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4.ª EDIÇÃO DO QUEER PORTO

2018-10-04




A 4.ª edição do Queer Porto – Festival Internacional de Cinema Queer tem lugar de 10 a 14 de outubro no Teatro Rivoli, Maus Hábitos e Mala Voadora.

Prosseguindo o seu propósito de se constituir como uma mostra eclética do que de mais pertinente é produzido e constitui referência para a cultura queer nos nossos dias, para a sua 4.ª edição, o Queer Porto – Festival Internacional de Cinema Queer tem como convidado especial o escritor de culto norte-americano Dennis Cooper, largamente influenciado pelos movimentos punk e queercore, autor de novelas como Frisk ou The Sluts, e que recentemente enveredou pelo cinema. Cooper estará no Porto, juntamente com Zac Farley, para apresentar o filme corealizado por ambos, Permanent Green Light, e para um encontro com os espectadores do Festival. O programa “As Pinturas Fílmicas de Carolee Schneemann” sobre o trabalho da performer norte-americana; um conjunto de documentários sobre a influência da cultura queer no mundo da moda; performances dos Mont de Dutor e de Liad Hussein Kantorowicz, assim como um concerto de Alexander Geist, compõem a edição deste ano.

O Queer Porto 4 tem como Filme de Abertura o documentário Bixa Travesty, de Claudia Priscilla e Kiko Goifman, vencedor do prémio de Melhor Documentário do Teddy Award da Berlinale, um imaginativo e desafiante filme, dominado pela presença no ecrã da eletrizante Linn da Quebrada. Autodenominada “bixa travesty” e artista multimédia, oriunda da periferia de São Paulo, Linn ganhou notoriedade nos palcos com a canção “Enviadescer”, em 2016, sendo desde então uma pertinente e ativista voz pela defesa dos direitos das minorias queer, no Brasil. Como Filme de Encerramento, o festival apresenta Shéhérazade, de Jean-Bernard Marlin, estreado na Semana da Crítica da passada edição do Festival de Cannes, e que é uma poderosa ficção sobre o universo dos trabalhadores do sexo na cidade de Marselha, onde o jovem Zachary se apaixona por Shéhérazade, um amor que procura algum tipo de redenção e sobrevivência na violência e abandono dos meios sociais e familiares onde vivem.

O Júri da Competição Oficial é este ano constituído pelo artista e curador Da Mata, pela performer Liad Hussein Kantorowicz, e por Tiago Alves, radialista e jornalista. Um total de oito longas-metragens de ficção ou documentais integram a competição: 1985, de Yen Tan, filme estreado no passado mês de março no Festival de Cinema SXSW, que nos propõe uma incursão metafísica, belissimamente rodada a preto e branco, aos primeiros anos da epidemia do VIH/sida; Call Her Ganda, de PJ Raval, um exaustivo documentário sobre o assassinato de uma trans nas Filipinas às mãos de um militar dos EUA e que levanta questões de transfobia e sobre a lei imperial norte-americana neste país; Permanent Green Light, de Dennis Cooper e Zac Farley, que acompanha um grupo de adolescentes num subúrbio francês, onde Roman ensaia o seu desaparecimento; The Rest I Make Up, de Michelle Memran, onde se traça a história da vida e da incontornável obra da dramaturga de origem cubana, María Irene Fornés, até aos dias de hoje, vítima de Alzheimer; Soldiers. Story from Ferentari, de Ivana Mladenovic, uma insólita ficção passada num bairro cigano de Bucareste e que narra a complexa relação entre dois homens vindos de meios completamente diferentes; L’Animale, de Katharina Mückstein, sobre uma intrincada teia de segredos no seio de uma família austríaca; Dykes, Camera, Action!, de Caroline Berler, um importante documento sobre o papel fundamental de mulheres artistas na história do cinema queer; e Les Garçons Sauvages, de Bertrand Mandico, uma fábula selvagem que remete para universos tão díspares como os de Kenneth Anger ou Júlio Verne. O prémio de Melhor Filme, no valor de 3.000€, é atribuído pela RTP2 pela compra dos direitos de exibição.

A par da Competição Oficial, o Teatro Rivoli também é palco da Competição “In My “Shorts”, de filmes de escola portugueses, onde participam alunos da Escola Superior de Artes e Design de Leiria, da Escola Artística de Soares dos Reis e da Escola Superior de Teatro e Cinema. O filme vencedor recebe um prémio em equipamento vídeo, oferecido pela Much Underwear, no valor de 400€, assim como uma formação oferecida pela Escola Restart, no valor de 500€.

O Teatro Rivoli acolhe ainda um programa sobre o universo da moda, onde são exibidos We Margiela, da produtora holandesa mint film office, que acompanha o nascimento da emblemática casa de moda dirigida pelo enigmático Martin Margiela, responsável por uma verdadeira revolução nesta indústria; o documentário Kevyn Aucoin - Beauty & the Beast in Me, de Lori Kaye, um impressionante retrato do maquilhador Kevyn Aucoin, já falecido, feito com base nos seus próprios registos vídeo caseiros, que capturam a sua vida pessoal e profissional; e George Michael: Freedom - Director’s Cut, de George Michael e David Austin, uma exaustiva viagem pela música e vida de uma das maiores estrelas pop contemporâneas cuja carreira atravessa mais de três décadas e que teve uma estreita relação com a moda, particularmente a partir do momento em que recusou aparecer publicamente na promoção das suas canções, dando azo ao mediático processo judicial do cantor, contra a Sony.

Programadores convidados da presente edição, Paulo Aureliano da Mata e Tales Frey, apresentam o programa “As Pinturas Fílmicas de Carolee Schneemann”, uma oportunidade única de ficar a conhecer a fundo uma das mais importantes performers norte-americanas e que constitui uma influência fundamental nas artes performativas queer até aos nossos dias. A par do documentário Breaking the Frame, de Marielle Nitoslawska, são exibidos dois filmes realizados pela performer: Interior Scroll - The Cave, 1975-1995 e Vulva’s School.

No Maus Hábitos, a sessão Queer Pop é este ano dedicada aos The Knife / Fever Ray. Formados em 1999 pelos irmãos Karin e Olof Dreijer, os The Knife lançaram discos que exploraram tanto o trabalho de composição com eletrónicas como redefiniram a forma de entender a música como força política, tomando espaços como a igualdade na distribuição da riqueza e a afirmação das identidades como algumas das suas causas. Depois do fim da dupla, Karin manteve-se fiel a estas ideias no projeto Fever Ray. E o vídeo foi sempre um aliado destas canções.

Continuando a cruzar linguagens e disciplinas, o Queer Porto 4 apresenta ainda outras propostas, como a performance Pussy. An ongoing performative research, de Liad Hussein Kantorowicz, a ter lugar no Maus Hábitos, uma provocadora performance que aborda e denuncia questões ligadas à discriminação contra as mulheres e à apresentação do feminino como objeto/sujeito sexual; assim como o espetáculo #LOSMICRÓFONOS, do grupo espanhol Mont de Dutor, que encerra o festival, na Mala Voadora, e que nos sugere um mergulho num universo comum que nos rodeia constantemente: a cultura pop.

Para a despedida da 4.ª edição do Queer Porto, a noite no Maus Hábitos conta com a participação dos DJ’s Simone e André Fonseca de Carvalho, dois conhecidos nomes da cidade do Porto que se juntam para celebrar entre ritmos dos oitentas e noventas, passando pela música eletrónica contemporânea. O momento erótico da noite chegará com o concerto do carismático Alexander Geist, apresentando o seu mais recente trabalho, "Speculative". Após ter viajado com os seus shows por palcos do mundo inteiro, o ícone disco-soul, convertido em figura de culto da cena underground europeia, chega ao Porto para nos demonstrar porque é considerado “Berlin’s daring darling” (como escreveu a ExBerliner) ou “a genre pushing queer act” (segundo The Quietus).



Fonte: Queer Lisboa