Links

EXPOSIÇÕES ATUAIS


Vista da exposição. Fotografia: Sérgio Parreira.


Vista da exposição. Fotografia: Sérgio Parreira.


Vista da exposição. Fotografia: Sérgio Parreira.


Vista da exposição. Fotografia: Sérgio Parreira.


Vista da exposição. Fotografia: Sérgio Parreira.


Vista da exposição. Fotografia: Sérgio Parreira.


Vista da exposição. Fotografia: Sérgio Parreira.

Outras exposições actuais:

THIAGO MARTINS DE MELO

BÁRBARA BALACLAVA


Maus Hábitos - Espaço de Intervenção Cultural, Porto
CONSTANÇA BABO

COLECTIVA

LUGARES DO DELÍRIO


Sesc Pompeia, São Paulo
JULIA FLAMINGO

ÂNGELA FERREIRA E FERNANDO JOSÉ PEREIRA

CONTRATO (A TEMPO INDETERMINADO)


Museu Internacional de Escultura Contemporânea, Santo Tirso
LUÍS RIBEIRO

DAVID HOCKNEY

SOMETHING NEW IN PAINTING (AND PHOTOGRAPHY) [AND EVEN PRINTING]


Pace Gallery - 25th Street NY, Nova Iorque
SÉRGIO PARREIRA

YONAMINE

N’GOLA CINE


JAHMEK CONTEMPORARY ART, Luanda
ADRIANO MIXINGE

SARA BICHÃO

ENCONTRA-ME, MATO-TE


Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa
MARC LENOT

VASCO ARAÚJO

LA MORTE DEL DESIDERIO


Galeria Francisco Fino, Lisboa
WILSON LEDO

HENRIQUE VIEIRA RIBEIRO

NO PRINCÍPIO


quARTel da Arte Contemporânea de Abrantes, coleção Figueiredo Ribeiro, Abrantes
MARC LENOT

TITO MOURAZ

FLUVIAL


Módulo – Centro Difusor de Arte (Lisboa), Lisboa
JOANA CONSIGLIERI

COLECTIVA

GERMINAL


Galeria Municipal do Porto, Porto
CONSTANÇA BABO

ARQUIVO:


GILBERT & GEORGE

THE BEARD PICTURES




LEHMANN MAUPIN
536 W 22nd Street & 201 Chrystie Street
NY

12 OUT - 22 DEZ 2017

CÓDIGO BARBA

 

Não é muito vasto o número de artistas que podemos enumerar que se juntaram no matrimónio e igualmente na carreira artística, tornando ambas as uniões em acontecimentos de sucesso. Podem-se destacar Marina Abramovic e Ulay, Diego Rivera e Frida Kahlo, Pablo Picasso e Françoise Gilot, Man Ray e Lee Miller, e evidentemente Gilbert Proesch e George Passmore. Todos estes casais, de alguma forma alimentaram a sua produção artística da existência e interação com o seu parceiro, nuns casos mais denotados do que outros, mas no que respeita a Gilbert & George essa corelação, interligação, e presença constante situacional transformou-se numa intensa produção artística.

Com diferentes nacionalidades, Gilbert, Italiano e George. Britânico, conheceram-se a 25 de Setembro de 1967 enquanto ambos estudavam escultura na Saint Martin´s School of Art, e segundo George, isto aconteceu pois ele era o único que entendia o medíocre Inglês de Gilbert. Pouco tempo depois decidiram juntar-se e criar uma entidade artística única que perdura até hoje.

A exposição que vi recentemente destes artistas em Nova Iorque na galeria Lehmann Maupin (lehmannmaupin.com), com uma exibição simultânea em Paris (Galerie Thaddaeus Ropac, ropac.net), é representativa da genialidade de Gilbert & George, e uma vez mais certifica e patenteia uma assinatura formal à qual nos foram habituando, que raramente desaponta, e que manifesta uma coerência invulgar naquilo que poderíamos designar de uma fórmula visual de indubitável êxito e mestria.

Eu diria que vejo centenas de obras de arte contemporânea mensalmente; percorro eventualmente uma média de 10 galerias por semana, e curiosamente, ou raramente me encontro perante uma experiência que eu posso considerar extasiante. Quando isso acontece, tenho necessariamente que pausar, e tentar perceber e entender as razões, embora esse exercício possa ser ingrato quando articulado à exaustão, aniquilando eventualmente o impacto da experiência do usufruto da obra de arte, que creio todos nós um pouco expectamos que se aproxime do sublime.

Esta nova série de obras de Gilbert & George intitulada The Beard Pictures, e que celebra 50 anos de criação dos padrinhos da Brit-art, capta de imediato a nossa atenção e acuidade visual, pelas suas intensas cores e dimensões. Todas as obras/imagens tem mais de um metro de largo e altura, e outras mais de três metros de largo e dois de altura, o que faz com que estas representações nos absorvam por completo. O espaço da galeria transforma-se num ambíguo habitat pictórico de cor, em que figuras embarbadas se repetem em diferentes cenografias e short film stories, aludindo simultaneamente ao universo da banda desenhada satírica ao género cartoonístico.

Nos meandros da simbologia ficcional, Gilbert & George, nomeiam todas as obras com um imaginário non-sense dadaísta, Beard Alarm, Beard Alert, Beard Attack, Beard Aware, Beard Beers, Beard Code, Beard Cross, Beard Front, Beard Green alarms, Beard Garden, e por aí fora. Outro elemento comum a todas as obras é o arame farpado, que numas imagens mais do que outras transforma os abarbados Gilbert & George em alegóricos prisioneiros das suas criações. Há inúmeras conotações possíveis nestas obras, mas seguramente podem identificar-se referências bélicas ao terrorismo, à exclusão e separação, à guerra e insegurança, ao próprio new status do Reino Unido e o Brexit, e naturalmente a mundificação e banalização da imagem masculina do homem com barba, que o duo parodia personificando a barba como máscara do género másculo.

Cinquenta anos atrás vivíamos numa lógica do formalismo e do minimal, em que o artista não considerava sequer enquanto individuo e personalidade, incorporar as suas criações artísticas. Gilbert & George foram pioneiros ao se posicionarem no espaço de contemplação do objeto artístico, sendo também essa a sua mais significativa revolução, a identidade pessoal enquanto objeto de arte.

The Beard Pictures são uma experiência única de sabedoria estética e artística de um duo que ao ser questionado se alguma vez usou barba, simplesmente respondeu: Certainly not! What do you think we are, normal or something!? (Seguramente que não! Que pensa que somos, normais ou algo semelhante!?).

 

Sergio Parreira
@artloverdiscourse
 

 



SÉRGIO PARREIRA