Links

EXPOSIÇÕES ATUAIS


Fotografia: Miguel Nogueira


Fotografia: Miguel Nogueira


Fotografia: Miguel Nogueira


Fotografia: Miguel Nogueira


Fotografia: Miguel Nogueira


Fotografia: Miguel Nogueira


O artista Carlos Azeredo Mesquita e a sua obra "Radiant City".

Outras exposições actuais:

COLECTIVA

DO IT


FBAUP - Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, Porto
CONSTANÇA BABO

PEDRO CABRAL SANTO

UNFORESEEABLE


Ruínas de Milreu, Faro
MIRIAN TAVARES

VALTER VENTURA

OBSERVATÓRIO DE TANGENTES


MNAC - Museu do Chiado , Lisboa
MARC LENOT

MANUELA MARQUES

MANUELA MARQUES E VERSAILLES A FACE ESCONDIDA DO SOL


Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa
JOANA CONSIGLIERI

FILIPE MARQUES

FEEL IT, NO FEAR. THE FLESH YIELDS AND IS NUMB/TOCA, SEM MEDO. A CARNE É MACIA E NÃO SENTE DOR


Galeria Fernando Santos (Porto), Porto
CONSTANÇA BABO

ÂNGELO DE SOUSA

ÂNGELO DE SOUSA, UN EXPLORATEUR DÉROUTANT


Fundação Calouste Gulbenkian – Delegação em França, Paris
MARC LENOT

PEDRO VAZ

CAMINHO DO OURO - TRILHO DO FACÃO


Kubikgallery, Porto
CONSTANÇA BABO

MARIANA CALÓ E FRANCISCO QUEIMADELA

A TRAMA E O CÍRCULO


Museu da Imagem de Braga,
ALEXANDRA JOÃO

COLECTIVA

FUCKIN´GLOBO III


Hotel Globo, Luanda
ADRIANO MIXINGE

PHILIPPE PARRENO

A TIME COLOURED SPACE


Museu de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto
CONSTANÇA BABO

ARQUIVO:

share |

COLECTIVA

QUOTE/UNQUOTE




GALERIA MUNICIPAL DO PORTO
Palácio de Cristal Rua D. Manuel II
4050-346 Porto

11 MAR - 14 MAI 2017


 

 

Na era dos média, da comunicação de massa e da reprodutibilidade, principalmente imagética, observamos constantemente diversas ações de apropriação. O que as tecnologias e as redes sociais nos permitem, como fazer publicações online e colocar fotografias nossas ou guardar e partilhar as dos outros, conduz a um enorme fluxo e fusão de imagens, palavras, sons e, consequentemente, de relações interpessoais a um nível virtual. Esta ocorrência tem vindo a revelar-se altamente definidora da nossa sociedade e dos comportamentos e, por isso, é importante analisa-la.

A apropriação de elementos foi algo que surgiu na produção artística, nomeadamente com o dadaísmo e o ready-made. De seguida, perante o aparecimento da fotografia, o conceito ganhou novas formas e foi profundamente pensado e discutido. A capacidade desta nova prática de representar e capturar o real foi abordada por Roland Barthes e explorada por Walter Benjamin, que a assinalou como representativa da entrada na era da reprodutibilidade técnica. Artistas como Sherrie Levine utilizaram esta funcionalidade da fotografia para reproduzirem e, assim, se apropriarem de outras obras de arte. Posteriormente, à medida que a fotografia ganhou novas formas e métodos, juntaram-se à reprodução e ao cada vez mais frequente apropriacionismo, o plágio e o declarado remake. Recentemente, o fenómeno da apropriação aumentou por parte dos mass media e da publicidade, resultando numa acelerada propagação de imagens à velocidade da informação e comunicação que as novas tecnologias electrónicas permitem.

Ora, perante o panorama artístico contemporâneo cada vez mais global, plural e elaborado, a apropriação é compreendida de modo abrangente e encontrada em variadíssimas formas e práticas artísticas. E, quando as possibilidades do conceito se alargam, multiplicam-se as suas significações e consequentes interpretações por parte do espetador. Neste mesmo âmbito e intuito de compreender profundamente o conceito e de o trabalhar de acordo com o seu maior potencial, a Galeria Municipal do Porto apresenta Quote/unquote.

Dia 11 de março foi inaugurada a temporada de 2017 da Galeria Municipal do Porto, dando continuidade à série de exposições Perspetivas / Coleção de Arte Fundação EDP que, como o nome indica, trabalha a partir do espólio da instituição, de acordo com perspetivas temáticas. Este projeto da Fundação EDP irá residir de forma permanente na galeria mais pequena do seu novo espaço, o MAAT - Museu de Arte Arquitetura e Tecnologia, recente estrutura expositiva, em Lisboa, de magnitude arquitetural.

A Quote/unquote realiza-se em ocasião única e distingue-se por se tratar de uma coorganização entre a Câmara Municipal do Porto e o MAAT. Sendo esta a primeira colaboração entre as duas entidades, mostra-se com um enorme sucesso conseguido através da curadoria partilhada entre uma das comissárias do museu da EDP, Ana Anacleto, e Gabriela Vaz-Pinheiro, figura determinante no panorama artístico do norte do país. A proposta de convidar uma curadora externa a colaborar com o novo museu será recorrente nas exposições da Fundação EDP. Desta atual parceria nasceu uma organização harmoniosa e simultaneamente dinâmica do espaço, que reflete um particular cuidado tanto em relação aos trabalhos expostos como à sua origem e ao contexto e espaço nos quais estão, agora, inseridos. As obras estendem-se pela galeria de um modo heterogéneo, umas mais evidenciadas, imediatamente perceptíveis e outras apenas desvendadas quando o espetador percorre atentamente o espaço.

Sendo o tema central da exposição o conceito da apropriação, extremamente abrangente e complexo, as curadoras estruturaram uma divisão em três subnúcleos: Arquivo e Quotidiano, Espacialidade e Política e Imagem e Narrativa. O primeiro debruça-se sobre a modernidade e as práticas correntes, o segundo relaciona-se com a geografia e o colonialismo e, por fim, apresenta-se um núcleo que abarca a história da imagem e a sua atualidade.

Partindo de uma inicial seleção de 200 obras, expõem-se 84, datadas dos anos 60 até aos dias de hoje, assinadas por 49 artistas. Pertencentes à coleção da Fundação EDP, apresentam uma narrativa sobre a mesma, sobre o seu crescimento e significado. Perante a dimensão do espólio e de acordo com o tema proposto, as curadoras procuraram identificar as peças que detêm um gesto apropriativo, algo que encontraram sob várias e distintas formas, tanto em pequenos trabalhos como em instalações, fotografias, vídeos ou pinturas.

Da variedade de obras expostas destaca-se uma peça de grandes dimensões de Manuel Rosa (Beja, 1953) que ocupa um dos lugares centrais do espaço. Composta por representações de sinos em vidro pousados por cima de um suporte de carvão vegetal, convida a uma aproximação física e observação atenta, sendo uma das peças que causa maior impacto visual. Podem também referir-se alguns dos mais prestigiados artistas representados como Ângelo de Sousa (Maputo, 1938-2011), António Palolo (Évora, 1946-2000) ou Fernando Calhau (Lisboa, 1948-2002). Mais recentes, no quadro artístico português, surgem nomes de referência como Carlos Azeredo Mesquita (Porto, 1988-) com exemplares da sua série de fotografias Radiant City. Este último é um exemplo da apropriação de objetos de outrem e do quotidiano através da técnica fotográfica.

Paralelamente ao conceito comum que relaciona todas as obras, um outro objetivo foi determinado pelas curadoras. Gabriela Vaz-Pinheiro explica que pretendeu que se sentisse a cor, a imagem e a pintura e que fossem estimuladas diferentes experiências através do despertar de vários níveis sensoriais. A curadora sugere que o público visite a exposição com tempo, predispondo-se a descobri-la e a experienciá-la em todas as suas possibilidades. Para tal, multiplicam-se as linguagens que introduzem novas nuances na exposição e a compõem como multidisciplinar, plural e ambiciosa.

Sendo o tema patente a apropriação na arte portuguesa, é proposto ao espetador que, em certa medida, se aproprie, também ele, das obras expostas e que as prolongue na sua própria interpretação e imaginação. Com a vontade de uma compreensão mais aprofundada sobre a exposição há, todos os sábados, às 16h, a possibilidade de integrar uma visita guiada. Em todo o caso, até dia 14 de Maio, a Quote/unquote assinala-se como uma oportunidade de conhecer a arte nacional perante um ponto de vista contemporâneo, atual e singular, ao mesmo tempo experienciando esteticamente o fruto de novas parcerias entre instituições que se aproximam e fortalecem os laços das duas metrópoles do país.

 

 



CONSTANÇA BABO