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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Vista da exposição. Fotografia Cortesia MAAT.


Vista da exposição. Fotografia Cortesia MAAT.


Vista da exposição. Fotografia Cortesia MAAT.


Vista da exposição. Fotografia Cortesia MAAT.


Vista da exposição. Fotografia Cortesia MAAT.


Vista da exposição. Fotografia Cortesia MAAT.


Vista da exposição. Fotografia Cortesia MAAT.


Vista da exposição. Fotografia Cortesia MAAT.


Vista da exposição. Fotografia Cortesia MAAT.


Vista da exposição. Fotografia Cortesia MAAT.


Vista da exposição. Fotografia Cortesia MAAT.


Vista da exposição. Fotografia Cortesia MAAT.

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ARQUIVO:


CARLOS BUNGA

THE ARCHITECTURE OF LIFE. ENVIRONMENTS, SCULPTURES, PAINTINGS AND FILMS




MAAT
Av. de Brasília, Central Tejo
1300-598 Lisboa

23 JAN - 20 MAI 2019


 

Reflejo, a instalação site-specific que Carlos Bunga readaptou (a instalação já tinha sido composta numa outra escala para uma exposição em Bogotá em 2015) para esta sua retrospetiva no MAAT, serviu-me de gatilho inconsciente para a passada exposição de Kader Attia na Culturgest, onde se explorava, numa comparação entre modernismo e arquitetura vernacular, a segregação artística ao povo africano. A associação, apesar de inusitada, tem o seu fundamento lógico: a amálgama cultural de influências ocultadas, realçada por Attia, é a base prática da instalação de Bunga, onde para além de contextos se confundem composições, num formalismo entre a arte e a arquitetura.

É neste cruzamento estético de disciplinas que reside o conceptualismo do trabalho de Bunga: compõe-se a sugestão arquitectónica pelo imaginário das peças e a condição artística pelo que representam. Nas palavras do artista, manifestam uma ideia mental de arquitectura, conceito que se ramificará em diversas interrogações ao longo da mostra.

Por exemplo em Behind, um loop de vídeo que documenta a instalação/performance de Bunga na qual este se arrasta dentro de um bloco paralelepipédico, testa-se metaforicamente o conceito de espaço habitável; em Light Inside, paralelamente, questiona-se a ideia de edifício, numa instalação imersiva realizada no propósito da exposição, e que se traduz na sua grande surpresa. Trata-se duma estrutura edificada de composição contrastante, onde a profusão de cores e recortes é obtida na pobreza de um material como o cartão. O proto-edifício, apoiado na arquitetura linear da sala, surpreende pelo detalhe e engenho no uso do material, com as imponentes aberturas de luz na parte superior, apesar da aparência inacabada. Por todo o espaço, é notório ainda o cheiro a tinta que parece atuar como consciência da sua inconclusão.

Numa análise comparada, Light Inside estabelece um paradoxo com uma outra instalação de Bunga documentada em vídeo na retrospetiva, Capella, na qual o artista se apoiou na estrutura gótica duma capela em Barcelona para a imprimir com uma carapaça de cartão, de uma linearidade contemporânea, contrariamente a Light Inside portanto, onde a riqueza ornamental provem exclusivamente do cartão. Nesse vídeo inclusive, observa-se diretamente o colapsar das obras de Bunga, que enquanto instalações site-specific, jogam com a permanência: adquirem assim uma componente filosófica, onde a prevalência da ideia de maquete e o uso do cartão expõem a sua efemeridade. As composições in situ de Bunga não querem necessariamente sobrepor-se ao espaço, apenas incrustar-se nele, oferecendo novas possibilidades, duráveis na sua condição.

 

Pormenor da exposição. Fotografia Cortesia MAAT.



Ainda no campo da instalação, destaque para Intento de Conservácion IV, obra marcante no catálogo do artista tanto pela forma como conjuga proporcionalmente pintura e escultura, como pela materialidade da composição, duma densidade física, palpável. Tal como em Construccion Pictórica #8h ou Landscape #1, outras instalações da mostra, o cartão, com o auxílio da cola e fita adesiva, confunde-se com a madeira, apresentando novas possibilidades texturais para além da sua capacidade edificante, já verificada.

Mas nem só de instalações e vídeo se faz a retrospetiva. O desenho tem também um papel preponderante no catálogo do artista, justificando até uma exposição paralela na Fundação Carmona e Costa. No MAAT mostram-se principalmente esquissos, denunciando o raciocínio do artista para a formulação de instalações, e ilustrações abstratas, que nos incitam a pensar o design e a arquitetura.

Deste modo, a retrospetiva não ignora a exibição do processo compositivo do artista e a consequente reflexão sobre o mesmo. Isto porque em muitas obras de Bunga, a própria peça engloba a consciência do seu processo.

 

Pormenor da exposição. Fotografia Cortesia MAAT.



A escultura aparece-nos igualmente bem representada tanto num conjunto de modelos em constante jogo com a contingência, como num naturalismo algo inédito na mostra, com as quatro peças que compõem Casulo.

No geral, a coesão da exposição, para além do conceito arquitetónico que carrega, vem do retrato que faz do artista, numa viagem pelas suas formulações, que abrem possibilidades sem perder oportunidade de as questionar. Em Skin, um conjunto de fotos discretamente projetadas, o artista faz um paralelismo entre a textura de diversas paredes e a da pele humana, associação implícita também em algumas das suas peças. E é aqui que reside o verdadeiro retrato de Carlos Bunga, o artista onde a materialidade se faz corpo e identidade.

No fim com a instalação Polychromatic Environment, uma mistura textural de cores que pendem do teto como cortinas, somos conduzidos de novo à maquete que marca o início da mostra, Casa No17, retrato da habitação pré-fabricada em que Carlos cresceu: existe um intuito cíclico, e um sentido nesse ato. Porque todas as viagens apontam ao seu começo.

 

 

Miguel Pinto
Estuda História da Arte na Universidade Nova de Lisboa.

 



MIGUEL PINTO