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A EXPOSIÇÃO TUTANKHAMUN NA GALERIA SAATCHI DE LONDRES PODE VIOLAR AS LEIS EGÍPCIAS DA ANTIGUIDADE: RELATÓRIO

2020-07-13




Antes dos museus do Reino Unido terem fechado por causa da Covid-19, mais de meio milhão de pessoas visitaram a Saatchi Gallery de Londres para ver "Tutankhamun: Tesouros do Faraó de Ouro", uma exposição com um grande número de artefatos egípcios de valor inestimável e que está em circulação mundial. A exposição, originalmente prevista para o dia 3 de maio, reabrirá à medida que as restrições de bloqueio diminuírem em todo o país. Mas uma investigação da BBC News sugere que o acordo para trazer artefatos do Egito para Inglaterra, acordado entre o governo egípcio e uma empresa privada, pode ter violado as leis da antiguidade egípcia.

A exposição foi proposta pelo famoso egiptólogo Zahi Hawass, uma figura controversa no Egito que foi ministro de Antiguidades sob o regime do presidente Hosni Mubarak, em colaboração com a empresa de eventos IMG de Nova York. Mais de 130 artefatos estão incluídos, três vezes a quantidade incluída em exposições itinerantes anteriores, sobre o Tutankhamun. A exposição foi anunciada como "a última oportunidade de ver estes artefatos do património mundial" antes da sua instalação permanente no Grande Museu Egípcio de Gizé, que está programado para abrir no próximo ano.

A investigação, liderada pela jornalista egípcia Gehada Abba, centrou-se no contrato entre o Ministério de Antiguidades e a IMG, que foi assinado em 2017. Nessa altura, a Lei de Proteção de Antiguidades do Egito afirmava que artefatos de valor único - ou seja, insubstituíveis ou sejam cópias únicas - só podem ser emprestados a órgãos públicos como “museus, instituições científicas ou estados”. Em 2018, a lei foi alterada para permitir a exibição internacional de alguns artefatos por um "período limitado", exceto aqueles que fossem exemplares únicos comprovados. Segundo o relatório, as autoridades tentaram defender as antiguidades como parte de uma série maior.

"As antiguidades egípcias são uma herança antiga da humanidade", disse Sayed Said à BBC, advogado egípcio que entrou com um caso no conselho estadual contra a circulação mundial dos artefatos, "Não é permitido tratá-los de maneira monetária ou materialista".

Em comunicado à BBC, a IMG disse que seguiu todos os procedimentos exigidos pelo Ministério Egípcio de Antiguidades, e que o contrato foi aprovado pelo Conselho Supremo de Antiguidades e pelo Primeiro Ministro do Egito. Hawass afirmou que ele é "um consultor pago da Exhibitions International MG para a exposição e que questões de legalidade deveriam ser direcionadas para o governo egípcio".

Fonte: ARTnews