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TERESA VILLAVERDE LANÇA PRIMEIRO LIVRO: "SEM FIORDES. CAOS E/OU O PROCESSO CRIATIVO"

2019-11-28




A cineasta Teresa Villaverde acaba de lançar o seu primeiro livro: Sem Fiordes. Caos e/ou o processo criativo, uma edição Livros Cotovia.

A apresentação do livro realiza-se no dia 7 de Dezembro, às 17:00, no salão de festas do Edifício das Águas Livres, em Lisboa, com a presença da autora, do escultor José Pedro Croft e da jornalista Maria João Seixas.

Segundo Teresa Villaverde, "o texto foi escrito na ressaca de um filme, o Transe (2006), filmado na Rússia, na Alemanha, em França, e em Portugal. O primeiro dia de rodagem foi a bordo de um quebra gelo no mar Báltico, o último perto de Lisboa num dos dias mais quentes daquele ano, 60 graus de amplitude térmica. Por muitas razões, para além dessas, foi um dos filmes mais duros que fiz.

Quando considerei o filme pronto, não percebi logo que em mim aquele tempo não estava completamente fechado, nem que se tinha confundido com muitas outras coisas que eu já tinha vivido antes. Penso que este texto vem inconscientemente da necessidade de despir tudo o que sobrou.

A vontade de partilhá-lo agora, porque podia tê-lo deixado numa gaveta em vez de agora o ter trabalhado, organizado, limpado, vem da noção de que ainda me sobra mais uma camada para largar, vem da esperança ingénua de que ao partilhá-lo essa camada desapareça.

O processo criativo tem várias fases, sobretudo quando o que se está a criar é um filme que já de si tem várias fases quase estanques. Começa-se pela escrita, imagens soltas, vozes vagas de pessoas que não sabemos quem são, lugares primeiro totalmente desconhecidos. Tudo se vai acumulando até formar um caos que é preciso começar a organizar. No caso do cinema vem ainda depois a coisa material de procurar o dinheiro, de procurar os actores, os colaboradores, encontrar os lugares reais que possam tomar o lugar dos imaginados. Mas na rodagem já não pode haver caos. Na rodagem só pode haver pensamento organizado. Depois escreve-se de novo porque a montagem é uma outra forma de escrita, e depois vem o som, e por aí a fora. É um processo muito longo onde não se pode perder o foco, mas ao mesmo tempo, não se pode esquecer nunca o caos de onde primeiro partimos. Não é fácil. Ouvi o maestro Celibidache explicar isto de uma forma muito bonita, disse que no momento exacto de chegar à última nota quando acabava de dirigir uma sinfonia, se nesse momento conseguisse sentir que tinha acabado exactamente no mesmo ponto onde tinha começado, e conseguido durante toda a direcção não largar esse lugar, era quando ele sabia que tinha conseguido fazer o que estava certo.

Este Sem Fiordes trata do momento em que ainda quase só há o caos”.

O livro está à venda na Cotovia (livraria e em www.livroscotovia.pt) e em diversas livrarias do país, com o preço de 13,00€.