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A OBRA DE ARTE, O SISTEMA E OS SEUS DONOS. META-ANÁLISE EM TRÊS TEMPOS (I)

PAULO CUNHA E SILVA

2013-01-07




1º Tempo: A Obra de Arte


Queria começar trazendo para esta discussão uma da perguntas mais formuladas, mais respondidas, mais irrespondidas, porventura também das mais irresponsáveis da história universal da interrogação, da perplexidade, do espanto. Esta pergunta “O que é uma obra de arte?” só terá paralelo com uma outra (embora com desfavor para a primeira) que é “O que é Deus?” (e gostaria que se reparasse que disse o que é e não quem é porque me interessa o tratamento objectal dos conteúdos, por uma questão metodológica e não por qualquer tipo de profissão ateísta).

Insiro a pergunta no “meu” Google, corretamente, com ponto de interrogação e tudo, entre aspas para não ficar nada de fora nem haver redundâncias desnecessárias: 4.760.000 entradas. Descansem, não vou reproduzi-las todas. Só a primeira. E a primeira é naturalmente a da Wikipedia.

Mas antes disso tive vontade de introduzir duas outras questões do mesmíssimo agregado familiar e com as quais tinha decidido que não me ia envolver para não me enredar ainda mais neste novelo de sarilhos múltiplos e de todas as pontas soltas. Mas aí vai?

“O que é arte?” só tem 125.000 entradas; mas “O que é a arte?” tem 46.600.000. A diferença está no artigo, que neste caso não é um detalhe. A pergunta é de facto “O que é a arte?” Essa coisa irreprodutível, indefinível e inexplicável, tal como aquilo que ela procura conter: a obra. E esta diferença quer também dizer que mesmo para o Google “arte” ainda é coisa substantiva, muito mais do que adjetiva.

Mas quero ficar com a obra e deixar a arte, para já, em paz.

Porque me socorri do Google? Justamente porque me interessava pensar o senso-comum, como senso comum. É claro que Fernando Gil, antes de explicar a convicção, como andava a fazer nos últimos tempos, nos explicou no seu Tratado da Evidência (1996, INCM) que não havia nada menos evidente que a evidência.

E apesar de tudo a Wikipedia, que é uma ferramenta popular e de acesso universal, representa o pensamento médio editado e esclarecido. É claro que o pensamento médio, mesmo editado e esclarecido, pode ser uma máquina terrorista, porque a fasciculação mental, o sobressalto, está para lá do consenso e da vulgata. Mas voltemos à questão e à vontade natural de encontrarmos respostas para as perguntas que formulamos.

Diz o Google:

“É uma obra criada ou avaliada por sua função artística ao invés de prática. Por função artística entende-se a representação dum símbolo, do belo. Apesar de o não ter como principal objetivo, uma obra de arte pode ter utilidade prática.
Pode consistir num objeto, uma composição musical, arquitetura, um texto, uma apresentação, um filme, um programa de computador, entre outros. Entretanto, o que é considerado uma obra de arte depende do contexto histórico e cultural, e do próprio significado de arte”

Em todo este fraseado, redondo e teleológico, porque se usa o objecto que se quer explicar no processo da explicação e se parte do resultado para o enunciado, a única meia frase que faz sentido é a primeira metade da última: “o que é considerado uma obra de arte depende do contexto histórico e cultural”.

Porque dizer que uma obra de arte depende do próprio significado de arte é a mesma coisa que dizer que a terra é redonda porque não é quadrada. Ou dizer que a obra não tem que ser prática mas pode ter utilidade prática é mesma coisa que dizer que a minha tia come alface mas não é vegetariana.

Mas também, curiosamente, a única afirmação que neste bloco para mim faz sentido e que tem pertinência enunciativa no sentido neopragmático do termo também começa por “depende”.

Portanto estamos num campo de definição completamente minado e incapaz de avançar uma vez que preso nas suas próprias armadilhas.

E falta aqui um imprint que é fundamental para a definição de obra de arte e que é utilíssimo para afastar qualquer confusão com a noção de belo.

Esse imprint é a sua artificialidade. Uma obra de arte pode ser bela mas é necessariamente artificial. É isso que a distingue de um pôr-do-sol ou da própria natureza. Ou meus alunos mais naïve chegam a dizer que arte é um pôr-do-sol.

Mesmo as formas de arte que para além de representarem a beleza natural utilizam a natureza são absolutamente artificiais.

Não há nada mais artificial do que a land art. Porquê? Porque se constrói, justamente, a partir desse equívoco e o explora até ao limite. Ou seja: “é só cenário”.

A natureza só se transforma em obra de arte quando um artista destaca esse fragmento de natureza e o declara obra de arte. Mas não há nada de mais artificial, de mais construído, de mais encenado, do que a declaração, ou melhor a nomeação. Ela exige um processo de ratificação superior. Uma espécie de sentença de tribunal de terceira instância.

Jamais a natureza se pode autodeclarar obra de arte. (Vamos deixar este fio solto para o retomarmos mais tarde).

Creio que nos estamos a aproximar do ponto, do meu ponto, e peço desculpa pelo empurrão. Ou seja, fui dizendo que para qualquer “coisa” ser uma obra de arte, mesmo uma coisa natural, tem que haver alguém a declará-lo.

E quem pode declarar uma obra como obra de arte? Poderão pensar que será o crítico, ou o sociólogo, ou o filósofo, ou o antropólogo, já que a única coisa em que acredito da definição do Google é que ela é contextual, no espaço e no tempo, ou seja, é uma utopia antropológica, e não um objecto marcado pelo dom da universalidade. Não, depois do ready made, depois de Duchamp, só há uma categoria humana com capacidade para declarar uma obra como sendo um obra de arte. Todos os outros se olhassem para a “fonte” (para o mictório invertido), pela primeira vez, sem se terem cruzado com Duchamp e o seu trabalho, previamente, ficariam seguramente embaraçados

Não saberiam o que fazer com aquilo. Desparafraseando o pai (o papa) da nossa crítica, em entrevista recente à RTP, José Augusto-França, só com faro já não se vai lá.

E é ver a dificuldade farejante dos críticos quando lhes apresentam qualquer coisa absolutamente nova, ainda não ratificada. São pouquíssimos os que ousam lançar a primeira flor ou a primeira pedra. Andam às voltas, de facto, a farejar. Mas o “eureka” raramente sucede a partir do nada.

E o core, a mãe, de todas as dúvidas resulta da circunstância fundamental que distingue uma obra de arte de uma obra de ciência. Enquanto que a obra científica exige a prova, a obra artística exige a sua dispensa.

Uma obra científica (um resultado) é no início uma hipótese, que no limite mais ambicioso da sua condição se deseja transformar em lei. Para isso tem que ser reprodutível, verificável e universal. Isto é, qualquer pessoa em qualquer parte do mundo, partindo dos mesmos pressupostos, e assegurando a exatidão das mesmas condições de partida, tem que chegar ao mesmo resultado se aplicar o mesmo método. E esses resultados não se podem verificar uma só vez, têm que poder ser sempre verificáveis.

Todavia, estes princípios, da reprodutibilidade, da universalidade e da verificabilidade, também não são eternos, e Popper com a sua monumental obra A Lógica da Descoberta Científica (1934, 1ª ed.) introduziu um princípio muito operativo, o da falsificabilidade. Isto é, um resultado só é verdadeiro enquanto não for demonstrado que é falso. O que é muito bom, porque se os resultados fossem eternamente verdadeiros, a ciência, e aquilo que dela passa para a sociedade, a tecnologia, não evoluiriam. E a rotura paradigmática, como a enunciou Thomas Kuhn em A Estrutura das Revoluções Científicas (1962), ficaria eternamente adiada.

Todavia, mesmo com Popper, o resultado científico tem que ser verdadeiro, ou pelo menos provável. Enquanto que a obra de arte (o resultado artístico) não tem que prestar contas, tem que sobreviver para lá da prova, ou melhor só tem que prestar contas a quem a produziu e a partir daí partir para o mundo, com a sua pregnância, a sua capacidade de comunicação.

Mas ninguém lhe exige que seja reprodutível, pelo contrário, exigem-lhe originalidade, exigem-lhe singularidade. É claro que uma proposta científica, a primeira vez que é formulada, também deve ser original e contribuir para a evolução do conhecimento numa determinada área. Mas a obra de arte deve ser irreprodutível.

Na era da reprodutibilidade tecnológica (A Obra de Arte na Era da sua Reprodutibilidade Técnica, de Walter Benjamin, 1935) e a agora virtual, o estatuto da obra de arte, enquanto objecto aurático, alterou-se muito. Os artistas passaram a fazer séries. E estas séries podem ser cópias ou discretas variações. Mas quem adquire uma obra de arte exige saber a extensão da série. Quanto maior a série, mais barata aquela obra, naturalmente.

Na internet a ideia de singularidade, de obra única, é absolutamente eclipsada pela própria natureza do hipertexto. Ou seja, de um suporte que vive de infinitas possibilidades que nem o autor, nem o próprio suporte, controlam. É claro que as questões que estou a colocar dizem sobretudo respeito às artes em que o autor é a assinatura e em que a obra não é reprodutível (pode ser reproduzida, mas não é reprodutível), as artes visuais. Com as outras: um disco, um livro, um espetáculo, um filme, a questão da autoria coloca-se de forma diferente. Como não precisa de ser provada, para voltarmos à questão que discutia, como sabemos então se temos obra ou não?

Como sabemos se o copo que tenho à minha frente é uma obra de arte, ou não?

A minha tese, e que fui construindo ao longo de um longo processo de hesitação e dúvida é muito simples na sua evidência desconcertante: uma obra de arte é uma obra (um objeto, uma pintura, uma paisagem, uma máquina) que um artista diz ser uma obra de arte. Sua. Tem que ser sua.

Pode parecer muito cínica esta tese: mas também que é muito operativa. É claro que se pode dizer que isso é chutar o problema para o lado. Penso que não. Penso que o problema está já no outro lado.

Ou seja, o problema não é o que é uma obra de arte, o problema é o que é um artista. E aí sim, entra toda a procissão de agentes (na qual eu também me incluo, discretamente, estando por isso à vontade para me expor no ringue), de críticos, curadores, programadores, animadores, jornalistas, antropólogos, sociólogos, filósofos e todas as combinações possíveis entre estes.

Portanto, para mim o problema está resolvido: o artista diz se aquilo que fez é uma obra de arte ou não (e pensando no Manzoni e no seu produto interior, tudo, mesmo tudo pode ser uma obra de arte, que neste caso particular importa não provar, para voltarmos à questão da prova), e a seita que citei anteriormente diz se aquele sujeito é ou não um artista.

Se a seita disser que sim, o problema está resolvido. Tudo o que artista disser que é arte passa a ser arte. Mesmo má. Mas é arte. Porque é que toda a arte teria que ser boa…?

O ponto sensível passa assim a ser o sistema, o sistema de legitimação, de que todos fazemos, de uma forma ou outra, com mais ou menos intensidade, parte.

Mas o que é então “o sistema”? (esse será o tema da próximo episódio)

Paulo Cunha e Silva