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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Louvre Abu Dhabi. Fotografia: Mohamed Somji


Louvre Abu Dhabi. Fotografia: Erik e Petra Hesmerg


Louvre Abu Dhabi. Fotografia: Erik e Petra Hesmerg


Louvre Abu Dhabi. Fotografia: Erik e Petra Hesmerg


Louvre Abu Dhabi, From one Louvre to Another. Fotografia: Sarah Frances Dias


Louvre Abu Dhabi, From one Louvre to Another. Fotografia: Sarah Frances Dias


Louvre Abu Dhabi, From one Louvre to Another. Fotografia: Sarah Frances Dias


Louvre Abu Dhabi, From one Louvre to Another. Fotografia: Sarah Frances Dias

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FROM ONE LOUVRE TO ANOTHER




LOUVRE ABU DHABI
Saadiyat Cultural District Abu Dhabi United Arab Emirates


21 DEZ - 07 ABR 2018

EXPOSIÇÃO ‘FROM ONE LOUVRE TO ANOTHER: OPENING A MUSEUM FOR EVERYONE’: IN-TEMPORALIDADE E UNIVERSALIDADE

 

 

Sob a curadoria de Jean-Luc Martinez, presidente to Museu do Louvre, e de Juliette Trey, curadora do museu, a exposição clarifica a arte, a ideia, e as ideologias que sustiveram a criação do museu do Louvre há mais de dois séculos em Paris. Esta primeira exposição temporária do Louvre Abu Dhabi conta com 150 obras de arte, incluindo pintura, escultura, mobiliário e peças de cerâmica de toda a parte do mundo que faziam parte da colecção privada da Realeza Francesa, posteriormente definindo a primeira coleção do Museu do Louvre.

Desde o primeiro momento, a exposição propõe ser uma viagem no tempo, remetendo-nos para os interiores do palácio de Versailles com uma projeção cinematográfica do seu interior. Transportados para o século XVII, nos tempos áureos da Corte Francesa, seguem-se duas esculturas de Jean-Baptiste Tuby em mármore branco, que relatam a história de Galatea a neta do Deus Oceanus apaixonada por Acis, um humilde pastor. Estas duas esculturas, originalmente colocadas uma em frente à outra nos jardins de Versailles na Grotte de Téthys, com a sua delicadeza e in-temporalidade, remetem-nos para a estética da Antiguidade Clássica Grega e Romana que predominava nos jardins, que durante a década de 1660 definiu-se como um museu aberto. São duas das variadas obras que definem a primeira secção da exposição, composta por peças da coleção real do Rei Louis XIV, algumas delas herdadas dos reis anteriores, que adornavam os jardins e os apartamentos reais no palácio de Versailles. Salienta-se ainda nesta secção o seu retrato pintado por Jean Garnier, em sua honra, e os vasos em pedras semi-preciosas que adornavam os seus aposentos e muito contribuíram para a reputação de Versailles como um palácio artístico.

Enquanto os primeiros museus apareciam pela Europa, especialmente em Roma e Londres nos meados do Seculo XVIII, Paris sentia a necessidade de criar o seu próprio museu. Acompanhado pelos desejos de Louis XV e de Louis XVI, de tornar as suas colecções acessíveis ao público, o Palácio do Louvre, a sede do governo monárquico francês desde a altura dos Capetos, surgiu como o espaço ideal. Com a corte a viver em Versailles, o Palácio desabitado foi-se transformando: em 1692 com a criação de uma galeria de esculturas na Sala das Cariátides, e pouco depois tornado-se a sede da Royal Academy of Painting and Sculpture, criando lugar para os estúdios dos melhores artistas e artesãos Franceses. Tornando-se uma sede artística e cultural, a partir de 1699, o Louvre acolhe também os Salões de arte promovidos pela Academia, atraindo um vasto publico para estas primeiras exposições colectivas. Este ‘palácio’ artístico experimental é ilustrado no quadro de Hubert Robert, ‘The Grand Gallery of the Louvre’ (c. 1801–1805). Composta por outras obras criadas neste contexto, salienta-se ainda nesta segunda secção da exposição o ‘Clock of the Creation of the World’ (1754), conceptualizado pelo astrónomo Claude-Siméon Passemant (exemplifica bem a multidisciplinaridade do Louvre, onde nele se aplicam as técnicas de escultura e mecânica), a pintura de Nicolas Bernard Lépicié’s, as esculturas de Jean-Baptiste Pigalle, ou ainda os desenhos de Charles Le Brun que pretendiam expressar as “emoções da alma”, como afirma o descritivo das suas obras. Mais do que ser um centro de arte, estes primeiros espaços no palácio proponham uma centralização de desenvolvimento estético e o inicio de uma democratização da arte.

Por fim, a terceira secção, ilustra a abertura oficial do museu, inaugurado durante a Revolução Francesa em 1793, materializando o objectivo de tornar a colecção privada da realeza Francesa (considerada na altura a maior colecção de arte da Europa) acessíveis ao público. Durante as conquistas Napoleónicas variadas obras foram conquistadas, contudo, a vocação e visão do estabelecimento de um museu universal já tinha nascido. Durante as décadas seguintes, com a “descoberta” de novas civilizações, obras artísticas Egípcias, Persas e das ilhas do Pacifico são trazidas para o Palácio, compondo uma coleção unida pela sua universalidade. Salienta-se um vaso Barberini em cobre, atribuído a Dawud ibn Salama al-Mawsili dedicado ao príncipe Ayyubid que regiu Aleppo entre 1239 e 1260, ou ainda uma pequena escultura da Ilha da Páscoa, que exemplifica o fascínio pelo primitivismo que se iria desenvolver ao longo do Sec. XX, nas obras de Pablo Picasso, Modigliani e Brancusi. Esta universalização e democratização da arte que define a gênese do Museu do Louvre, é invocada não só pela exposição temporária, mas pelo próprio museu do Louvre Abu Dhabi, que propõe uma unificação cultural, através de uma nova forma expositiva. De facto, explica o Louvre Abu Dhabi, todas as exposições temporárias que se seguiram, pretenderam do mesmo modo, mostrar ideias comuns presentes nas criações das diversas civilizações.

Mais do que ser um percurso pela gênese deste museu, a exposição estabelece uma alusão à transformação de uma sociedade através da arte. Nas variadas obras lê-se a perfeição do Renascimento, a expressão do Primitivismo, a espiritualidade das criações Medievais ou ainda o transcendentalismo Egípcio. Estabelecem-se paralelismos, não só entre os museus e as culturas mas entre gêneses criativas que ultrapassam os limites do tempo e as fronteiras do espaço, comunicando com as dimensões emocionais e espirituais do ser. A arte não é um caso isolado, mas sim um diálogo de uma Humanidade. Compreender o universalismo artístico é compreender a unidade do ser; é promover tolerância, paz e união, entre povos, tempos e territórios. Numa dimensão histórica, insere-se o homem nas teias do tempo. Numa dimensão artística, conceptualiza-se e define-se um legado universal. Numa dimensão humanitária, define-se uma nova visão para o mundo.

Deste modo, compreende-se que a criação artística define a nossa historia, compõe o nosso presente, e se tivermos sorte, ajuda-nos a definir o nosso futuro… Será que a arte pode mesmo mudar o mundo?



SARAH FRANCES DIAS