Links

EXPOSIÇÕES ATUAIS



Vista da exposição.


Vista da exposição.


Vista da exposição.


Vista da exposição.

Outras exposições actuais:

COLECTIVA

NSK DEL KAPITAL AL CAPITAL. NEUE SLOWENISCHE KUNST. UN HITO DE LA DÉCADA FINAL DE YUGOSLAVIA


Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía, Madrid
ALBERTO MORENO

MARIANA SILVA

OLHO ZOOMÓRFICO/CAMERA TRAP


Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa
BRUNO CARACOL

PEDRO VALDEZ CARDOSO

HISTÓRIA DA VIDA PRIVADA


Galeria 111 (Lisboa), Lisboa
JOANA CONSIGLIERI

ANA HATHERLY

ANA HATHERLY. TERRITÓRIO ANAGRAMÁTICO


Fundação Carmona e Costa, Lisboa
JOANA CONSIGLIERI

ANA HATHERLY

ANA HATHERLY E O BARROCO. NUM JARDIM FEITO DE TINTA


Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa
JOANA CONSIGLIERI

HUGO CANTEGREL

ONE DAY IT WILL ALL MAKE SENSE


FOCO, Lisboa
Catarina Real

COLECTIVA

SÃO PAULO NÃO É UMA CIDADE - INVENÇÕES DO CENTRO


Sesc 24 de Maio, São Paulo
JULIA FLAMINGO

BILL VIOLA

A RETROSPECTIVE


Museo Guggenheim Bilbao, Bilbao
ALEXANDRA JOÃO MARTINS, LUÍS LIMA

GILBERT & GEORGE

THE BEARD PICTURES


Lehmann Maupin, Nova Iorque
SÉRGIO PARREIRA

TIAGO MADALENO

NOVO BANCO REVELAÇÃO 2017


Museu de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto
CATARINA REAL

ARQUIVO:

share |

PEDRO CABRAL SANTO

UNFORESEEABLE




RUÍNAS DE MILREU
Estoi


17 FEV - 19 MAI 2017


 

 

O tempo foi uma das grandes questões filosóficas que Santo Agostinho debateu nas suas Confissões, para quem o tempo quotidiano não apresentava problemas, no entanto quando se debruçava sobre a questão de forma conceptual perguntava-se: “Mas se o presente, para ser tempo, tem necessariamente de passar para o pretérito, como podemos afirmar que ele existe, se a causa da sua existência é a mesma pela qual deixará de existir? Para que digamos que o tempo verdadeiramente existe, porque tende a não ser?” Falar do tempo, de forma conceptual, é absolutamente necessário para que possamos perceber a obra de Pedro Cabral Santo, sobretudo no seu tríptico, cuja última peça é exibida agora nessa exposição.

Unforesseable fala-nos de um tempo imprevisível, mas, simultaneamente previsto por todos aqueles, filósofos ou artistas, que anteciparam com suas inquietações o que vivemos neste preciso instante. Se o tempo não é abarcável nas suas 3 dimensões, passado, presente e futuro, é porque ele é cíclico e funciona em camadas que se sobrepõem: ora aparecem umas, ora aparecem outras. E as obras de Pedro Cabral Santo dizem-nos aquilo que Santo Agostinho não conseguiu traduzir em palavras, ou seja que o tempo não é traduzível, mas sim uma entidade enganadora que parece avançar, mas que permanece. Ideia muito bem traduzida no relógio de parede que marca uma hora exata de um tempo preciso e que já não se move. O tempo, marcado pelo relógio, é o da revolução. E o tempo que a obra do artista se propõe mostrar é o da revolução permanente que a arte deve buscar como única forma de se servir a si mesma e ao seu próprio tempo.

Um tríptico, originalmente, é um quadro composto de 3 pinturas que tratam um só tema, como se de apenas um quadro se tratasse. As 3 exposições que fecham agora o seu ciclo, de formas diferentes, falam do mesmo, porque a obra do artista é coerente nos seus múltiplos formatos e dispositivos. Toda ela é feita para refletir sobre o seu tempo, que também é história. Pois como afirmou Joseph Beuys, a propósito de se ser artista na contemporaneidade, “A arte deixa de pertencer a um indivíduo e passa a ser parte da humanidade como um todo.” E é sobre a humanidade, e os seus atos, dentro de um tempo específico, mas que sofre da doença do eterno retorno, que as obras desta exposição se debruçam.



MIRIAN TAVARES