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MURAL DE KEITH HARING EM AMESTERDÃO VAI SER RESTAURADO

2020-06-30




O mural do Keith Haring em Amesterdão está pronto para ser restaurado. Os conservadores vão reparar as perdas de tinta e proteger o mural contra as intempéries. A obra foi realizada em 1986.

Impulsionados pelos esforços bem-sucedidos para conservar murais ao ar livre de Keith Haring noutras localizações, os conservadores esperam que o recente alívio das restrições de viagens na Europa lhes permita começar o trabalho nos próximos meses. O mural de Amesterdão sofreu perdas significativas de tinta desde que o artista o criou em 1986 e tem sido o foco de uma campanha local que exige o restauro desde que foi descoberto em 2018.

Haring, conhecido pelo seu fervoroso compromisso de tornar a sua arte gráfica o mais acessível possível ao público, pintou o mural durante o período em que visitou Amesterdão para a sua primeira exposição individual no Museu Stedelijk. Como já lhe era característico “ele estava no meio de um frenesi de pintura, do estilo: Alguém me encontre uma parede!'” Diz Will Shank, um conservador americano independente que espera restaurar o mural com o seu colega italiano Antonio Rava num período de quatro a seis semanas.

Quando esta parede de tijolos foi encontrada em 1986 num prédio que foi usado como um depósito de arte do Stedelijk nos jardins do Mercado Central da cidade. "Haring disse: 'Alguém me arranje um pouco de tinta!'", Conta Shank. Nos seus murais ao ar livre, Haring confiava na "boa fé" e na disponibilidade de tintas comerciais que estivessem disponíveis - neste caso, uma tinta alquídica à base de óleo que "não tem um bom histórico de resistência ao ar livre", acrescenta o conservador.

Haring pintou diretamente no tijolo uma linha branca de titânio sem esboços preliminares, começou no canto superior direito e gradualmente desceu para o canto inferior esquerdo, diz Shank. A imagem, que mede 12 a 15 metros, é altamente incomum na obra do artista: uma figura com cabeça de cão, corpo de lagarta, braços humanos e rabo de peixe, com uma pessoa montada nas costas. “A sua linha era tão confiante - que ele não cometeu erros", diz Shank, que também restaurou os murais de Haring em Paris e Pisa.

No entanto, “algumas pessoas mencionaram o momento difícil que Haring teve para que a tinta aderisse à parede que estava húmida”, diz Shank. Como resultado, cerca de 20% da linha branca que Haring pintou não ficou e é isso que terá que ser restaurado. Acrescenta dificuldade do restauro o facto da parede ser feita de dois tipos de tijolos - vermelho e amarelo - e os amarelos são menos porosos e retêm menos tinta. “Vamos fazer uma experiências no andaime com diferentes tipos de tinta para garantir que ela adere aos dois tipos de tijolos”, diz Shank. (Rava assume que eles acabarão por usar uma variedade de acrílico.) Um revestimento protetor de resina hidrorepelente será então aplicado para proteger a linha de tinta branca da chuva, sujidade e raios ultravioletas.

Em 1994, o prédio mudou de proprietário e passou a ser um edifício de armazenamento refrigerado de alimentos, o que levou à cobertura do exterior com uma fachada de alumínio, o que acabou por esconder completamente o mural. Apesar de algumas perdas de tinta, “a tela de metal protegeu-o da chuva, dos insetos e dos pássaros” nas duas décadas seguintes, diz Rava.

O interesse pelo trabalho ressurgiu em 2014, quando o artista de graffiti holandês Aileen Middel, também conhecido como Mick La Rock, se deparou com uma fotografia e se perguntou o que teria acontecido ao mural. Entretanto, contactou a Fundação Keith Haring, o colecionador e galerista Olivier Varossieau e o Museu Stedelijk que liderou uma campanha de apoio para remover os painéis em 2018.

Os custos do restauro ascendem aos 180.000€ e serão financiados em partes iguais pela Fundação Keith Haring, o município de Amesterdão e Marktkwartier, um consórcio de agências imobiliárias, a Ballast Nedam Development, parte da Rönesans Holding e a VolkerWessels Vastgoed BV, proprietários do edifício nesta área da cidade.

"O que eu acho realmente fantástico é que este projeto foi instigado por um esforço popular", diz Shank. "As pessoas em Amesterdão disseram: 'Devolvam-nos o nosso mural'. E garantiram que os proprietários soubessem exatamente o tesouro que tinham em mãos e do qual eram donos".





FONTE: The Art Newspaper