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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Vista exposição. Fotografia: Alice Vasconcelos


Vista exposição. Fotografia: Alice Vasconcelos


Sem título, da série Terra incógnita, 2016. Acrílico sobre papel. 160 x 120 cm. Fotografia José Manuel Costa Alves


Sem título, da série No vazio da Onda, 2014. Acrílico sobre papel. 23 x 31 cm. Fotografia José Manuel Costa Alves


Sem título, da série No vazio da Onda, 2014. Acrílico sobre papel, 23 x 31 cm Fotografia José Manuel Costa Alves

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INEZ TEIXEIRA

TERRA INCÓGNITA




FUNDAÇÃO PORTUGUESA DAS COMUNICAÇÕES
Museu das Comunicações Rua do Instituto Industrial, 16
1200-225 Lisboa

31 MAR - 13 MAI 2017


Pinturas abstractas nas quais admiramos a estrutura, formas e cores, mas que provocam uma sensação de distância e frieza. Outras, e é o caso das grandes composições em papel de Inez Teixeira, onde sem reconhecermos qualquer forma, nos projectamos, entramos na imagem, quer recuemos quer nos aproximemos bem perto. Porém mais não são do que arrastamentos de escuridão, formas fluídas que se voltam a cobrir, volumes aquosos ou nebulosos, mas a imaginação tenta sempre prender-se a formas conhecíveis, vistas aéreas ou endoscópicas, escalas impossíveis de compreender.

Não obstante, estes fluxos de matéria escura, estas massas e estas gotas, fora de toda a representação, oferecem um suporte ao imaginário, uma abertura aos sonhos. Guardando a sua pureza abstracta, prestam-se a interpretações mas não é senão uma suposição na qual não se pode confiar.

A exposição chama-se Terra Incógnita, essas zonas de mapas antigos que por vezes ficavam em branco, mas que também por vezes eram povoados de fantasias animais, vegetais ou minerais do cartógrafo. Mas parece-me que é preciso ir mais longe, e que estamos aqui mesmo antes da própria terra, que estamos nos primeiros versículos do Génesis, quando a terra era vazia e indefinida e que as trevas cobriam o abismo. Estamos entre o cosmos infinito e a água insondável, e nunca estas terras desconhecidas serão descobertas, nenhum mapa nos irá guiar nesta escuridão ( e sem dúvida que não é inocente que a artista cite John Milton de entre as suas inspirações).

Estas obras são «snapshots», de uma transformação permanente, recusam-se a qualquer definição definitiva, mostram a imensidão dos fractais e a fluidez dos escoamentos, não têm fronteiras, ou antes aquelas que a artista lhes dá inscrevendo-as numa moldura, em papel são artificiais. Porquê cortar aqui e não ali, porquê emoldurar assim e não de outra forma: adivinhamos bem que estes desenhos não são senão partes de um todo imenso, ilimitado, do qual a artista nos oferece este ou aquele pequeno pedaço. Mais ainda do que outros trabalhos a tinta (os de Victor Hugo por exemplo), penso nos Equivalents de Stieglitz, fotografias de nuvens que não têm nem cima nem baixo, nem direita nem esquerda e que não são senão enquadramentos do céu, como os papéis de Inez Teixeira não são senão enquadramentos de um mistério ainda mais profundo, ainda mais distante da realidade concreta (e a artista já trabalhou com a classificação das nuvens).

Além destas dez grandes composições, duas pequenas séries nesta exposição, uma em volta do crânio, e a outra, No vazio da onda, uma vintena de pequenos desenhos fluídos, aquosos, onde as gotas parecem emergir das profundezas do papel, como instantâneos rápidos, fotogramas ao longo dos quais nos passeamos, reconstituindo o seu encadeamento.

 



MARC LENOT