Links

NOTÍCIAS


ARQUIVO:

 


PEDRO CALAPEZ APRESENTA OBRAS INÉDITAS NA CASA-MUSEU MEDEIROS E ALMEIDA

2018-10-31




A Casa-Museu Medeiros e Almeida recebe, a partir de 6 de novembro, a exposição “Olhos nos Olhos: um poema elementar”, de Pedro Calapez. Neste trabalho que estará patente até 21 de dezembro, o artista apresenta 30 peças inéditas explorando diversos suportes, como pinturas, esculturas e obras sobre papel, dispersas pelos diversos espaços da Casa-Museu.

Este confronto entre as obras de Pedro Calapez, pensadas para as várias salas da Casa-Museu Medeiros e Almeida, e os objetos e o mobiliário que habitam este espaço convidam a uma nova forma de visitá-lo e a um novo olhar. Um olhar que remete o artista para a pintura de Matthias Grünewald (1470-1528), expressiva e teatral, com uma extensa paleta de cores. As telas de Grünewald não atingem diretamente o espetador, mas colocam-no como um elemento da imagem, gerando outros olhares, “olhos nos olhos”.

Pedro Calapez recorda ainda o livro “Do Natural, um poema elementar”, do escritor alemão W. G. Sebald, que aborda a vida e a obra de Grünewald. Todos os títulos das peças em exposição são retirados de excertos deste livro, prática habitual do artista, e que têm que ver com a natureza e com a forma como nos relacionamos com o mundo. Assim, encontramos títulos como “germinar, perdurar, propagar-se”, “o grito, o gemido e o gorgolejo” e “a dor passou para os quadros”.

“Esta casa foi habitada, mãos afagaram mesas e cadeiras, corpos se tocaram, livros foram abertos. A constatação dum espaço vivido, transformado posteriormente em espaço de exposição, levou-me a criar uma série de obras, num discurso autónomo. A sua colocação neste espaço confronta os possíveis percursos e as salas onde se encontram. O deambular do visitante vacila entre a impertinência dos objetos intrusos e a estabilidade dos consagrados. Num processo de comunhão interferente com a estabilidade da demonstração museológica manifesta-se assim um diálogo dependente intimamente do nosso olhar”, sublinha Pedro Calapez.

Pedro Calapez (Lisboa, 1953) começou a participar em exposições nos anos 70, tendo realizado a sua primeira individual em 1982. O seu trabalho tem sido mostrado em diversas galerias e museus tanto em Portugal como no estrangeiro sendo de salientar as exposições individuais ou coletivas em que participou: “Histórias de objetos”, Casa de la Cittá, Roma; Carré des Arts, Paris; Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa; Petit jardin et paysage, Capela Salpêtriére, Paris (1993); Campo de Sombras, Fundació Pilar i Joan Miró, Mallorca (1997); Madre Agua, Museo MEIAC, Badajoz e Centro Andaluz de Arte Contemporáneo, Sevilha (2002); Obras escolhidas, CAM-Fundação Gulbenkian, Lisboa (2004); piso zero, CGAC- Centro Galego de Arte Contemporáneo, Santiago de Compostela; Lugares de pintura, CAB-Centro de Arte Caja Burgos (2005); “There is only drawing", Fundação Luís Seoane, Corunha, Galiza (2013); “O Segredo da Sombra”, Fundação Carmona e Costa, Lisboa (2016). Nas diversas mostras coletivas destaca-se a sua participação nas Bienais de Veneza (1986) e S. Paulo (1987 e 1991); Tage Der Dunkelheit Und Des Lichts, Kunstmuseum Bonn (1999); EDP.ARTE, Museu de Serralves, Porto (2001); Beaufort Inside-Outside, Trienal de Arte Contemporânea, PMMK Museum, Ostende (2006); “La colección”, Fundación Barrié, A Coruña (2011); “Euroscope” (BEI Collection), Cercle Cité, Luxembourg (2015); “Backstories”, FASVS, Museu Vieira da Silva, Lisboa e Mudas, Museu de Arte Contemporânea da Madeira (2016); “Quote/Unquote. Entre apropriação e diálogo”, MAAT - Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia, Lisboa (2017); “Uma Coleção=Um Museu 2007/2017”, MACE, Elvas (2017); “BoPeep”, Sismógrafo, Porto (2018).


Fonte: Casa-Museu Medeiros e Almeida