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INSTITUIÇÕES DE ARTE DO BRASIL PERMANECEM FECHADAS CONTRARIANDO O PRESIDENTE BOLSONARO

2020-04-02




As instituições artísticas do Brasil estão a opor-se ao pedido do presidente Jair Bolsonaro para que as empresas reabram e as pessoas voltem ao trabalho. O presidente fez discursos nos quais afirma que as preocupações com o novo coronavírus são exageradas e tem sido duramente criticado pelos oponentes, pela autoridade sanitária brasileira e até por aliados políticos por adotar uma atitude tão desagradável em relação ao surto no país.

“Seguiremos diretrizes científicas, em vez de politicamente influenciadas, e continuamos a apoiar os nossos artistas, pois a galeria é uma plataforma para eles usarem as suas vozes”, disse Felipe Dmab, um dos co-fundadores da galeria Mendes Wood DM. Os três locais da galeria - em São Paulo, Nova York e Bruxelas - permanecerão fechados. A galerista Nara Roesler também disse que decidirá reabrir as suas galerias em São Paulo, Rio de Janeiro e Nova York, com base na recomendação da Organização Mundial da Saúde; e a Galeria Luisa Strina, em São Paulo, informou que avaliará a situação dentro de um mês.

O Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand diz que permanecerá fechado por um "período indeterminado", e a Pinacoteca em São Paulo ficará fechada até pelo menos meados de abril. Por ser uma instituição estadual, a Pinacoteca cumprirá as restrições impostas pelo estado de São Paulo. O Instituto Inhotim, em Minas Gerais, que foi fechado indefinidamente em 18 de março, está “a seguir as resoluções tomadas pelos órgãos oficiais de saúde e reavaliando a situação diariamente”, e segundo o site do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, a instituição permanecerá fechada em conformidade com o Ministério da Saúde e as instruções do governo estadual. Os museus apoiados pelo governo federal, no entanto, podem ser forçados a reabrir se o presidente emitir uma ordem para que o façam.

Apesar das garantias de Bolsonaro de que o COVID-19 é apenas "uma gripe", apenas três dos vinte e sete estados brasileiros revogaram as medidas de distanciamento social e, de acordo com o The Guardian, um estudo recente descobriu que 60% dos brasileiros se encontram em isolamento em casa. Wilson Witzel, governador conservador do estado do Rio de Janeiro e ex-aliado do presidente, desafiou o apelo de Bolsonaro para diminuir as restrições e disse a aos seus eleitores para não deixarem as suas casas.

João Doria, o governador de São Paulo, mantém a quarentena aos 44 milhões de habitantes do estado, e deixou clara sua opinião sobre como o país deve responder à pandemia quando declarou no início desta semana: “Não siga as orientações do presidente."


Fonte: Artforum