artista, passos aceites, relíquias que também podemos ver como uma rejeição do bem sucedido, numa reconciliação com o defeito: nenhum "verdadeiro" artista faria isto (Rodin, talvez) e Verzutti deleita-se, evidentemente, novamente fora das regras, das convenções.

Esta energia sobe mesmo para as paredes: várias obras passaram da escultura de chão ao baixo-relevo (vejam a análise de José Augusto Ribeiro no catálogo). São formas coloridas, também sempre arredondadas, que saem da parede em direcção a quem olha, como um ecrã táctil, uma janela absurda tornada viva, activa, vigorosa. Não sabemos o que pensar deste trabalho, ou melhor, não sabemos como analisá-lo, preferimos senti-lo, fundirmo-nos com ele; a experiência da visita é mais sensível ou mística que intelectual, e essa é a façanha contra corrente de Erika Verzutti.

 



MARC LENOT