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NOVAS TENDÊNCIAS DO MERCADO DE ARTE DETERMINAM FECHO DE GALERIA VETERANA2012-08-16Após 40 anos no mercado artístico, a respeitada galerista Margo Leavin é obrigada a fechar actividade. O declínio do modelo convencional de galeria causou uma outra vítima, com Margo Leavin a anunciar que vai fechar a sua galeria no final de setembro, depois de mais de 40 anos no ramo da arte contemporânea. Respeitada internacionalmente, a galeria foi inaugurada em 1970 e representou artistas como John Baldessari, William Leavitt, Claes Oldenburg e Lynda Benglis. Em declarações ao jornal Los Angeles Times, o seu parceiro de negócios, Wendy Brandow, atribuiu a decisão à mudança de atitudes verificada no mercado de arte. “Hoje, as pessoas aproximam-se da arte de forma diferente. Não estão dispostos a reflectir e a procurar o statement do artista quando ele cria uma exposição para uma galeria”, afirma Brandow. “As exposições têm sido uma parte tão importante do que fazemos e na verdade já não são tão valorizadas pelo público.” Leavin também culpou a crescente importância das feiras de arte: “Não é assim que gostamos de fazer negócios. Produzir trabalhos para uma feira de arte não é o que os nossos artistas fazem.” De acordo com um relatório divulgado pela Cinoa (Confédération Internationale des Negociants en Oeuvres d’Art) no ano passado, o modelo de galeria tradicional está em declínio, as visitas diminuíram e o mercado de arte está a expandir-se através das feiras de arte e dos meios eletrónicos. Sobre esta realidade, Dominique Lévy, da L & M Gallery, constatou: “Nós fazemos mais negócio nas feiras do que na galeria”. András Szántó, consultor e editor da publicação The Art Newspaper, acrescenta: “As feiras têm feito muito bem em explorar uma fraqueza estrutural do sistema galerístico – que é imperfeito e sustentado em mercados locais.” Com a recessão desses mercados durante a crise, “o peso total deslocou-se para clientes que não vivem onde nós trabalhamos e só poderemos atendê-los nas feiras de arte”, disse o galerista David Zwirner. Segundo um recente relatório da Capgemini, a região Ásia-Pacífico superou o Ocidente, em termos do número de indivíduos com activos investidos na ordem de 1 milhão de dólares ou mais. Não é por acaso que a Hong Kong Art Fair (Art HK), em que a Art Basel comprou uma participação de 60% em maio, atraiu em 2011 as atenções dos galeristas ocidentais. O crescimento das feiras de arte é contudo acompanhado de enormes encargos financeiros para as galerias, que têm de contar com custos avultados para suportar a sua participação nestas feiras, há que pagar o aluguer do espaço, as viagens e a deslocação do material e do seu staff. Se o modelo de galeria tradicional pode sustentar tudo isso é o que estamos para ver. Alguns pensam que não. “É mais prático e inspirador trabalhar num formato menos convencional, ter um escritório e uma plataforma, e desenvolver projetos temporárias e fazer mostras esporádicas”, disse o galerista Matthias Arndt, de Berlim, quando anunciou no início de 2011 que a sua galeria só passaria a abrir para apresentar exposições esporádicas. “Estamos a viver uma grande mudança sistémica”, disse András Szántó. “A expansão do negócio leiloeiro e das feiras de arte está a questionar o sistema galerístico tal como ela evoluiu no século XX. “Um punhado de galerias, incluindo a Gagosian, Hauser & Wirth e David Zwirner “já se afastou do bloco, mas a questão é, onde é que isso conduzirá a actividade regular das galerias?”, acrescentou. Dominique Lévy é otimista. “A proliferação de feiras é ridículo. Eles vão estrangular um ao outro no final”, disse, sugerindo que os benefícios à moda antiga de uma galeria podem, de facto, ser a chave para a sua sobrevivência. “O segredo é informar os novos compradores de todas as opções que disponibilizamos – as galerias oferecem um serviço especial, quer se trate de cuidar do transporte, de instalar as obras, orientando os empréstimos das obras para exposições ou negociar o seguro das peças. Os colecionadores vão perceber [isso]”, argumentou, sem deixar de acrescentar que “pode ser mais tarde [sim] do que mais cedo”. Várias iniciativas desenvolvidas na web, incluindo a feira de arte VIP, Art.sy e Paddle8, surgiram recentemente. No entanto, os galeristas continuam convencidos de que o negócio online está traçado para um segmento de mercado de valores mais modestos. “Há um grande potencial para as obras mais baratas ... e ninguém vai gastar uma quantia enorme num trabalho sem vê-lo”, disse Christophe Van de Weghe, especialista em mercado secundário em Nova Iorque. “O limite de preço confortável é 100 mil dólares”, confirmou Alexandre Gilkes, co-fundador da Paddle8. Disponível em: www.theartnewspaper.com |
















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