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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Vista da exposição X não É Um País Pequeno — Desvendar a Era Pós-Global, MAAT. © Cortesia Fundação EDP / Fotografia: Bruno Lopes.


Vista da exposição X não É Um País Pequeno — Desvendar a Era Pós-Global, MAAT. © Cortesia Fundação EDP / Fotografia: Bruno Lopes.


Vista da exposição X não É Um País Pequeno — Desvendar a Era Pós-Global, MAAT. © Cortesia Fundação EDP / Fotografia: Bruno Lopes.


Vista da exposição X não É Um País Pequeno — Desvendar a Era Pós-Global, MAAT. © Cortesia Fundação EDP / Fotografia: Bruno Lopes.


Vista da exposição X não É Um País Pequeno — Desvendar a Era Pós-Global, MAAT. © Cortesia Fundação EDP / Fotografia: Bruno Lopes.


Vista da exposição X não É Um País Pequeno — Desvendar a Era Pós-Global, MAAT. © Cortesia Fundação EDP / Fotografia: Bruno Lopes.


Vista da exposição X não É Um País Pequeno — Desvendar a Era Pós-Global, MAAT. © Cortesia Fundação EDP / Fotografia: Bruno Lopes.


Vista da exposição X não É Um País Pequeno — Desvendar a Era Pós-Global, MAAT. © Cortesia Fundação EDP / Fotografia: Bruno Lopes.


Vista da exposição X não É Um País Pequeno — Desvendar a Era Pós-Global, MAAT. © Cortesia Fundação EDP / Fotografia: Bruno Lopes.

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ARQUIVO:


COLECTIVA

X NÃO É UM PAÍS PEQUENO - DESVENDAR A ERA PÓS-GLOBAL




MAAT
Av. de Brasília, Central Tejo
1300-598 Lisboa

18 MAR - 06 SET 2021


 

Já em 1968, Hannah Arendt, nos seus pensamentos sobre Karl Jaspers, publicados no livro "Homens em tempos Sombrios", destacava o estudo detalhado que o filósofo tinha empreendido em torno do tema do império e do princípio de um Estado mundial. Arendt dizia-nos que a "ideia de uma força soberana que governasse a terra inteira, detendo o monopólio de todos os meios de coerção" consistiria, para a autora, em um modo de tirania que punha em causa a realidade politica, tal qual a conhecemos hoje, caracterizada, como nos dizia, por assentar nos princípios da "diversidade" e da "pluralidade". A noção de fronteiras compreendia assim uma proteção positiva de identidade dos países, dos homens, e dos seus passados. Desse modo, e segundo esse principio, a implementação de um Estado mundial, de natureza soberana, não significaria mais do que o fim da cidadania. Segundo Arendt, a Europa foi um dos inventores desta soberania, ao ditar, por via da ciência e da tecnologia, os seus princípios e leis nos outros continentes. 

 

Observámos, por isso, por via da tecnologia e do mercado, ao estreitamento da diversidade no mundo, e presenciámos, à escala global, à expansão da globalização, que, nos seus contornos mais comerciais, tem vindo a conduzir, como diria Bauman, a uma unificação do pensamento. Hoje verificamos os efeitos mais gravosos dessa globalização, com a degradação do meio ambiente a grande velocidade, o êxodo das populações pertencentes ao hemisfério sul, que, em busca de melhores condições de vida, procuram novos destinos, ficando assim sujeitos ao oportunismo mais macabro dos homens.

Os curadores da exposição "X Não é um País Pequeno - Desvendar a Era Pós-Global", patente na sala oval do Maat, Aric Chen e Martina Muzi, apontam também para os conflitos mundiais como as “guerras comerciais, o nacionalismo em ascensão, os conflitos emergentes entre potências, a soberania da internet, o Brexit, e agora a pandemia global" como fortes indicadores do falhanço da globalização. 

É  certo que, como Arendt explicava, o que acontece numa nação vai forçosamente ressentir-se em todas as outras nações do mundo, pois que, depois da unificação tornada possível pela tecnologia, "nenhum acontecimento importante da história de um pais pode permanecer como um acidente marginal na história dos restantes". Assim: "Cada país tornou-se vizinho quase imediato de todos os outros países, e cada homem sente o choque dos acontecimentos que ocorrem do outro lado do globo". Arendt, no seu livro "Homens em Tempos Sombrios", refere por um lado, a "solidariedade" que um acontecimento grave numa ponta do mundo desperta "no género humano", e de como essa solidariedade é depois, desmanchada, pela "apatia política" e o "nacionalismo isolacionista".

A crise financeira mundial, ocorrida há doze anos atrás, pode ter posto a descoberto a ineficácia da globalização, pode ter anunciado até, a sua extinção, no campo ideológico, mas não pôs cobro, infelizmente, à sua ação, que, apesar de se falar em pós-globalização, continua a estender os seus tentáculos, e a lembrar que, se não se empreenderem ações céleres e eficazes, tenderemos a aproximar-nos de um caminho do fim, sem saída possível. 

 

© Cortesia Fundação EDP / Fotografia: Bruno Lopes.

 

 

A exposição "X Não é um País Pequeno - Desvendar a Era Pós-Global", sugere o debate, e compreende projetos inspirados em questões sociais, problemáticas geopolíticas e geoestratégicas, desenvolvidas por designers, arquitetos, artistas, todos eles com uma preocupação de base humanista na sua investigação, assente em diferentes registos possíveis, nomeadamente "objetos, corpos, infraestruturas, cidades, territórios e o próprio planeta".

O estúdio de arquitectura Rael San Fratello instalou, na extensa sala oval, uma recriação de um fragmento do gigantesco muro de fronteira entre EUA e México, colocando assim, como que atravessado, entre um território e o outro, o baloiço colorido, como símbolo lúdico de uma integração/interação entre uma pessoa de uma nação e uma pessoa de outra. 

A exposição coletiva conta também com a impressionante participação dos ateliers, artistas e arquitectos: Bard Studio, Bricklab, Ibiye Camp, Jing He, Revital Cohen + Tuur Van Balen, Liam Young, Paulo Moreira, Wolfgang Tillmans.



CARLA CARBONE