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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Vista da exposição. Fotografia: André Cepeda


Vista da exposição. Fotografia: André Cepeda


Vista da exposição. Fotografia: André Cepeda


Vista da exposição. Fotografia: André Cepeda


Vista da exposição. Fotografia: André Cepeda


Horse Head (2015). Fotografia: André Cepeda


Camera Inside Camera (2012). Fotografia: André Cepeda


The Soup (2009). Fotografia: André Cepeda

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ARQUIVO:

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JOÃO MARIA GUSMÃO E PEDRO PAIVA

OS ANIMAIS QUE AO LONGE PARECEM MOSCAS




OLIVA NÚCLEO DE ARTE
Oliva Creative Factory Rua da Fundição, 240
3700-119 S. João da Madeira

25 MAR - 30 JUL 2017


 

Uma das galerias do Núcleo de Arte da Oliva, antiga fábrica metalúrgica em São João da Madeira, recebeu recentemente uma dupla força artística, conceptual e teórica, pelas mãos de João Maria Gusmão (Lisboa, 1979) e Pedro Paiva (Lisboa, 1977). Os dois artistas portugueses, internacionalmente conceituados, instalaram-se no espaço com obras novas, arquivos de passadas e objetos que atravessam todo o percurso das suas criações artísticas.

 

Conhecidos pelos vídeos de 16mm, João Pedro Gusmão e Pedro Paiva constroem curtas narrativas sem som que exploram a relação e a convivência entre as áreas da arte e da ciência. Ao mesmo tempo, elaboram um trabalho e uma complexa pesquisa sobre o terreno que se encontra entre essas duas esferas e onde residem os domínios da realidade e da ficção. Daí partem todos os projetos da dupla de artistas, por vezes explorados em diferentes técnicas, como a fotografia, outro processo de registo, ou sob formas mais plásticas.

 

Com o singular título Os animais que ao longe parecem moscas, a recente exposição pode ser compreendida como uma continuação ou uma nova experiência da que os artistas realizaram nas minas de sal-gema de Loulé, em 2008. Esse primeiro momento foi composto pela instalação, no ambiente mineiro, de vários objetos e artefactos, que constituíram adereços utilizados nos filmes produzidos pela dupla desde 2001.

 

Nove anos depois, João Maria Gusmão e Pedro Paiva revisitam a obra realizada nas minas, com o intuito de a alargarem e densificarem tanto conceptual como formalmente. Assim, desta vez e mediante as possibilidades que o espaço da Casa da Arte da Oliva fornece, a seleção de objetos é maior e a ela são acrescentados novos elementos de várias práticas artísticas, tais como esculturas cinéticas, projeções e uma câmara escura. Mesmo as peças que se repetem renovam-se, visto que, quando expostas neste novo formato e neste contexto expositivo bruto e fabril, são apreendidas e interpretadas de um novo modo. A percepção dos objetos é, agora, mais intensa e direcionada ao nível da própria criação artística e molda-se de acordo com a curadoria a que eles estão sujeitos.

 

A mostra conta com mais de quatro dezenas de peças e resulta do comissariado dos próprios artistas, convidados por José Lima, dono de parte da coleção que compõe o acervo da instituição. A galeria sofreu uma total reestruturação, desde paredes derrubadas a novos segmentos construídos, transformando o habitual white cube numa inesperada e interessante área de chão, tecto e paredes cinzentos. Surge uma proposta de curadoria inovadora, dinâmica e desafiante para o público.

 

Foi assim que, dia 25 de março, ergueram-se quatro palcos com ambientes muito distintos entre si, cada um exercendo a sua própria sinergia com o que os rodeia e com a galeria em que estão inseridos. Os espaços distinguem-se pelo conjunto de objetos que comportam, alguns interligados, pertencentes aos mesmos filmes, outros que agora se relacionam, pela primeira vez, nesta ocasião. Ora, na medida em que nenhum dos trabalhos de vídeo é inédito, a forma como os seus elementos se encontram dispostos e relacionados é, ela sim, uma estreia. As zonas são intercaladas por quatro projeções selecionadas pelos autores, duas esculturas azuis e uma câmara escura, visível na parte de trás de um dos palcos, às quais ainda se acrescentam uma pequena peça entre o desenho e a colagem. Não tendo sido aplicada uma ordem cronológica, entre a peculiaridade das obras expostas, há uma determinada linha de estilo e um claro pensamento e significado que as une. Essa força conceptual é característica destes artistas, sendo também visível através da estética do conjunto e da apreensão e experiência do trabalho como um todo expositivo.

 

Destaca-se, no centro da galeria, a representação cinética de uma mosca em ação que, inicialmente parecendo real, nos interpela e surpreende, pondo em causa o que é a realidade e o natural e o que são de facto criações científicas e humanas. Esse pequeno elemento animal que, apesar de relacionado com o título da exposição, surge de forma inusitada, é fruto do humor tão característico dos dois artistas que os acompanha ao longo de toda a sua criação.

 

João Maria Gusmão e Pedro Paiva são apreciadores de múltiplas formas visuais e, por isso, procuram a variedade e o dinamismo da experiência artística, tanto para si mesmos como para o espetador. Esse é um valor que encontraram em comum enquanto frequentavam a licenciatura de Pintura da Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa. Foi ainda como colegas, no terceiro ano, que começaram a trabalhar em conjunto, oficializando posteriormente uma parceria criativa.

 

Em 2005, a dupla foi vencedora na 5ª edição do Prémio Novos Artistas da EDP, seguindo-se outras ocasiões honrosas tais como participações na Manifesta 7 (2008) e nas bienais de São Paulo (2006), do Mercosul (2007), de Gwangju (2010) e de Veneza (2009), esta última tendo sido a primeira ocasião em que representaram Portugal e onde, anos mais tarde, na 55ª edição (2013), integraram a mostra internacional.

 

A atual exposição é a maior que a dupla de artistas já realizou no país e assume-se também como um importante passo para o Centro da Arte de São João da Madeira, dinamizando a programação artística da instituição e contribuindo para a descentralização da arte contemporânea das grandes metrópoles. Esta circunstância é particularmente atual no nosso país e, assim, estas propostas tornam-se especialmente importantes e cativantes.

 

O que João Maria Gusmão e Pedro Paiva agora nos propõem, contrasta com as duas exposições presentemente patentes no edifício, uma no mesmo piso e outra no superior, ambas de arte bruta. Em visita, verificamos como a distinta criação contemporânea dos dois artistas transita para uma alteração de lógica, pensamento e perspetiva perante a linguagem particularmente naif e despretenciosa de tudo o que ocupa as restantes galerias, sendo esta uma característica curiosa que desencadeia uma experiência invulgar, que deverá e poderá ser vivida até dia 30 de julho.

 



CONSTANÇA BABO