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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Fotografia: Filipe Braga


Fotografia: Filipe Braga


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COLECTIVA

DA COLEÇÃO EM CHAVES: CORPO, ABSTRAÇÃO E LINGUAGEM NA ARTE PORTUGUESA: OBRAS EM DEPÓSITO DA SECRETARIA DE ESTADO DA CULTURA NA COLEÇÃO DE SERRALVES




MUSEU DE ARTE CONTEMPORÂNEA NADIR AFONSO
Av. 5 de Outubro nº 10
5400-017 Chaves

28 ABR - 15 OUT 2017



A arquitetura de Álvaro Siza prova, uma vez mais, funcionar como ambiente propício à criação artística e curatorial. O edifício projetado para acolher o Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso, em Chaves, é um espaço que dialoga ativamente com a arte que nele se instala, proporcionando uma experiência estética muito própria. Ora, sendo a coleção permanente do museu assinada pelo falecido grande artista português Nadir Afonso, torna-se necessário que as restantes obras, temporariamente expostas, sejam de equivalente valor estético. Tal é, sem dúvida, o caso das peças pertencentes à Coleção da Secretaria de Estado da Cultura, depositadas no acervo do Museu de Arte Contemporânea de Serralves, da autoria de alguns dos mais emblemáticos artistas do país.

Assim foi concebida uma exposição que se anuncia, na entrada do museu, com a instalação do Mapa Mundi de Nikia Skapinakis. Como diria o próprio artista, o trabalho apresenta-se com uma técnica sensível, onde se reúnem e cruzam sensibilidades, conhecimentos e histórias. Detendo de uma energia forte e singular, o trabalho constrói um diálogo com a escultura disposta em frente, de José de Guimarães, e o quadro ao lado, de Álvaro Lapa. Também próximo da obra de Skapinakis, revela-se o título da exposição: Corpo, Abstração e Linguagem na Arte Portuguesa: obras em depósito da Secretaria de Estado da Cultura na Coleção de Serralves. O tema anunciado, sendo abrangente, possibilita abarcar uma grande e heterógena variedade de trabalhos e artistas. Como a curadora Marta Moreira de Almeida explica, tratam-se de "obras que nos abrem a história da arte portuguesa".

Das 4300 obras que compõem hoje a coleção de Serralves, 500 pertencem à SEC e foram adquiridas a partir de 1989. Dessas iniciais que, em certa medida, podem ser compreendidas como o embrião do museu, a partir do qual ele se estabeleceu e começou a crescer, foram escolhidas trinta. Deste modo, a presente exposição revela-se como uma rara oportunidade para descobrir o ponto de partida e percurso do que hoje conhecemos como o Museu de Arte Contemporânea de Serralves. Por conseguinte, desenha-se um marco particularmente especial, como explicou à imprensa a presidente Ana Pinho.

Quanto à seleção que nos é trazida ao Museu Nadir Afonso, esta foi determinada de acordo com a aproximação às temáticas que o título anuncia, traçando uma linha de unidade entre as peças. Procurou-se que fossem criadas narrativas, obra após obra e artista após artista. Uma primeira realidade comum a todas as obras, que lhes está inerente desde o momento de criação, é o facto de representarem os diálogos estabelecidos entre artistas portugueses e entre estes e a restante produção artística internacional, na época do pós-guerra. Hoje é mostrado o terreno comum que, nessa altura, foi criado através da pintura e da escultura, entre os artistas que estiveram presos, como Júlio Pomar, os que se exilaram, caso de Jorge Martins, e os que tiveram a possibilidade de ir estudar para o estrangeiro, como Lourdes Castro, Ângelo de Sousa e Eduardo Batarda.

O texto da folha de sala foi composto por uma ordem cronológica, contudo, esta não foi implementada na montagem da exposição pelos comissários, ambos de Serralves, Marta Almeida e Ricardo Nicolau. Para além das obras datarem todas das décadas de 60, 70 e 80, os curadores deixaram-se, unicamente, guiar pela experiência proporcionada por cada peça, pelo seu significado e possível interpretação, frequentemente considerados como mais intrínsecos em toda a obra de arte do que a data que lhe está associada. Deste modo, a leitura do conjunto dos trabalhos resultou de forma mais sequencial, fluída e harmoniosa.

A curadora explica que "nesta exposição não há fronteiras" e, assim, a prática artística ou o material de produção não são condicionantes. Como tal, encontramos uma grande variedade de conceitos e formas que, apesar disso, se anunciam equilibradamente uns a seguir aos outros, ao longo de duas salas. As obras, todas de autorias distintas, exceptuando o caso de Álvaro Lapa e Manuel Batista, cada um representado por dois trabalhos, contrastam e dialogam com o que as rodeia, com o trabalho anterior e com o seguinte. Por exemplo, na primeira sala, há uma dança entre a abstração do trabalho de Fernando Lanhas e a figuração de Paula Rego. As restantes paredes cobrem-se de pinturas e a área central é ocupada por duas esculturas de José Pedro Croft que se assumem de forma surpreendente, mas nem por isso inusitada.

No seguinte espaço, o olhar é retido pela grande peça que se impõe e ocupa uma posição central, com o título 18 citações tiradas de "A memória do corpo sobre a terra" (1985-86), de Alberto Carneiro. Trata-se de mais um belíssimo exemplar da conceituada obra do artista português, à qual foi dada o destaque certamente merecido e, por sinal, particularmente simbólico, passado pouco tempo sobre o falecimento deste brilhante artista que quer os seus contemporâneos, como o país e a arte lamentavelmente perderam.

Em torno da obra de Carneiro, e de acordo com a estrutura de toda a exposição, como um corpo, a segunda sala desenha-se e nasce através das pontas e arestas de madeira de tola, numa continuação do movimento e ímpeto de agir. A escultura estende-se e, como uma continuidade das formas que o artista projetou, outras peças constroem a sua envolvência, fazendo-lhe a devida justiça ao nível da qualidade plástica. Encontramos pinturas expressionistas, intensas e com movimento, e, também a realçar, um trabalho de Julião Sarmento, parte do seu regresso à pintura, através de uma forma meia fragmentada.

A partir da saída de ambas as salas há um vislumbre da exposição de Nadir Afonso, também ele um dos artistas mais icónicos da arte contemporânea nacional. O seu trabalho ergue-se, aqui, como uma sólida continuação e conclusão da visita à mostra que celebra, de forma tão bem concebida, o inicio da arte contemporânea portuguesa.

Na apresentação da exposição itinerante, no dia 28 de abril, António Cabeleira, presidente da Câmara de Chaves, distinguiu o Museu de Serralves como "o melhor do país", justificando o seu contentamento pela parceria instituída e pelo apoio na programação da grande aposta e investimento em que consiste o Museu Nadir Afonso. Na mesma ocasião, Ana Pinho também reconheceu que este é um passo acertado para Serralves, contribuindo para o objetivo de levar a arte contemporânea da instituição para mais longe, fora de portas. Poderá dizer-se que este contributo para a descentralização das exposições no país vem a par do que os próprios artistas presentemente exibidos procuraram: abolir fronteiras entre a cultura mais erudita e a popular. Por conseguinte, assume-se a importância de visitar esta exposição itinerante, patente até dia 15 de outubro.

 

 



CONSTANÇA BABO