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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Slowly Turning Narrative, 1992. Instalação vídeo.


The Veiling, 1995. Instalação vídeo.


Catherine’s Room, 2001. Vídeo poliptico em 5 LCDs na parede.


Four Hands, 2001. Vídeo poliptico em 4 LCDs numa prateleira.


Going Forth By Day, 2002. Instalação vídeo. Ciclo de projecção em 5 partes.


Man Searching for Immortality/Woman Searching for Eternity, 2013. Instalação vídeo.


Inverted Birth, 2014. Instalação vídeo.

Outras exposições actuais:

5ª EDIÇÃO

FUCKIN` GLOBO 2018


Hotel Globo, Luanda
ADRIANO MIXINGE

COLECTIVA

BIENAL DE SÃO PAULO


Bienal de São Paulo, São Paulo
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A COLECÇÃO PINTO DA FONSECA

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GRIS, VIDE, CRIS


Fundação Calouste Gulbenkian – Delegação em França, Paris
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PATRÍCIA SERRÃO

WELTSCHMERZ


CECAL – Centro de Experimentação e Criação Artística de Loulé, Loulé
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MARCELO BRODSKY. 1968: O FOGO DAS IDEIAS


Museu Coleção Berardo, Lisboa
MARC LENOT

ROBERT MAPPLETHORPE

ROBERT MAPPLETHORPE: PICTURES


Museu de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto
CONSTANÇA BABO

CATARINA LOPES VICENTE

DESENHOS


Teatro da Politécnica - Artistas Unidos, Lisboa
CATARINA REAL

COLECTIVA

AFRICAN PASSIONS


Palácio Cadaval, Évora
MARIA LUÍSA FERRÃO

EDUARDO FONSECA E SILVA E FRANCISCA VALADOR

SUBTERRÂNEO


Museu Geológico - LNEG , Lisboa
CATARINA REAL

ARQUIVO:


BILL VIOLA

A RETROSPECTIVE




MUSEO GUGGENHEIM BILBAO
Avenida Abandoibarra 2
Bilbao 48001, España

30 JUN - 09 NOV 2017

FIGURAS DE UM ESTILO

 

O Guggenheim Bilbao recebe, até 9 de Novembro, uma retrospectiva de Bill Viola, artista italo-americano e um dos pioneiros da videoarte. De obras concebidas na década de 1970 até às dos últimos anos, um vasto e heterogéneo conjunto de trabalhos pode ser encontrado no segundo piso do icónico museu projectado por Frank Gehry.

“Sculpting with time” [1]: eis a resposta de Viola a Raymond Bellour sobre a sua técnica de trabalho em The Reflecting Pool (1977-1979), patente nesta exposição, numa longa entrevista realizada em 1985. Diferente, mas não totalmente oposto ao “sculpting in time”, proposto por Tarkovsky, o artista defende o esculpir das imagens através da coalescência de três tempos, com tempo e com o tempo: o tempo real (que remete para o chronos grego), o still (do corpo suspenso mas também da câmara, sempre fixa, que lembra a ideia de kairos) e o time-lapse (que podemos associar ao aïon). Viola recorre ainda ao ralenti para materializar o tempo, nomeadamente nos famosos quadros vivos que reencenam clássicos renascentistas, como The Greeting. Aqui, o acontecimento simbólico, iconográfico, é suplantado pela corporeidade dos gestos, postos em evidência pelo abrandamento drástico de todo e cada movimento.

A mesma técnica é utilizada nos vídeos combinados na multi-projecção (visual e sonora) Going Forth by Day, de tal forma investidos dessa força que Jacques Rancière relata a sua experiência descrevendo a flutuação ou levitação dos peregrinos que atravessam a floresta em The Path e cujos pés nem chegam a tocar no solo [2]. Numa atmosfera e numa linguagem que em muito se acercam do cinema (experimental, designadamente), e até do seu dispositivo convencional de exibição, Viola apresenta o ciclo da vida em cinco vídeos (ou serão “frescos cinemáticos”, como lhes chama o próprio artista, e cujo caso mais evidente é o de The Voyage, uma alusão a Hopper) e cinco micro-narrativas projectadas simultânea e sincronizadamente.

Sem metáforas, nem pleonasmos, sem metonímias ou eufemismos, a figura do estilo de Viola em Going Forth by Day será a parataxe [3]. Uma grande parataxe, para voltarmos a Rancière, que faz circular a frase-imagem, justaposição de imagens sem relação entre si, mas que, juntas, proporcionam novos significados relativos. Esta frase-imagem propõe, assim, uma medida invertida da construção estética comum, que se encontra regulada pela relação de controlo da palavra dirigente (função-frase, como produtora de sentido, nexo, consensual) sobre a imagem que a serve (função-imagem, potência disruptiva, fragmentadora e esquizofrénica), do encadeamento lógico sobre o caos. Ao invés, a «frase-imagem» remete para uma parataxe visual. Por entre o sentido estabelecido da frase-imagem que lemos no movimento dos ponteiros do relógio induzido pela caminhada unívoca de Going Forth by Day, irrompem sucessivamente imagens-corte – quer pelo próprio dispositivo paratático da multi-projecção, quer pelos acontecimentos aí dados a ver: o dilúvio, a partida, a viagem, a ressurreição – que convocam o espectador.

Inversão da lógica de poder convencional entre a frase e a imagem, inversão que não resgata a ordem da vida e da morte, antes a apresenta, de modo ostensivo e quase opressivo, sem desejo de transcendência ou busca de sublime. Assim surge uma reflexão que acaba por se aproximar de um movimento dialéctico, como Eros e Tanatos, já que há toda uma estética do desejo que assenta na tensão entre estes dois pólos e não na salvação etérea. Tal surge de forma evidente em Heaven and Earth onde o que está entre, twilight, nascimento e morte, é uma vida entre os dois ecrãs, entre o espectador e a obra, entre o artista e o dispositivo encenado. Ora, se o foco estiver nesta relação entre dois pólos, estaremos certamente num lugar mais próximo do subliminar do que do sublime. Porque o que Viola encena, através de alusões evidentes à simbologia redentora da ressurreição e às abluções baptistas, é uma reconfiguração em si nada redentora, pois a busca pela eternidade ou imortalidade estão presentes até no título do díptico Man Searching for Immortality/Woman Searching for Eternity.

Esta dinâmica reencontra-se nas várias obras expostas. Seja no nascimento invertido, em Inverted Birth – de um adulto, sublinhe-se –, seja na ressurreição de Tristão (Tristan's Ascension), que levita e ascende, numa horizontalidade que se verticaliza, o corpo pré-nascido que ganha vida, a chuva ascendente que tudo leva e lava, como a água benta que jorra de uma casa (The Deluge, em Going Forth by Day), qual dilúvio purificador dos pecados do mundo. Redenção simbólica utilizada por Viola, uma vez mais, como modo temático e não expressivo, como assunto e não como sentido, como figuração e não como estilo. O estilo, aparece na materialidade do tempo que vai despojar as figuras do sentido religioso e transcendente, numa recusa evidente do sublime.

Precisamente ao pôr a nu essa iconografia – numa dinâmica quase ecográfica e digital, em alta definição e dolby surround –, põe por terra o céu e, nesse mesmo movimento, derruba a lógica da transcendência. Entre o céu e a terra, entre o recém-nascido e o moribundo, entre o rizoma e o esquema arborescente, plano da água, liso, de onde se eleva o homem que levita, tudo converge para esta vida entre dois, que é imanente e não transcendente [4]. O rasto de transcendência que se atribui a Viola com o termo sublime não pode senão ser recusado. Um estilo: Bill Viola, que não pode ser reduzido à pulsão compensatória das figuras encenadas que buscam a salvação num acontecimento redentor.

 


Alexandra João Martins e Luís Lima

 

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Notas

[1] Bellour, Raymond. An Interview with Bill Viola. October, Vol. 34. (Autumn, 1985), pp. 91-119. Disponível em: http://links.jstor.org/sici?sici=0162-2870%28198523%2934%3C91%3AAIWBV%3E2.0.CO%3B2-9
[2] Rancière, Jacques. O Destino das Imagens. Lisboa: Orfeu Negro, 2011.
[3] [Gramática] Justaposição de frases sem uso de conjunção coordenativa ou subordinativa.
[4] Deleuze, Gilles. L’imannence: une vie. Philosophie, nº. 47, pp. 3-7.



ALEXANDRA JOÃO MARTINS, LUÍS LIMA

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