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EXPOSIÇÕES ATUAIS


[1] Vista da exposição. Fotografia: Constança Babo


[2] Vista da exposição. Fotografia: Constança Babo


[3] Vista da exposição. Fotografia: Constança Babo


[4] Vista da exposição. Fotografia: Constança Babo


[5] Vista da exposição. Fotografia: Constança Babo


[6] Vista da exposição. Fotografia: Constança Babo


[7] Vista da exposição. Fotografia: Constança Babo


[8] Vista da exposição. Fotografia: Constança Babo


[9] Vista da exposição. Fotografia: Constança Babo

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SIGNAL - THE HISTORY OF (POST)CONCEPTUAL ART IN SLOVAKIA




LUDWIG MÚZEUM
Budapest, Komor Marcell u. 1
1095 Hungria

19 ABR - 23 JUN 2019


O museu de arte contemporânea Ludwig Múzeum, em Budapeste, apresenta, desde o dia 19 de abril, uma retrospetiva dos últimos cinquenta anos da criação artística da Eslováquia. O título da exposição, SIGNAL - The Story of (Post)conceptual Art in Slovakia, remete para o pós-conceptualismo, mas o que se dá a conhecer estende-se para além disso. O grande número heterogéneo de obras expostas abarca a evolução e as várias fases da arte eslovaca, resultando numa multiplicidade tanto visual como material, plástica, discursiva e estética, de importante visita.

O que atualmente se expõe no museu Ludwig é a continuidade de um projeto que já teve dois momentos anteriores: Soft Codes, no MWW - Wroclaw Contemporary Museum e Probe 1, na Prague City Gallery. A primeira exposição, na Breslávia, explorou a mudança radical na arte eslovaca durante a década de 60, assinalada por uma nova crítica da imagem e da cultura multimédia, resultante do aparecimento de novas formas de produção artística. A natureza dos objetos aí apresentados deteve-se nomeada e principalmente na linha do conceptualismo e do que a ele se agrega desde a land art, à arte textual, à performance, a manifestações ou a documentação via fotografia, inúmeras práticas que, com maior ou menor intensidade, ressurgiram nas duas exposições seguintes.

Já em Praga, a exposição anunciou revelar a origem e o desenvolvimento da criação artística dos últimos cinquenta anos da Eslováquia, principalmente das várias formas, códigos e morfologias da arte conceptual então realizada. Por sua vez, a exibição em Budapeste será, provavelmente, a mais completa, plural e próxima do tempo presente. Conta com a participação da maioria dos artistas das edições anteriores, entre outros, e, não abandonando o discurso nelas desenvolvido, introduz novas perspetivas e linguagens. Esta mais recente mostra reúne um imponente espólio de obras que se cruzam e consolidam num forte retrato da arte eslovaca moderna, conceptual e, ainda, dos novos média.

No sentido de uma coesa e dinâmica apresentação dos vários artistas e respetivas obras, a exposição no Ludwig Múzeum foi dividida em quatro secções, pelo curador Vladimir Beskid. Como se identifica no texto que acompanha a visita, é imposta uma lógica principalmente cronológica, a começar pela primeira secção, TEXTmania, relativa aos campos de produção artística cuja base é o texto. Um aspeto primordial e fundamental da arte conceptual é, de facto, a inter-relação e a comunicação entre os dois principais sistemas operativos semióticos, o linguístico e o visual. Foi, precisamente, a partir da utilização do campo artístico enquanto plataforma de discurso que, tanto na Eslováquia como em todo o contexto ocidental dos anos 60, a arte ganhou uma nova forma. Exemplo disso é a obra que agora se expõe de Rudolf Sikora (img.6) cuja mensagem interpela o homem, o planeta e o devir.

SIGNAL também convida o público a assistir à rebelião dos gestos, em The Zero Gestures, onde se expressa o intuito de alcançar uma criação pura, promovendo o vazio e a ideia de um ponto zero. A utilização de conceitos tais como anti-arte e anti-imagem pode ser compreendida como expressão de recusa e de reação ao caminho que a arte traçava. Expõem-se inúmeras e diferentes possibilidades formais e criativas, caso de Július Koller com Glass of Plain Water (1964), peça concebida enquanto manifesto da interseção entre a arte e a vida.

Em contraposição com a procura de um recomeço mais claro e puro, instala-se The Indoor Cosmos, a explosão do cosmos, do universo artístico, do lugar da criação enquanto espaço de experimentação e de aventura. Retorna-se ao do pós-segunda Guerra Mundial, à Guerra Fria e, mais especificamente, ao ano de 1968, quando as tropas soviéticas invadiram a Checoslováquia e a isolaram. Tais ocorrências provocaram tremendos efeitos, entre os quais, repercussões na criação artística eslovaca da época e na subsequente. Poderá destacar-se o trabalho de Stano Filko (img.8) com mapas e fotografias do planeta, do céu noturno e do cosmos que refletem uma visão global do mundo e o desejo de sair do espaço a que o país estava confinado.

Por fim, Redefining the Image propõe repensar o que é uma imagem, visual e conceptualmente. Tal segmento da exposição já incorpora os novos média, tanto os analógicos como os digitais, permitindo conhecer quais as influências da sua chegada e inclusão no cenário artístico eslovaco. Simultaneamente, questiona-se a era pós-media e as correspondentes abordagens e estratégias criativas após o ano 2000, a partir de artistas tais como Pavla Sceranková ou Jaro Varga. Nesta última parte da exposição também se mostram objetos artísticos que, concebidos com processos mais primários, já refletiam características e tipologias dos novos média, nomeadamente a cópia, a reprodução e a repetição de elementos.

A exposição de Vladimir Beskid, comissário de todo o projeto, é de uma assertividade e solidez absolutas, interrelacionando as obras a partir de um diálogo tão desafiante quanto equilibrado, inusitado e lógico, livre e descritivo. O curador explica os três turning points que constituíram os diferentes modelos socioculturais e artísticos da Eslováquia. O primeiro, entre 1921 e 1924, foi determinado, principalmente, por um grupo de artistas da cidade de Košice, Martin Benka, Gustáv Maly e Jan Hála que inscreveram perspetivas da cidade e dos subúrbios na arte, apresentando temas sociais e motivos urbanos de um modo não-representativo e não subjugado a objetos explícitos.

Seguidamente, a principal expansão do conceptualismo deu-se em Bratislava, por volta de 1964/65, quando se transferiu a arte para os locais públicos, exteriores aos institucionais, possibilitando um maior contacto entre a criação artística e o povo. Essa foi também a altura de uma corrente de renovadas tendências, do inconvencional e do novo, numa inédita abertura da criação artística, caso da magnífica obra Extended Sleep (1996), onde Roman Ondak (imagem aqui em baixo) convoca grandes autores e filósofos, desde Victor Hugo e Dostojevsky a Fernando Pessoa.

 

 

Por fim, o terceiro período mais significativo, compreendido entre 1990 e 1993, surge já determinado, em grande parte, pelos novos média e profundamente transformador da criação artística eslovaca. Relembra-se que, após a queda da Cortina de Ferro, possibilitou-se a entrada de inúmeras tecnologias às quais o país estava, até então, impedido de aceder - televisões, impressoras, máquinas fotocopiadoras, computadores, gravadores de som - objetos que rapidamente se instalaram no quotidiano e, ao mesmo tempo, na comunidade artística, influenciando-a terminantemente.

A City Gallery de Praga anunciou, enquanto principal objetivo da sua exposição, revelar as transformações do paradigma social interno eslovaco, algo que se identifica ser transversal a todo o projeto. Também comum às três exposições é a demonstração e o esclarecimento das bases do que constitui o presente e, eventualmente, o futuro da arte no país. Isso manifesta-se numa dupla discursividade, por um lado, a favor de uma nova arte e, por outro, com a propaganda de uma anti-arte.

Como Vladimir Beskid refere, no livro publicado na ocasião da segunda exposição, também o fim do modernismo se caracterizou por duas ideologias contrastantes: um ultrapassado universalismo e um pluralismo pós-modernista. Recorre ao livro O Fim da História e o Último Homem (1992), no qual Francis Fukuyama explora a utopia comunista, a relação entre o mercado e a promessa de uma melhoria universal. Como o comissário da exposição afirma, somente no final dessa política e dos outros regimes totalitários que tiranizaram os países da Europa de Leste, é que se possibilitou a emancipação do mundo, da sua população e dos seus artistas.

O fim das utopias permite o retorno à realidade e, ao mesmo tempo, a possibilidade de traçar um diferente, renovado e potencialmente melhor caminho. As artes sempre foram e serão representativas da sociedade e do contexto sociopolítico no qual são produzidas, assim refletindo tempos, lugares e acontecimentos. Nesta exposição, é através de uma variedade e riqueza de obras surpreendentes que se convida o público a conhecer a arte de um povo marcado por violentas crises identitárias, sociais, políticas, históricas e, consequentemente, artísticas. Assim se apresenta e dá a conhecer a Eslováquia, através dos traços, gestos, olhares e vozes dos seus artistas.



CONSTANÇA BABO