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CENTENÁRIO DO TEATRO NACIONAL SÃO JOÃO JUNTA TRÊS DIRETORES ARTÍSTICOS

2020-07-14




As celebrações do Centenário do Teatro São João vão contar com uma programação que contempla um “elogio” aos diretores artísticos que passaram pela Casa e que contribuíram para a criação e desenvolvimento do tecido teatral do Porto e do país. São eles Nuno Cardoso, que assumiu o cargo no início de 2019; Nuno Carinhas, que desempenhou a função de diretor artístico entre 2009 e 2018; e Ricardo Pais, o “ideólogo” do primeiro Teatro Nacional criado a Norte e no pós-25 de Abril, responsável pela direção do Teatro Nacional São João (TNSJ) durante 12 anos.
 
De agosto de 2020 a março de 2021, a programação contempla 15 estreias, três produções próprias, quatro produções internacionais e mais de duas dezenas de coproduções, além de um reforço das propostas do Centro Educativo.
 
Depois de suspensa a programação prevista para os espaços geridos pelo TNSJ – que conta ainda com o Teatro Carlos Alberto (TeCA) e o Mosteiro de São Bento da Vitória – entre os meses de março e julho, a instituição garantiu o reagendamento de todas as coproduções para esta nova temporada de 2020/2021 e ainda o acolhimento de novos espetáculos nacionais e internacionais 
 
O arranque da temporada dá-se já no dia 6 de agosto com a estreia de “O Burguês Fidalgo”, a partir de Molière, uma coprodução da companhia portuense Teatro da Palminha Dentada e TNSJ que estará em cena no TeCA até 23 de agosto. Segue-se a produção própria do São João, “Castro”, de António Ferreira, com encenação de Nuno Cardoso, que se estreou no Teatro Aveirense, aquando do arranque do Centenário, reforçando a política de descentralização da Casa. O primeiro “exercício” da companhia quase residente do TNSJ sobe ao palco do São João entre 20 de agosto e 12 de setembro. “Castro” prossegue, depois, uma longa temporada fora de portas, com apresentações no Convento São Francisco (Coimbra), no dia 15 de outubro, e no Theatro Circo (Braga), no dia 23 de outubro. No início do próximo ano, o espetáculo pode ser visto no Centro Cultural de Belém (Lisboa), entre os dias 21 e 22 de janeiro, sendo que depois embarca em “voos” internacionais, apresentando-se, entre 5 e 6 de fevereiro, no Théâtre National du Luxembourg.
 
Depois de se apresentar enquanto diretor artístico do TNSJ com um dos textos matriciais da modernidade teatral – “A Morte de Danton”, de Georg Büchner – e, logo após revisitar um cânone da dramaturgia clássica portuguesa em “Castro”, o encenador Nuno Cardoso encena uma das obras mais ambíguas e terríveis de Jean Genet: “O Balcão”, misto de comédia erótica, drama metafísico e farsa fúnebre, a apresentar entre 4 e 21 de novembro, no TNSJ.
 
No dia 7 de março de 2021 – um ano após o arranque das comemorações do Centenário do Teatro São João –, estreia-se, no TNSJ, “À Espera de Godot”, de Samuel Beckett, que ficará em cena até dia 27 de março, Dia Mundial do Teatro. A produção própria da Casa conta com a encenação de Gábor Tompa, presidente da União dos Teatros da Europa (UTE), instituição que reúne alguns dos mais sonantes teatros europeus e do qual o TNSJ é o único representante nacional.
 
Para além de O Burguês Fidalgo, os espaços geridos pelo Teatro São João acolhem ainda as estreias “reagendadas” dos espetáculos de algumas das mais emblemáticas companhias da cidade Invicta. Numa coprodução ASSéDIO e TNSJ, o encenador Nuno Carinhas regressa para, juntamente com João Cardoso, estrear “Comédia de Bastidores”. Partindo do autor anglófono mais representado em todo o mundo, Alan Ayckbourn, e recuperando a tradução de Paulo Eduardo Carvalho, de 1997, o espetáculo ganha agora uma segunda vida no Porto.
 
Ao longo dos próximos oito meses de programação, vai ser possível compreender, sob um novo olhar, a obra “Antígona”, de Sófocles, com o Teatro Experimental do Porto ou “viajar” até Florença do século XVI para refletir sobre a fragilidade da condição humana face ao poder e a sua capacidade de dissimulação, com “Lorenzaccio”, do Teatro do Bolhão; celebrar as duas décadas de existência da companhia Circolando, com “20.20”; explorar a Língua Gestual Portuguesa como veículo primordial de comunicação, com “Língua”, da Estrutura; assistir ao fim de tudo, com a “Família Inglesa” da Mala Voadora; ou ser transportado para um grande estúdio de gravação, com “As Três Irmãs”, do Ensemble – Sociedade de Actores.
 

O regresso de O Olhar de Ulisses e a celebração da união além-fronteiras

Graças ao programa internacional O Olhar de Ulisses – iniciativa promovida pelo TNSJ e apoiada pela operação NORTE 2020 – vai ser possível assistir às criações de nomes incontornáveis do teatro europeu. “Bajazet, considerando o Teatro e a Peste”, de Frank Castorf, histórico diretor do teatro Volksbühne, em Berlim, propõe um teatro da palavra a partir dos textos de Jean Racine e Antonin Artaud. A estreia nacional dá-se no São João, nos dias 17 e 18 de dezembro. Já entre 8 e 9 de janeiro, o TNSJ acolhe “Qui a tué mon père”, uma história biográfica de um pai, com base nas turbulentas memórias de infância de um filho. O espetáculo conta com interpretação e encenação de Stanislas Nordey, diretor do Théâtre National de Strasbourg.
 
Integrado no Festival Internacional de Marionetas do Porto (FIMP), o TeCA recebe “KAMP”, uma criação de Herman Helle, Pauline Kalker, Arlène Hoornweg, que se mantém em repertório há 15 anos. O espetáculo da companhia Hotel Modern, que propõe uma viagem pelo quotidiano do campo de concentração de Auschwitz-Birkenau, pode ser visto nos dias 9 e 10 de outubro.
 
Fruto do acordo de cooperação celebrado entre o Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas de Cabo Verde, o Ministério da Cultura de Portugal e o TNSJ, “KastroKriola”, de Caplan Neves, com encenação de Nuno Cardoso, é apresentada entre 7 e 9 de março, no Salão Nobre. O projeto culmina uma residência artística de artistas e técnicos cabo-verdianos no TNSJ, em trabalho estreito com Nuno Cardoso e a equipa do São João.
 

Maratona de Tchékhov com Tónan Quito e regresso de Ricardo Pais

Com mais de 20 coproduções previstas até março de 2021, o palco do TNSJ prepara-se para acolher, a nova criação de Tónan Quito, que mais uma vez se “serve” de Anton Tchékhov, desta feita da adaptação de quatro das suas peças, para apresentar “A Vida Vai Engolir-vos”. O espetáculo-maratona, que convoca as peças maiores do repertório tchekhoviano, divide-se em duas partes que se apresentam alternadamente nos palcos do São João (18 e 19 de setembro) e do Rivoli (17 e 19 de setembro).
 
Depois de apresentar uma das mais marcantes produções do TNSJ, “Turismo Infinito”, no dia em que se assinalou o arranque das comemorações do Centenário, Ricardo Pais regressa a “casa” com “talvez… Monsanto”. Esta “coreografia” de sinais, gestos, imagens e sons, que representa a imensa tristeza e ao mesmo tempo alegria de ser português, resulta de uma expedição pela aldeia histórica da beira. O espetáculo, que conta com a atriz Luísa Cruz e o fadista Miguel Xavier, sobe ao palco do São João de 3 a 5 de dezembro.
 

Ciclo Dancem! regressa em janeiro

Desde 1996, com intermitências várias, o ciclo Dancem! regressa no próximo ano. Dancem!21 congrega três espetáculos que, de alguma forma, trabalham uma ideia de paisagem. Em Sons Mentirosos, peça para crianças de Sofia Dias & Vítor Roriz, uma paisagem sonora falsa, mas que parece natural, é criada por um foley, um artista para quem os sons são matéria moldável. A coreógrafa Né Barros prossegue uma pesquisa recorrente em torno da paisagem e do corpo como paisagem em “Neve”. “Autópsia”, de Olga Roriz, interioriza nos solos iniciais dos seus intérpretes toda a dor causada por mão humana inscrita em seis paisagens do planeta (Chernobyl ou a ameaçada Antártida, por exemplo).
 

Exposição sobre os cem anos do São João em dezembro

O TNSJ inaugura, em dezembro, uma exposição sobre os seus 100 anos, que contemplará diversos eixos temáticos – da arquitetura à história do edifício e dos seus usos, passando pela relação com a cidade e a história do país. O encerramento da exposição, em março de 2021, coincidirá com a publicação de um catálogo, que fixará em livro o trabalho realizado e o arquivo visual e literário que foi objeto de tratamento e exibição, mobilizando documentos escritos, testemunhos, registos fotográficos e objetos encontrados.
 

Coleção Empilhadora

O TNSJ coloca ainda em movimento, nesta nova temporada, a Empilhadora, uma nova coleção que reúne títulos de história e estética teatral, ensaio e biografia. O projeto avança com dois títulos: O Repúdio do Conhecimento em Sete Peças de Shakespeare, de Stanley Cavell, filósofo norte-americano que nos guia, com mestria, pelos meandros de um “mapa do ceticismo” que recobre os destinos de algumas das mais imorredoiras personagens do teatro universal; e Olhai a Neve a Cair, de Roger Grenier, um livro despudoradamente rendido ao prazer infundido pela obra de Tchékhov.






FONTE: Teatro Nacional São João