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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Créditos fotográficos: Bruno Lopes.


Créditos fotográficos: Bruno Lopes.


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ARQUIVO:


PEDRO VALDEZ CARDOSO

O FILHO DO CAÇADOR




APPLETON [BOX]
Rua Acácio Paiva, nº27 r/c
1700-004 Lisboa - Portugal

02 JUN - 30 JUN 2020


 

 

“O Filho do Caçador” de Pedro Valdez Cardoso encena um exercício estético e narrativo, deliberadamente oculto e fantasmático, que procura refletir sobre a identidade sexual, as relações familiares, o poder, a perda de inocência e o segredo.

Este corpus artístico criado por Valdez Cardoso é constituído por três obras interdisciplinares - uma instalação ( expandida e fragmentada no espaço, onde predomina o azul e transforma o espaço expositivo da Box da Appleton numa enorme sombra tridimensional que se assemelha a uma floresta ) ; uma peça de teatro ( cuja ação se desenrola numa cabana de caça numa floresta do norte da Europa) ; e um livro de artista (onde se enumeram as distintas referências visuais que inspiraram este projeto) – que sugerem uma intenção narrativa semelhante, embora expressa e materializada de distintas formas. Deste modo, o artista retoma um discurso já conhecido do seu léxico temático, regressando a temas antigos do seu imaginário, como a caça, a sombra, o poder e a monocromia visual.

A ideia inicial para o “O Filho do Caçador” surgiu há alguns anos atrás a partir de uma notícia que narrava uma história macabra passada no norte da Europa: Um caçador acidentalmente teria morto o seu próprio filho durante uma caçada. Partindo desta história, o artista, em parceria com Nuno Sousa Vieira, concebeu uma curta peça de teatro, que se apresenta como folha de sala da exposição.

Na peça, ao início da noite, pai e filho preparam-se para jantar, enquanto uma breve conversa faz despoletar um misto de sentimentos aprisionados e traz à tona um segredo do passado. As duas personagens que apresentam traços emocionais opostos potenciam a reflexão sobre o poder e a identidade. Se por um lado, o pai se apresenta como uma figura autoritária patriarcal, que transparece uma tranquilidade sinistra oriunda da consciência do poder e da invulnerabilidade; em oposição, o filho representa a fragilidade, a complacência e a ingenuidade curiosa.

À medida que nos aproximamos do final da peça, a tensão dramática adensa-se e os segredos outrora guardados acabam por se revelar: o irmão do filho do caçador (Jens G.) foi morto pelo próprio pai, devido à sua incompreensão do facto deste ser homossexual. A tensão latente, a agitação, a indiferença e austeridade do pai, anunciam-se tenuemente pelos interstícios da narrativa, como sendo os atributos do seu verdadeiro caracter. Trata-se de uma história sobre verdades apagadas, ocultação e dissimulação.

 

 

Créditos fotográficos: Bruno Lopes.

 

 

Envolto numa aura sombria e sedutora, o espaço expositivo da Appleton Box apresenta uma obra que incita a aproximação do espectador desafiando-o a decifrar os elementos, por entre sombras e silhuetas. Nesta floresta armadilhada, habilmente tecida, surgem objetos vários - ossos, galochas, escoras metálicas, baldes, folhas ou tecidos - que aludem de forma subtil à história contada na peça de teatro. Na penumbra, o espectador é transportado ora para o interior (cabana) ora para o exterior (floresta) onde se desenrola a ação dramática.

Os “atores” desta história abandonaram o espaço plástico, mas os seus rastos sentimentais não se apagaram e são-nos devolvidos, com uma intensão artística metafisica, sob tensão psicológica e exatidão cenográfica.

Esta dissimulação visual exacerbada pelo azul absoluto que domina o espaço e que cria um ambiente imersivo intencionalmente hostil, não representa uma mera alusão direta à caça e à camuflagem, mas, ao invés, uma ação interposta de uma performatividade oculta. A cenografia vai muito além da intenção puramente estética e pretende sobretudo contribuir para uma reflexão sobre as questões do poder e da ruína.

“O Filho do Caçador” demostra uma vez mais que embora a contextualização histórica e social conduza sempre o trabalho artístico de Valdez Cardoso, a intenção deste nunca será uma reconstituição fidedigna na sua essência; o seu intento último é criar uma nova narrativa repleta de simbolismos e interdependências múltiplas. Assim, com “O Filho do Caçador”, Pedro Valdez Cardoso constrói uma realidade multifacetada, complexa, contida numa dissertação indivisível e consonante, em que as três propostas de discurso artístico convergem para uma única verdade, sumativa e coesa.

 

 

 

 

Francisca Correia
Aluna de Programação e Produção Cultural na ESAD.CR. Encontra-se neste momento a realizar um estágio curricular na Artecapital, na área de produção e divulgação de conteúdos.



FRANCISCA CORREIA