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PRIMEIRA APRESENTAÇÃO MUNDIAL DE `LONG DISTANCE EXQUISITE CORPSE´, DE TED JOAN, ACONTECE EM LISBOA

2019-03-11




A 16 de março Lisboa acolhe duas estreias: uma exposição individual do artista norte-americano David Hammons, que apresenta Ted Joans: Exquisite Corpse, e a primeira apresentação pública mundial desta obra de Ted Joans, realizada entre 1976 e 2005 e na qual participou, entre outros, Mário Cesariny.

Inspirado num jogo criado pelos surrealistas franceses por volta de 1925, o poeta Ted Joans (1928-2003) iniciou, em 1976, o projeto coletivo Long Distance Exquisite Corpse. Dobrando uma folha de papel várias vezes, cada participante criou uma imagem, deixando uma linha na dobra para o participante seguinte ligar a sua. Os trabalhos artísticos que daí resultaram seguem, geralmente, uma lógica humorística ou confrontante. Explorando noções surrealistas do inconsciente, as obras vivem na tensão entre o colaborativo e o individual, o consciente e o acaso, o desenho e o objeto.

Ao longo dos anos, Joans viajou pelo mundo pedindo a artistas e escritores - incluindo surrealistas europeus, escritores nigerianos e sul-africanos, poetas e músicos de jazz americanos, pintores e intelectuais mexicanos - para adicionar um desenho ao projeto engenhosamente criado em forma de acordeão, a partir de um vulgar papel contínuo de computador.

Como Joans refere numa entrevista, “Long Distance Exquisite Corpse é a ideia em construção de uma autoria coletiva ou colaborativa, na qual uma ininterrupta composição produz um significado indeterminado através da intervenção de cada participante”. A inovação deste processo de cadavre exquis é a variação das distâncias entre os participantes, que podem conhecer-se e assistir à adição dos respetivos desenhos, ou estar separados por milhares de quilómetros e apenas serem conectados pelo próprio Joans.

Entre os 132 autores que participam no projeto contam-se o português Mário Cesariny e o moçambicano Malangatana.

Esta é a primeira apresentação pública da obra Long Distance Exquisite Corpse (1976-2005), de Ted Joans.

Participam também, entre outros, James Rosenquist, Dorothea Tanning, Larry Rivers, Bruce Conner, David Hammons, Paul Bowles, Allen Ginsberg, William S. Burroughs, Barbara Chase-Riboud, Cecil Taylor, Michel Leiris, Dick Higgins, Alison Knowles, Wole Soyinka, Konrad Klapheck, Roberto Matta, Bill Dixon, Stanley William Hayter, Breyten Breytenbach, Octavio Paz e Laura Corsiglia.
Em 2001, David Hammons filmou Ted Joans desdobrando a longa obra de arte pelo apartamento de Robin e Diedra Harris-Kelley, em Nova Iorque, onde, em conjunto com a artista Laura Corsiglia, analisam cada desenho e as histórias criativas e pessoais da, aparentemente, interminável lista de participantes. A câmara segue o desdobrar da obra, enfatizando a sua fisicalidade, o processo ativo necessário para com ela dialogar e a impossibilidade de a visualizar integralmente de uma só vez.

A obra colapsa em fragmentos, mas interliga os seus participantes globais, dobrando, desdobrando, obscurecendo, revelando, atravessando grandes distâncias. Hammons acrescenta o seu próprio desenho, dando seguimento à transmissão de longa distância. Como Corsiglia reflete, Long Distance Exquisite Corpse é "o mapa para um tesouro de amizades que se expande através do tempo, do espaço e das disciplinas".

O filme Ted Joans: Exquisite Corpse (2001-2018), de David Hammons, é uma produção da Maumaus / Lumiar Cité.

Depois de uma primeira exibição em Dakar, em 2018, o filme mostra-se agora no espaço Lumiar Cité.



Fonte: Lumiar Cité