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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Vista da exposição. Fotografia: Paula Pinho


Ricardo Passaporte, Pintura de Relva 1, 2 e 3, 2014. Tapete de relva sintética. Fotografia: Paula Pinho


Teresa Braula, Reis Lieux de memoire #2, 2016. Ferro galvanizado, tinta de spray e entulho. Fotografia: Paula Pinho


Isabel Carvalho, Não pisar carros/Não fumar flores/Não deitar cães (...), 2016. Gravura sobre trafolite. Fotografia: Paula Pinho

, 2016. Lâmpadas, casquilhos, tubo metálico maleável, abraçadeiras, fio eléctrico e fichas. Fotografia: Paula Pinho" data-lightbox="image-1">
Pedro Tudela, "Ci Lo”, 2016. Lâmpadas, casquilhos, tubo metálico maleável, abraçadeiras, fio eléctrico e fichas. Fotografia: Paula Pinho


Dayana Lucas, Interior-exterior, 2016. Tinta spray sobre recorte de aglomerado de madeira. Fotografia: Paula Pinho


Inês Castanheira, look, 2016. Plantas, electrónica, sensores, luz e som. Fotografia: Paula Pinho

, 2016. Vinil impresso. Fotografia: Paula Pinho" data-lightbox="image-1">
Gabriela Vaz-Pinheiro, "O meu jardim é mais colorido que…”, 2016. Vinil impresso. Fotografia: Paula Pinho

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ESCHER


Museu de Arte Popular, Lisboa
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COLECTIVA

QUESTIONS OF RELIEF




GALERIA VERTICAL DO SILO AUTO
Rua de Guedes de Azevedo, 180
Porto

16 DEZ - 16 MAR 2017

IT´S TIME TO SOME QUESTIONS OF RELIEF

 

O Jardim das Delícias Terrenas (1504), de Hieronymus Bosch, é um tríptico representativo da história do mundo a partir da criação exibindo, de um lado, o paraíso terrestre e, do outro, o inferno. Essa reconhecida obra a óleo sobre madeira é hoje convocada como referência para o conceito da nova exposição Questions of Relief, inaugurada dia 16 de dezembro de 2016. O resultado é um conjunto de obras contemporâneas, plurais e complexas que, numa nova e atual consideração do mundo, dão continuidade ao conceito de retrato de um jardim. Este surge como ponte de contacto entre diferentes realidades, parte delas utópicas, em resposta às adversidades políticas e sociais que o mundo de hoje enfrenta. Nesse intuito, os artistas desenvolvem vários jardins na garagem do Silo Auto, confrontando e interpelando os públicos em movimento.



Simultaneamente, é-nos mostrada uma forma de arte no espaço público que amplifica a relação da cidade com a sua produção artística local, trazendo um maior dinamismo para a zona da baixa do Porto. Para esse fim, são vários os artistas que se reúnem neste espaço e ocasião, distribuindo-se, individualmente, ao longo dos sete pisos do edifício, cada um apresentando uma diferente visão de jardim. Entre eles contam-se Carlos Azeredo Mesquita, Dayana Lucas, Gabriela Vaz-Pinheiro, Inês Castanheira, Isabel Carvalho, Pedro Tudela, Ricardo Passaporte e Teresa Braula Reis.

 

O edifício do Silo Auto, característico do centro da cidade, foi projetado por Alberto José Pessoa e João Abel Bessa e inaugurado em 1964. Agora, a cargo da Porto Lazer, foi-lhe atribuída esta inesperada, inovadora e admirável proposta: a utilização dos patamares da escadaria para acolher exposições temporárias de três meses. É deste modo que nasce um novo espaço expositivo intitulado Galeria Vertical.

 

Sendo a dinamização do espaço e da cidade um objetivo claro da Câmara Municipal do Porto, este intuito manifesta-se e cresce quando se alia e colabora com novas e ambiciosas vozes do panorama artístico local. Neste primeiro projeto, a assinatura é do arquiteto Luís Albuquerque Pinho e do curador Luís Pinto Nunes.



O grande desafio, tanto para os comissários como para os artistas, foi, para além das habituais estruturação e definição de um conceito, a particularidade do próprio espaço. Perante o afastamento do quadro habitual de uma exposição, da estrutura de galeria com paredes brancas e iluminação adequada, surgem dificuldades mas, ao mesmo tempo, libertam-se as regras e os limites da criação e estendem-se as suas possibilidades. Como o curador Luís Pinto Nunes revela, não havendo um circuito definido para a visita, algo habitual nos espaços expositivos, um dos obstáculos "foi o layout da exposição, pois o público pode visitá-la a partir de qualquer um dos sete pisos, consoante o lugar onde estaciona o seu carro". Ao mesmo tempo, a responsabilidade de cada trabalho aumenta, dado que, como o curador explica "qualquer uma das obras teria que ser ‘sólida’ o suficiente para atrair um público tão diverso quanto os habituais utilizadores do parque". Não obstante, e independentemente dessa condição, a liberdade acrescida de produção é verificável nas obras apresentadas, sendo a representação do jardim nem sempre evidente, inclusivamente, em alguns casos, estando camuflada e apenas percetível numa observação e contacto mais profundos por parte do espetador.



Este último caso será o da obra de Pedro Tudela, artista que apresenta uma abordagem principalmente a partir da ideia de construir e implantar uma obra que se relacionasse com as especificidades do espaço envolvente. Identificou como este detém uma lógica e estrutura em camadas, de organização consoante áreas de estacionamento, enquanto lugar múltiplo onde a condição temporal é de passagem, momentânea. Podemos acrescentar que se trata de introduzir um ambiente utópico e, portanto, irreal, num palco que é, também ele, um não-lugar. Surge, assim, uma espécie de jardim que evoca o natural dentro do espaço industrial. Por conseguinte, como o artista indica, construiu "uma peça que destapa e traz para fora materiais que aparentemente e potencialmente estão para dentro da pele do edifício e da sua construção". Pedro Tudela pretendeu que o resultado se afirmasse como um híbrido, cuja forma e movimento evocam e relembram um ramo de vegetação natural, ao mesmo tempo que, ao assumir os materiais industriais que o compõem, se afasta da representação literal de jardim.

 

Quando observados os objetos como um todo, como o conjunto da exposição, desvendam-se diferentes jardins que correspondem a, também distintas, utopias que surgem como reflexo da pluralidade da sociedade atual. Esta multiplicidade é também visível na constante restruturação do comportamento social face às transformações do mundo, em grande parte resultante do desenvolvimento e do domínio das tecnologias. Tal fenómeno terá já sido explicado por Alvin Toffler, em 1970, em Future Shock, através da sua revolucionária e particular visão futurista que é enunciada como segunda referência à conceção da presente exposição.

 

É assim que, por um lado, com motivos e significados profundos, a exposição incentiva a reflexão social e artística da contemporaneidade e, por outro lado, oferece um momento de pausa na acelerada e constante agitação diária da cidade, do mundo e do homem. Como Luís Albuquerque explana, trata-se da libertação da "voraz necessidade de optimização que a realidade contemporânea impõe e que se alia ao conceito de “free time”. Um jardim". Com tal pressuposto e desígnio, há sete Questions of Relief que se mantêm disponíveis para serem pensadas e experienciadas a qualquer hora do dia, até 16 de março.



CONSTANÇA BABO