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PAIS DO AMARAL DIZ ESTAR TRANQUILO SOBRE LEGALIDADE DE SAÍDA DE QUADRO PROTEGIDO

2013-06-05




O empresário e colecionador Pais do Amaral disse hoje à agência Lusa que está “tranquilo” sobre a legalidade do processo que levou à saída de Portugal do quadro do século XV cuja protecção foi anulada pelas autoridades.

O jornal Público noticia hoje que o quadro de Miguel Pais do Amaral intitulado Virgem com o Menino, pintado por Carlo Crivelli no século XV, tinha protecções legais que impediam a sua saída, mas Francisco José Viegas, na altura secretário de Estado da Cultura, anulou-as.

Contactado pela agência Lusa, o empresário Miguel Pais do Amaral disse estar tranquilo sobre a legalidade do processo, que durou três anos. “Deveria ter durado três meses”, lamentou o coleccionador, queixando-se da burocracia envolvida. Sobre os pareceres dos especialistas contra a saída do quadro do país - cuja venda “está em curso”, mas escusou-se a confirmar os três milhões de euros avançados pelo jornal - Pais do Amaral disse que o Estado tinha duas alternativas: “Comprar, ou deixar sair”.
“E neste momento o Estado tem outras prioridades. De qualquer modo, este quadro não é de um autor português, portanto não tem relevância para o património artístico português”, sustentou.

Para Pais do Amaral, “o quadro nada tem a ver com Portugal, não é uma peça relevante e as pessoas que se pronunciaram sobre ela não têm uma visão de conjunto”. Sobre a decisão de vender a peça, indicou que a tela quinhentista “estava em muito mau estado”, e não estava interessado em esperar anos pelo restauro de uma obra que se desvia do conjunto da colecção privada, sobretudo do século XVIII e XIX.

O quadro tem como título Virgem com o Menino, Santo Emídio, São Sebastião, São Roque, São Francisco de Assis e o Beato Tiago da Marca, e foi pintado em 1487 pelo mestre veneziano da renascença Carlo Crivelli.

De acordo com o Público, Elísio Summavielle, que, na altura era director-geral do Património Cultural (DGPC), o dossier com o pedido de expedição do quadro recebeu inicialmente um parecer negativo devido às protecções legais a que a obra estava sujeita.
Depois, o processo foi levado ao responsável máximo da tutela, Francisco José Viegas, que, segundo disse Summavielle ao Público, autorizou a saída da pintura, mas por seu turno, o antigo secretário de Estado também disse ao jornal que não se recorda particularmente do processo.

O jornal ouviu vários especialistas que dão o quadro como muito valioso, entre eles a antiga directora do Instituto Português de Museus, a historiadora Raquel Henriques da Silva, que considera a decisão grave e defende o apuramento de responsabilidades.
A Lusa tentou contactar a Secretaria de Estado da Cultura e o ex-secretário de Estado Francisco José Viegas, mas não obteve resposta.

Diário Digital com Lusa