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MÚSICA


BIANCA CASADY & THE C.I.A – SINGULARES EXPERIMENTALISMO E IMAGINÁRIO

RICARDO ESCARDUÇA

2016-02-11



 

 

Sem um propósito planeado e antecipado, pode surgir, espontâneo e sem calendário pré-definido, um momento, vários momentos, ou até mesmo um processo contínuo, que nos faz recuar no tempo das nossas memórias e regressar às moradas das nossas histórias, aos seus ínfimos e inúmeros pequenos episódios, vividos em cenários preenchidos com infinitos e minúsculos adereços, povoados pelos inolvidáveis e relevantes personagens dessas memórias e dessas histórias e os seus notáveis e memoráveis dizeres, hábitos, comportamentos e valores que, todos empilhados, entrançados e combinados, são parte significativa da bagagem interior que transportamos em nós mesmos.

 

 

E, desses momentos de desconstrução, processamento e reciclagem introspectiva, que se tornam tão abrangentes e reveladores quão irrestrito, experimental e exposto é esse vôo livre sobre a nossa intimidade e a nossa privacidade, poderão nascer reinvenções e reequilíbrios, reformulações e reconstruções, traduzidos na realidade de novas convicções, condutas, costumes e manifestações de nós próprios ou, em tantos outros casos, ilustrados e interpretados através de um imaginário criado para os exprimir, mantido no domínio privado da mente criadora ou revelado e oferecido por esta aos outros – um universo fictício e sugestivo, adimensional ou multidimensional, onde, como na cena de um palco, cenários suspensos da teia sobem e descem, sobrepõem-se e transformam-se como que animados por energia própria, enquadram personagens enroupados nos seus figurinos e adornos que desfilam a sua dimensão física e psicológica, que se cruzam e enredam enquanto se desenrola a trama irreal, símbolo imaginado daquela concepção interior.

 

 

É este último o caso do memorável e assinalável álbum “Oscar Hocks” lançado na Europa em 22 de Janeiro último pela editora Fantasy Music e no continente americano em 29 seguinte pela Atlas Chair Records, a estreia musical a solo de Bianca Casady, que com a sua irmã Sierra forma desde 2003 o duo Coco Rosie: “Oscar Hocks” é uma verdadeira porta mágica, uma passagem secreta, a toca do coelho na qual caímos e atravessamos a fronteira que separa a realidade material e convencional de um mundo extravagante e fantástico – uma viagem musical e teatral misteriosa e melancólica que percorre inúmeros territórios etéreos, povoados por personagens absurdos e excêntricos, conduzidos pela brilhante e criativa mente de Bianca que, sem inibições e restrições, destapa e expõe as facetas mais sombrias e tenebrosas da sua personalidade.

 

 

Muito mais para além da sua participação em Coco Rosie, que nunca lhe foi suficiente como meio de expressão artística, a imparável e ininterrupta criatividade de Bianca, a importante ferramenta de que necessita como forma de questionar os conceitos e os preconceitos e, desse modo, criar espaços pessoais onde novas revelações e novas descobertas podem ser exploradas, e a que recorre como meio de contacto espiritual com as suas regiões interiores mais profundas e, em simultâneo, com as órbitras exteriores do que a rodeia e do que experimenta, produz continuamente um universo e uma linguagem muito característicos e individualizados através de múltiplos formatos. Desde há anos que Bianca se expressa individualmente de inúmeras formas, um corpo de trabalho coerente, apesar de multifacetado nos meios empregues, e subversivo, rebelde e experimental nos conteúdos: enquanto artista plástica multi-media produzindo trabalhos de desenhos, colagens, fotografia, instalações, áudio-projecções e vídeo-projecções como na exposição individual Daisy Chain de 2012 em NY onde, em peças em que a pureza inocente convive lado a lado com o horror macabro, aborda e explora as ideias aprisionadoras de género e raça, de poder e de subordinação, através da temática ferida – cicatriz / desconstrução – reconstrução, em outras iniciativas colectivas com outros artistas como o projecto Future Feminism de 2014 onde, em sessões de leituras de poesia e prosa e de performances ao abrigo de um manifesto sobre um mundo tecnológico actual que, aos seus olhos, não concilia a contemporaneidade e a inovação com um conjunto de preconceitos conservadores de que não quer, ou não consegue, libertar-se, como integrante da colectiva The ‘F’ Word: Feminism in Art do final de 2015, como co-fundadora em 2013 da revista impressa de artes originais e provocativas Girls Against God de pendor feminista e combatente das ideias estagnadas associadas aos movimentos religiosos através da qual clama “We must resist and reinvent”, como autora da peça Night Shift na sua estreia em 2012 no teatro-dança, onde combina os seus universos musicais e visuais numa narrativa personificada na história de uma criança abandonada que se transforma numa criatura monstruosa e deformada, ainda que inofensiva, à qual se seguiram outros trabalhos na mesma área da coreografia representada ou ainda como a criadora da identidade visual do duo que forma com a irmã e que expressa por via do guarda-roupa que usam em palco, das projecções em background durante as suas actuações ou da arte gráfica das suas edições discográficas.

 

 

Neste fantástico projecto em que, uma vez mais, se afasta do contexto e do ambiente da sua prática artística em Coco Rosie no qual faz coabitar e equilibrar os contrastes e as diferenças com a sua irmã e restringe, numa bem-sucedida tensão criativa entre ambas que não carece de mais provas depois do sucesso dos seis LP’s e dois EP’s já lançados pelo duo, o seu processo criativo mais caótico, desordenado e espontâneo de cuja liberdade absorve o resultado que exprime depois e a sua natureza tendencialmente mais obscura e soturna quando confrontado com o de Sierra, mais planeada, organizada e linear no método e mais vivaz e alegre na forma de expressão, Bianca encontra a liberdade incondicionada para explorar e mergulhar nas suas facetas mais escuras, contorcidas e retorcidas sem a imposição de as negociar com mais ninguém, sem se preocupar em ser demasiado marginal e bizarra, nas quais encontra, e encontramos, as várias nuances de uma beleza sombria absolutamente tentadora e cativante. À semelhança de todos os seus trabalhos, é através dos personagens e dos ambientes invulgares, transformados, deformados e renegados que cria, através dos quais faz embater e contrapor o belo e o feio, o harmonioso e o agressivo, que Bianca se expressa, questionando e apontando o dedo aos temas de natureza sociológica que se mantêm constantes em toda a sua produção.

 

 

Num pequeno livro intitulado “Porno Thietor” de edição limitada que acompanha a versão deluxe em vinil de “Oscar Hocks” (disponíveis também as versões em simples em vinil e em CD), a artista reuniu poemas, fotografias e outras objectos e ilustrações a que chama de fragmentos, retratos dos personagens que criou e que utiliza em cada uma das faixas do álbum. Mas “Porno Thietor” é muito mais que esse livro. No final de 2015, previamente ao lançamento do álbum, a artista encetou uma digressão europeia de vinte e duas datas de uma notável performance musical e teatral de sua autoria que recebeu o mesmo título e que vai bem além de, unicamente, um concerto de música. Combinando performance teatral, vídeo e música, “Porno Thietor” foi a encenação em palco de uma dimensão paralela, imaginária e sugestiva, o hemisfério macabro do mundo íntimo isento de tabus de Bianca, em que as fronteiras da interpretação teatral eram ultrapassadas por rituais sombrios e que exploravam pesadelos e fantasias atormentadoras. Sob o light / vídeo design de Corentin Leven, os membros Lærke Grøntved, Michal Skoda, Takuya Nakamura, e Douglas Wieselman e o artista visual J.M.Ruellan do grupo C.I.A., sigla para Cult International Alliance, composto por artistas de diferentes naturezas que a acompanharam em “Oscar Hocks”, vestidos com fatos pretos como um conjunto anónimo indiferenciado, quase como um utensílio descartável, interpretaram os personagens miseráveis e fatídicos que habitam em cada uma das faixas do álbum e em palco; o coreógrafo e dançarino Bino Sauitzvy assumiu, entre outros, o papel de The Handless Maiden, personagem do conto datado do séc XIX de autoria dos irmãos alemães Jacob e Wilhelm Grimm, autores de outras inúmeras e famosas histórias de folclore popular, a quem, entre outras fatalidades, o diabo cortou as mãos, executando estranhas movimentos quebrados como espasmos interpretando e narrando as cenas aterradoras das histórias dos personagens que incarnava, acompanhado das sonoridades variadas de um piano propositadamente desafinado, de um violino arranhado, de um órgão turvado, de um trompete espavorecido, de um clarinete desnorteado, de um baixo eléctrico sobressaltado, de uma guitarra blues enfurecida, de uma bateria desgraçada, e diversas sonoplastias imprevisíveis e aterrorizantes de rangeres de portas, de torrentes de água, de comboios desgovernados, de teclas de máquinas de escrever marteladas, criando e interpretando múltiplos cenários visuais e sonoros fantásticos e assombrados. Bianca, seguindo o seu instinto criativo subjacente à origem deste projecto que a fazia sentir desobrigada de uma posição mais tradicional de vocalista no centro do palco, quebrando o conceito do vocalista habitualmente colocado no down-stage encarando a audiência de frente, várias vezes escapando a essa posição e experimentando uma nova função e uma nova forma de entretenimento que lhe é cómoda e confortável, fazia pairar e esvoaçar a sua voz flutuante, remissiva de histórias simultaneamente encantadas e assombradas, suspensa propositadamente fora de tempo e fora de tom, desde os cantos mais laterais e mais escuros do palco afastada do centro da visão de todos, desocupando o spotlight e, desde uma perspectiva privilegiada de visão de toda a cena, adoptando a função do narrador recolhido que tem a oportunidade de, desde a sua posição recuada, melhor construir os domínios imagéticos que pretende privilegiando o desempenho vocal e permitindo que as interpretações teatrais e sonoras que se desenrolam em palco ganhem maior presença na busca pelo objectivo do seu conceito: a desconstrução e a dissolução das barreiras e dos limites entre o real e o absurdo, entre o natural e o encenado, deslocando por momentos o público do tempo e do espaço onde se encontram e nele criando novas percepções e sensações.

 

 

Sendo Bianca metade do corpo de Coco Rosie, seja na composição musical, na autoria de letras ou em resultado da sua voz peculiar e característica, são naturais algumas semelhanças entre “Oscar Hocks” e a sonoridade da dupla de irmãs. Os projectos individuais em que constantemente se envolve oferecem-lhe a oportunidade de libertar e deixar fluir naturalmente a sua criatividade pelos territórios mais surreais, extravagantes, soturnos e fantasmagóricos para os quais a sua natureza, que condiciona e contrai quando trabalha em parceria com a irmã, espontaneamente resvala e se expande e, durante a composição e produção de “Oscar Hocks”, o seu grande primeiro projecto musical a solo, encontrou o espaço e o tempo para gradualmente tomar percepção e conhecer-se a si mesma enquanto artista musical.

 

 

Num conjunto de 12 composições, cuja tracklist indicamos abaixo, de estrutura musical imprevisível, enigmática, errática e intrincada mas bem cuidada e elaborada, como que manufacturada manuseando e colando inúmeros e distintos retalhos, fragmentos e parcelas sonoras, impossível de enquadrar, rotular e categorizar neste ou naquele género musical que não “o som de Bianca Casidy” e que nos faz submergir e afundar numa atmosfera densa e perturbadora, mas cativante e hipnotizante, Bianca explora e manipula uma gama diversa de estilos e uma amálgama de sonoridades inicialmente desconstruídos, combinando sublimemente a irreverência rock da guitarra e da bateria, a subtileza e o temperamento das melodias de cariz mais jazz e blues dos metais de sopro, a beleza clássica do piano e dos arranjos de cordas, a decadência sedutora dos teclados, insólitos beats, sonoplastias electrónicas e variadíssimas percussões com os múltiplos timbres da sua peculiar e discordante interpretação vocal, ora inocente e poética, ora ameaçadora e hostil, que alterna entre os versos cantados e a spoken word, e, redescobrindo e recuperando a sua faceta mais punk e rebelde que havia, de certo modo, abafado e reprimido, descobre o seu próprio conceito de harmonia e obtém um resultado estranhamente personalizado que, de forma muito original e individualizada, alarga as fronteiras e limites da música como em Bianca é habitual. Descrito pela própria como anti-pop, em oposição à forma de subversão não-convencional da pop com que encara o seu trabalho em Coco Rosie, a extraordinária sonoridade surreal, experimental e plural de “Oscar Hocks”, mais contida na sua versão em disco do que nas interpretações mais expansivas da digressão “Porno Thietor”, transporta-nos para um mundo irreal de fantasia, deslocado e recuado no tempo, no qual se estende um espaço narrativo melancólico e nostálgico impregnado de suspense e drama.

 

 

As letras abordam os temas que ocupam a mente e a voz de Bianca nos dias de hoje – a religião, o feminismo, a importância do ambiente e do natural – e com que, mais do que contar uma história ou abordar temas intelectualmente mais profundos, pretende provocar e desconstruir os preconceitos inquestionáveis associados a todos eles através dos estímulos à imaginação do público. Em “Poor Deal, Bianca diz-nos “If God and the Devil are the same, then who is your daddy now?”; Em “Daisy Chain”, título homónimo do da sua exposição de 2012 na qual os órgãos sexuais dos corpos masculinos representados estavam cobertos por flores, fala-nos de um prisioneiro em fuga que, apesar de acorrentado por flores, percorre uma estrada ao longo da qual recolhe outras flores. O recuo ao passado e às suas memórias e como elas regressam ao presente está também contido em “Oscar Hocks”: em “Roadkill” cantando “Full corcle, I’ve come full circle” faz referência à sua experiência recente quando, ao encontrar uma ave morta na estrada, a recolheu e usou as penas da cauda para criar um leque, adereço de um dos personagens em “Porno Thietor”, episódio que a transportou de regresso à memória do pai que travava o carro bruscamente sempre que se deparava com um animal morto na estrada.

 

 

“Oscar Hocks” é um interessante e memorável projecto artístico de âmbito bem mais vasto que a sua dimensão musical que nos dá acesso ao mundo único e original de Bianca Casidy, revelando todo o seu talento e mérito enquanto multifacetada artista plena de uma criatividade fora do comum que continuamente nos proporciona estímulos, mais confortáveis ou mais desconfortáveis, mais populares ou menos populares, mas que certamente nos deixam a sua marca e a sua impressão.


Tracklist :

1. Hay Lofts
2. Daisy Chain
3. Hobo
4. Roadkill
5. Oscar Hocks
6. Dead Season
7. Poor Deal
8. Lordess Moon
9. Miracle of a Rose
10. Left Shoe
11. Tumbleweed
12. The Empty Room




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