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DO IT




FBAUP - FACULDADE DE BELAS ARTES DA UNIVERSIDADE DO PORTO
Av. Rodrigues de Freitas, 265
4049-021 Porto

24 MAR - 23 JUN 2017


 


A efemeridade da obra de arte pode ser suplantada por uma renovação da mesma. A inserção num novo contexto e a interação com um novo espetador fazem com que um mesmo objeto renasça, volte a viver, a pulsar.

Giorgio Agamben, no ensaio O que é o Contemporâneo? (2008), defende que o termo atual se alterou e é agora compreendido como o cruzar entre os vários tempos: o que foi, o que é e o que será. Explica que a relação entre passado e presente é inevitável, pois o segundo carrega consigo algo que reenvia para o primeiro. De um mesmo modo, a nova geração vai ter um entendimento e, em certa medida, uma dependência da anterior e a necessidade de um saber histórico. Em relação à arte, Agamben entende que esta já não é apenas uma tradição ou uma influência do que já foi feito, mas sim um prolongamento que se altera, ganhando uma forma própria e perspetivando-se no futuro.

Também Georges Didi-Huberman trabalha esta ligação entre tempos e anuncia a possibilidade de resgatarmos obras anteriores a nós, para novas interpretações, e conseguirmos, deste modo, inseri-las no agora. Assim, compreendemos que as obras de arte não se relacionam somente com o contexto social e cultural onde foram criadas e podem reemergir noutro tempo.

Ora, quando são apresentados remakes ou reinterpretações de obras ou exposições passadas, podemos encontrar oportunidades de observar sob novas perspetivas os mesmos objetos e assuntos. Paralelamente, quando há uma deslocação espacial de uma exposição que é exibida a novos públicos, também as possibilidades de recepção e interpretação desta se expandem. Um exemplo ideal é a exposição do it, à qual lhe é ainda acrescido um imenso e particular valor pela sua autoria e curadoria serem assinadas por Hans Ulrich Obrist, incontornável curador, crítico e historiador.

Do it apresenta-se como uma exposição itinerante que se move por cidades, países e tempos distintos. O seu ponto de partida foi traçado em 1993, em Paris, durante uma conversa entre Hans Ulrich Obrist e os reconhecidos artistas Christian Boltanski e Bertrand Lavier. Perante a necessidade de novos movimentos nas artes, os três decidiram, nesse momento, procurar a concretização de uma exposição open-ended. Este conceito relaciona-se com o que anteriormente se referiu e está de acordo com a ideia de que o fim de uma exposição apenas significa o termino de determinada interpretação e compreensão de um objeto, anunciando-se uma seguinte e distinta experiência a partir do mesmo. Para tal, verificou-se ser necessário um modelo de exposição e de obras particularmente flexível.

Hoje, sabemos que o conceito é parte fundamental de uma obra de arte e determinante no que esta significa e transporta para o seu espetador. Sendo, habitualmente, o ponto de partida na produção artística, é através do conceito que se determina a forma e a estrutura física de uma peça. A sua importância foi totalmente reconhecida quando se afirmou a arte conceptual, reforçando a ideia que o conceito, da ordem do intelecto e não do visual, é o que distingue qualquer objeto de todos os outros que não estão inseridos na esfera artística. Como exemplo, é sempre apropriado e relevante referir Joseph Kosuth e a sua cadeira em One and Three Chairs (1965).

Podemos, assim, compreender que o que não pode ser alterado numa obra de arte é o seu conceito. É este que lhe dá significado, que compõe o seu conteúdo e a sua natureza. A forma, porém, é passível de ser ajustada a novos contextos, refeita e reinterpretada, desde que com o acordo do seu autor. Esta é uma recente possibilidade que se assume na compreensão mais contemporânea do que é a arte e, por isso, mais plural e alargada. E é precisamente aí que surge a obra que atravessa contextos, pessoas e tempos distintos.

A partir da ideia base com que um autor construiu uma determinada obra, um outro artista poderá apropriar-se dela e reinterpretá-la. Como é mencionado pelo grupo ICI - Independent Curators Internacional, organização da do it, não há duas versões idênticas das mesmas instruções, ou seja, dos mesmos conceitos. Hans Ulrich Obrist pretendeu testar isso mesmo e, para tal, convidou doze artistas a enviarem, num livro, indicações traduzidas em nove línguas distintas para circularem internacionalmente. Vinte anos após a primeira exposição, a do it já contava com 50 localizações, incluindo Dinamarca, França, Alemanha, Eslovénia, Ungria e destinos mais longínquos como Austrália, China, Tailândia, México ou Costa Rica.

Agora, é-nos apresentada a última versão desta exposição, no pavilhão de exposições da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto. Tal como em cada edição da do it, o espaço tem um papel crucial, tornando-se a obra site-specific. O projeto, desta vez, torna-se particularmente desafiante por ser executado por estudantes da universidade e jovens artistas, potenciando o desenvolvimento prático, teórico, académico e, acima de tudo, criativo. De entre as obras que compõem esta exposição contam-se performances, que consiste numa prática artística na qual é particularmente interessante observar como pode ser refeita. Destaco, como exemplo, a apresentada pelos artistas Paulo Aureliano da Mata e Tales Frey (img.4 e 5), ambos brasileiros e antigos alunos da FBAUP, que trazem dinamismo e troca cultural a esta nova do it. Interpretam uma performance do prestigiado artista Erwin Wurm, através das suas instruções (img.6), movendo-se, no chão, numa circunscrita área do pavilhão, de um modo muito particular e simultaneamente equilibrado. Através desta ação, acentuada por se tratarem de duas pessoas, os corpos revelam-se em formas pouco habituais, causando uma certa estranheza agradável de observar, algo já recorrente nos trabalhos de Wurm. Também Rebecca Moradalizadeh (img.7 e 8), licenciada e mestre pela FBAUP, faz uma Instruction de Joan Jonas, cujas indicações se restringiam a "dançar com um pedaço grande de giz, traçando sobre a superfície mais próxima a si e prestando atenção aos movimentos dos seus pés".

No texto de parede da exposição, fornecido pelo ICI, é referido que a do it dá "um novo significado ao conceito de exposição em processo". Este ato processual é, assim, uma continuação do processo criativo quando estendido e alargado temporal e espacialmente, adquirindo novas faces e significados e tornando-se cada vez mais singular. Para colocar esta ideia em prática, a organização suporta-se e revê-se na ação de outros percursores deste arrojado modelo expositivo tais como o grupo Fluxus e o grande artista Marcel Duchamp. Quanto a este último, referem-se, na página de apresentação do ICI [1], as suas palavras sobre arte, entendendo-a como "um jogo entre todas as pessoas e todas as épocas". Ora, desta vez, o público é todo aquele que, entre 24 de março e 23 de junho, aceitar o convite a presenciar e participar em mais um momento único da especial do it.

 

 

 

Constança Babo


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Notas

[1] Mais informações em http://curatorsintl.org/special-projects/do-it



CONSTANÇA BABO