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OPINIÃO


Retrato Rainha Nzinga - O retrato ilustra a pseudo-imagem da soberana, reconstruída no século XIX pelo pintor francês Achille Devéria (1800-1857)


Rainha Nzinga a fumar, 1670s. Fonte: Ezio Bassani [1]


Rainha Nzinga com o seu séquito militar, Reino de Matamba (Angola), 1660s. Fonte: Ezio Bassani [1]


Rainha Nzinga com o seu séquito militar, Reino de Matamba (Angola), 1660s. Fonte: Ezio Bassani [1]


Encontro da Rainha Nzinga com João Correia de Sousa, governador de Luanda. Fonte: Giovanni Antonio Cavazzi [2]


Rainha Nzinga com crucifixo e cena de refeição. Fonte: Giovanni Antonio Cavazzi [2]


Baptismo da Rainha Nzinga e cerimónia de fumo para o seu irmão morto. Fonte: Giovanni Antonio Cavazzi [2]


Procissão fúnebre da Rainha Nzinga. Fonte: Giovanni Antonio Cavazzi [2]

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PARTE II - A FAMOSA RAINHA NZINGA (OU NJINGA) – TÃO AMADA, QUANTO TEMIDA E ODIADA, EM ÁFRICA E NO MUNDO



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Abundam estudos e todo o tipo de obras artísticas e literárias, sobre a rainha angolana Nzinga Mbandi, desde o século XVII à atualidade. É uma das personalidades mais famosas da história centro-africana e a rainha de Angola melhor documentada.

No RCAAP - Repositório Científico de Acesso Aberto de Portugal, encontramos a dissertação de mestrado Nzinga Mbandi e as guerras de resistência em Angola. Século XVII de Mariana Bracks Fonseca, apresentada em 2012 ao departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo; o trabalho universitário de licenciatura (Des) naturalizando os “nossos naturaes”: Poder político e escravização no Kongo, à época de Afonso I Mwemba Nzinga de Robinson Gonçalves Oliveira, apresentado em 2013 ao departamento de História da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Na Porbase – Base Nacional de Dados Bibliográficos, descobrimos nove títulos publicados, sendo um deles caderno de atividades do ensino secundário: L´ancien royaume de Congo: Fondation, decouverte, premiere évangélisation de l´ancien royaume de Congo: Regne du grand roi Affonso Mvemba Nzinga (1946) de Jean Cuvelier; Nzinga Mbandi (1979), um romance de Manuel Pedro Pacavira; Rainha Nzinza e o traje e os “primitivos” angolanos do séc. XIII (1998), o catálogo da exposição da pintora Gracinda Candeias organizado pelo Museu Nacional do Traje; Nzinga: Resistência africana à investida do colonialismo português em Angola, 1582-1663 (1982) de Roy Arthur Glasgow; Nzinga: Os descendentes (2005) de Kiesse-Olo; A Rainha Nzinga Mbandi: História, memória e mito (2012), catálogo organizado por Inocência Mata para o Colóquio Internacional sobre a Rainha Nzinga Mbandi em Roma (2010).

Mariana Bracks Fonseca explica o fascínio do personagem, na sua dissertação de mestrado em História Social: “Entendemos Nzinga como a principal líder da resistência contra a presença portuguesa em Angola no período, pois além de dar asilo a centenas de escravos fugidos dos portugueses, impediu feiras e desorganizou a cobrança dos impostos”. Queixa-se, porém, de a literatura europeia a descrever como tirana selvagem de hábitos canibais e das religiões africanas estarem associadas a atos satânicos. Para a investigadora, Nzinga, que se alia aos jaga para defender os seus territórios, é representada como uma besta.

O autor francês Jean-Louis Castilhon (1720-1782), em Zingha, reine d´Angola (1769) – segundo a UNESCO "o primeiro romance histórico sobre África que propõe uma perspetiva anti-colonialista" –, destaca as suas alianças com os portugueses para destruir os inimigos africanos e enriquecer com o tráfico de escravos. Na opinião de Mariana Bracks Fonseca, este romance explora a homosexualidade de Nzinga sem base documental, descrevendo-a vestida de homem enquanto os vários concubinos se travestem de mulher e a tratam como rei.

Perguntamos:
E quão promíscuo se revela o século XVIII nas cortes europeias, em especial em França onde um Rei-Sol "prostitui", em Versalhes, a sua própria aristocracia por vingança?

Segundo a referida investigadora, até o Marquês de Sade (1740-1814), aristocrata francês e escritor libertino, perseguido e encarcerado várias vezes, se entusiasma com as ideias da femme fatale de Castilhon, “capaz de assassinar e comer seus amantes e inimigos”, apropriando-se desta imagem. No século XIX, o filósofo alemão Hegel (1770-1831) reforça a visão ao afirmar que a história não pode existir em África onde o homem vive no estado selvagem sem capacidade de formar uma cultura.

E perguntamos:
É menos selvagem uma Inquisição que começa em França, no século XII, e termina em Portugal no final do século XVIII, 100 anos depois de Nzinga?

Aliás, em Portugal, o primeiro “auto-de-fé” data de 1540, quase 60 anos depois da descoberta de Angola (1482), pelo navegador português Diogo Cão, e 42 anos antes do nascimento da rainha Nzinga.

De acordo com o historiador e ativista americano, Henry Charles Lea (1825-1909), entre 1540 e 1794, os tribunais de Lisboa, Porto, Coimbra e Évora queimam 1.175 pessoas vivas, queimam a efígie de outras 633 e impõem castigos a 29.590 seres humanos. Como a documentação de 15 dos 689 “autos-de-fé” desaparece, estes números podem subestimar levemente a realidade.

Até pelo Vaticano passam os chamados “papas do mal”, pelo que enumeramos alguns dos séculos XV-XVI, após a descoberta de Angola e antes do nascimento e reinado de Nzinga: Papa Alexandre VI (1492-1503), Papa Júlio II (1503-1513), Papa Leão X (1513-1521), Papa Clemente VII (1523-1534). Os dois últimos pertencentes à Casa dos Medici, o primeiro à Casa dos Borgia e o segundo, sobrinho do Papa Sisto IV (1414-1484) que estabelece a Inquisição Espanhola – ambos membros de uma modesta família da Ligúria, os Rovere. Clemente VII prepara o que considera "o maior casamento do mundo", o de Caterina di Medici com o delfim de França, 14 anos depois coroado rei Henri II (1519-1559). Consta que se não fosse Caterina, e o "sangue forte" dos Medici a correr nas suas veias, os filhos jamais tinham chegado ao poder.

Só hoje, na segunda década do século XXI, o Papa Francisco apoia a igualdade das religiões e mostra humanidade: “Todos somos filhos de Deus. (...) Que o diálogo sincero entre homens e mulheres de diferentes religiões produza frutos de paz e de justiça.”
(Embora, já antes, João Paulo II tenha aberto o caminho – o Papa que mais países visita em todos os tempos.)

E apontamos, nós europeus, Nzinga e os africanos?!

 

 

A fama internacional

Mariana Bracks Fonseca faz ainda referência a historiadores portugueses do século XX que, para amenizarem a má fama da rainha que "escandaliza" o mundo, reforçam a sua conversão ao catolicismo e as relações harmoniosas que mantém com os missionários e governadores em Luanda. O missionário belga, Jean Curvelier (1882-1962), contribui para a divulgação da história de Nzinga pela Europa do século XX, mas com muitas imprecisões.

O livro do missionário capuchinho, Giovanni Antonio Cavazzi de Montecuccolo, Istorica descrizione de tre regni Kongo, Matamba ed Angola (1687), é ainda hoje a obra mais pormenorizada e rica em informações à luz da época da rainha angolana Nzinga Mbandi, ilustrada por numerosas gravuras com elementos etnográficos úteis sobre a vida quotidiana das referidas regiões, por sua vez inspiradas em aguarelas inéditas encontradas no Manuscrito Araldi, o original de Cavazzi.

No livro Nzinga Rainha de Angola. A relação de Antonio Cavazzi de Montecuccolo (1687), o prefácio de Linda Heywood e John Thornton, esclarece: “As visões negativas de Cavazzi contrastam bastante com as de Gaeta, seu conterrâneo na corte de Njinga (…)” que revela ser “o mais positivo de todos os missionários desta época”. Para Gaeta, a conversão de Nzinga é um milagre que a transforma numa verdadeira cristã. Descreve-a quase como uma santa e, com razão, porque assim a rainha se comporta a seus olhos rendida aos mistérios do "Deus dos católicos".

Já Cavazzi, acredita que Nzinga é má em essência e converte-se apenas para se vingar do irmão que mata o sobrinho (único filho de Nzinga) e esteriliza as três irmãs princesas para que seja o filho dele o único pretendente legítimo ao trono. Nzinga precisa da espada dos portugueses, como aliada, para se vingar.

O rei, seu pai, Mbandi Ngola, ama-a mais do que a todos os outros filhos apesar do seu nascimento ter sido anunciado, pelos adivinhos, como de mau presságio por nascer com o cordão umbilical à volta do pescoço. O rei morre de velhice e sucede-lhe o filho Ngola-a-Mbandi que, rapidamente, se mostra indigno da coroa. Convencendo-se que as irmãs, as princesas Nzinga, Kambo e Funji, e o único sobrinho, lhe podem tirar o poder absoluto, rouba a vida ao jovem príncipe sem piedade e torna as irmãs estéreis por meio de água a ferver e ferros em brasa.

Nzinga usa a inteligência para se vingar, dissuadindo o irmão a investir contra os portugueses pela terceira vez. Uma vez derrotado, refugia-se numa pequena ilha do rio Kwanza. “Aí, cercado pelos inimigos, abandonado pelos seus, espantado por ver as águas revoltas a rodeá-lo, prontas a engoli-lo, os animais selvagens a devorá-lo (…)”, suicida-se com veneno administrado por Nzinga que assume os títulos de rainha do Matamba (constituído por províncias do reino do Congo que se separam) e do Ndongo (ou Angola) – a pretexto de os reservar para o verdadeiro herdeiro, o sobrinho que acaba por degolar, assim como o jaga a quem o jovem príncipe herdeiro é confiado para educar e proteger. Nzinga manda degolar também toda a família real, poupando apenas as irmãs Kambo e Funji, o que a torna odiosa aos olhos de todos.

Flávia Maria de Carvalho, no artigo anteriormente citado, revela que os jagas “eram um grupo multi-étnico, de maioria imbangala, formado por homens que viviam de atividades relacionadas à guerra. Seus hábitos violentos eram sinônimos de ameaças entre os reinos e sobados da África Centro Ocidental”.

No livro Nzinga Rainha de Angola. A relação de Antonio Cavazzi de Montecuccolo (1687), a heroína angolana é descrita como “extremamente vingativa” e com uma ferocidade que ultrapassa todos os limites do real e do imaginário. Não é, porventura, fácil ser rainha num mundo de homens guerreiros e, pior, rainha dos jaga canibais. Consta que, mesmo não apreciando carne humana, Nzinga esconde a repugnância para ser mais respeitada pelo seu povo.

A fúria só abranda no fim da vida e com o temor ao “Deus dos católicos”. Isto, por motivo do padre Agostinho Flores ser preso e morto por um dos seus soldados que o resolve comer com outros companheiros: “(…) à primeira facada que deu para lhe arrancar um pedaço e o devorar, caiu fulminado (…)”. Mal sabe, Nzinga proíbe de imediato a matança de “padres dos brancos” e chega a visitar os prisioneiros cristãos, oferecendo-lhes “(…) uma grande quantidade de cruzes, de medalhas, de rosários e de livros espirituais (…)”, fortificando mais a crença quando, um holandês ao proferir blasfémias contra o crucifixo ofertado, cai também fulminado.

Nzinga volta a converter-se e, em troca de paz, pede ao governador de Luanda, a devolução de uma das irmãs prisioneira dos portugueses (a outra sofrera o castigo das suas conspirações) que o padre capuchinho Antonio da Gaeta leva a Matamba em troca de 300 escravos: “(…) Abro os olhos neste momento e, por amor do verdadeiro Deus que sacrilegamente reneguei, peço à sua infinita misericórdia uma paz inviolável para mim e para vós que me haveis seguido nos tumultos da guerra. Espontaneamente, regresso a essa fé que abandonei na minha loucura, desprezando a minha alma e a dos outros. Odeio a seita e os ritos ímpios dos jaga; proscrevo-a do meu coração e do meu reino”.

O missionário protestante suíço, Héli Chatelain (1859-1908), que vai várias vezes a Angola, no final do século XIX, queixa-se da falta de estudos e obras credíveis sobre África e os africanos – o que podemos estender a Nzinga e à sua corte. “Ninguém pode negar que, antes de uma pessoa poder ser julgada, o seu carácter deve ser estudado e considerado. (…) Em África, onde não é fácil o contacto íntimo com os nativos, e onde não existe uma literatura escrita, o único meio de penetrar no carácter e na forma moral e intelectual das raças e tribos é fazer um estudo completo das suas instituições sociais e religiosas, e da sua literatura oral, ou seja do seu folclore. Nas últimas duas décadas os livros de viajantes africanos (…) vestuário nativo, armas e costumes estranhos – foram descritos e poucas vezes com exatidão. (…) o mundo moral e intelectual da África é hoje tão ‘terra incógnita’ como o mundo geográfico era há cinquenta anos. O insucesso dos exploradores africanos (…) é devido, primeiro que tudo, à sua ignorância das línguas nativas e à sua vagabundagem, e ainda à sua falta de treino ou gosto à mais nova das ciência (…)” – o folclore.

O linguista suíço que desembarca pela primeira vez em Angola, em 1885, estuda a língua Kimbundu e escreve o manuscrito Contos populares de Angola, explicando nessa obra publicada, em 1894, nos EUA (só no ano de 1964 o livro é publicado, em Língua Portuguesa, pela Agência Geral do Ultramar), que: “Noutros tempos, cada tribo tinha um grande chefe ou rei. Agora a única tribo que ainda possui um grande chefe é a Ngola, ainda independente e com um sistema de nobreza electiva e hereditária. (…) A organização da família é, em Angola, similar à de muitas tribos bantas. Como a paternidade nunca é absolutamente certificada, enquanto que não pode haver dúvidas sobre a maternidade, é a mãe e não o pai quem determina a consanguinidade ou parentesco e a sucessão ou hereditariedade. (…) Ao tio pertencem os sobrinhos e sobrinhas, e por isso podem vendê-los. Eles são os seus herdeiros não só da propriedade privada mas também da chefia se o tio for o chefe”.

Este testemunho, cerca de 200 anos após a vida de Nzinga, leva-nos a compreender o passado cultural e a reconhecer os juízos precipitados.

Chatelain defende ainda que, apesar de Angola ser constituída por diferentes tribos, os seus habitantes não têm traços característicos – o que é impossível de preservar em regiões onde a escravatura, o comércio de escravos e a poligamia dominam centenas de anos. Contudo, escreve que: “(…) Os I-mbangala, Mbondo e Mbaka, são, por assim dizer, de uma estatura mista mas um pouco magros, de cor carregada e compleição vigorosa. Os Ngola, em regra, são altos e magros, de feições simétricas e de rosto oval, com belas mãos (…)”.
Durante a guerra civil, estendida a 27 anos (1975-2002), as populações fogem do interior para se concentrarem no litoral, sobretudo em Luanda, sendo por isso, atualmente, ainda mais difícil encontrar um tipo tribal puro. Salvo o povo mucubal do deserto do Namibe, atrevemo-nos a dizer.

 

 

Quem mais perto está de Nzinga

No artigo anteriormente citado, Alberto Oliveira Pinto escreve que “(...) as referências escritas mais remotas à Rainha Njinga Mbandi (c. 1582-1663) constam das crónicas de três autores seus contemporâneos, dois italianos e um português”. O primeiro, António da Gaeta (1617-1662), é um capuchinho desembarcado em Luanda em 1654, liderando uma missão de sete religiosos destinada ao Congo. "Uma vez desembarcados, o padre Serafim de Cartona, Prefeito da Missão da Matamba, com sede em Luanda no Convento de Santo António dos Capuchinhos, distribui estes sete missionários pelas várias províncias, cabendo a António da Gaeta precisamente a corte da Rainha Njinga, a qual aliás, já um mês antes, por carta dirigida ao governador Sousa Chichorro propõe um tratado de paz, solicitando a libertação da irmã e o envio de missionários cristãos para a Matamba".

Além de reconverter Nzinga ao Cristianismo em 1658, depois de haver celebrado o seu casamento católico e o de sua irmã, António da Gaeta confessa a rainha até falecer, sendo substituído pelo seu correligionário Giovanni Antonio Cavazzi de Montecuccolo até à data da morte da própria Nzinga. “Um texto assinado por António de Gaeta e datado de 1654 tem sido repetidamente mencionado pelos autores dos séculos subsequentes, embora este texto não obstante o pormenor com que nele é descrito o quotidiano da Matamba nos últimos anos de vida de Njinga Mbandi, apresente à partida duas contradições cronológicas: a primeira é o facto de ser datado precisamente do ano em que Gaeta desembarca em Luanda e parte para a Matamba, 1654; a segunda prende-se com a descrição pormenorizada das exéquias da rainha em 1663, a qual não pode ser da autoria de Gaeta, uma vez que o missionário falecera no ano anterior”.

Pelo facto de existirem muitas imprecisões, baseamo-nos num número menor de autores, sendo Nzinga amplamente estudada e referenciada no mundo inteiro.

O autor contemporâneo da rainha Nzinga e o “seu mais completo biógrafo coevo” é Cavazzi pois, “(...) sobretudo através da leitura da obra de Cavazzi, conjugada com as dos dois outros autores mencionados, Gaeta e Cadornega, (...) é possível reconstruir um percurso biográfico de Njinga Mbandi. Mas, embora Cavazzi tenha convivido de perto com a rainha, a leitura da sua obra deve ser feita com algumas precauções: além de transmitir (...) uma perspectiva masculina e estrangeira, há que ter em conta que o autor se apoia igualmente em depoimentos orais e escritos que não refere e escreve com a preocupação de agradar aos destinatários, os membros da Igreja”.

Já depois da morte da rainha, Cavazzi é enviado em missão ao Congo e, em 1665, regressa a Luanda, voltando a partir para Matamba onde termina o manuscrito em 1666. Abandona Luanda, em 1667, com o manuscrito completo.

Dedica o primeiro volume do Manuscrito Araldi (Livro I) à história dos jaga imbangala que, não obstante o seu canibalismo ritual, a sua violência e a sua sede de sangue, são aos olhos dos portugueses simples mercenários suscetíveis de serem alistados para combater a seu lado as tropas do rei Ndongo em Angola.

Cavazzi tem ainda a preocupação de mostrar a origem e costumes dos imbangala, cujos ritos são adotados por Nzinga. É no Livro III que conta os horrores cometidos pelos jaga não convertidos.

Escreve, essencialmente, para descrever a milagrosa conversão de Nzinga que é tema de um romance de Castilhon publicado em 1769. Mais recentemente, nos anos 70 do século XX, Manuel Pedro Pacavira transforma-a num ídolo da resistência anticolonial, enquanto se encontra preso mercê das suas atividades nacionalistas em Angola.

O percurso de vida justifica a lenda da soberana africana, terrível combatente, que passa de cristã convertida em 1622, a feroz imbangala canibal em 1630, regressando ao Cristianismo em 1656. Tanto Gaeta como Cavazzi enumeram as suas crueldades. Porém, no fim da vida, Nzinga recupera a fé: “(…) encontrei a rainha doente com uma grande inflamação de garganta e de peito (…). Consolei-a e fi-la lembrar-se de que o defunto padre Antonio da Gaeta uma vez a curara do mesmo mal, intercedendo junto da Santa Virgem. Ela consentiu em servir-se do mesmo remédio e, depois de ter celebrado a missa e pronunciado algumas orações, aplicámos-lhe sobre o pescoço uma imagem da Virgem santíssima, e ela sentiu-se bastante aliviada. A liberdade da palavra regressou-lhe, e ela utilizou-a para agradecer em voz alta à sua libertadora”.

Nzinga morre em 1663 e a irmã é proclamada rainha. Um ano depois, talvez envenenado, Cavazzi regressa doente a Luanda. A irmã Kambo, Bárbara de batismo, morre em 1666 e o marido Njinga-Mona assume definitivamente o poder como rei e senhor, realizando o funeral com sangrentos sacrifícios. O cristianismo é, rapidamente, desenraizado.

 

 


Helena Osório
Nascida em Benguela, Angola, é jornalista cultural, editora e escritora doutorada em Estudos sobre a História da Arte e da Música pela Universidade de Santiago de Compostela, com reconhecimento da Universidade do Porto. Mestre e pós-graduada em Artes Decorativas pela Universidade Católica Portuguesa. Investigadora do Instituto de Investigação em Arte, Design e Sociedade da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto (i2ADS / FBAUP).
 

 

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Notas das Legendas

[1] Ezio Bassani, ed., Un Cappuccino nell'Africa nera del seicento: I disegni dei Manoscritti Araldi del Padre Giovanni Antonio Cavazzi da Montecuccolo [Um Capuchinho na África Negra no Século XVII: Desenhos do Manuscrito Araldi do Padre Giovanni Antonio Cavazzi da Montecuccolo] (Milão: Quaderni Poro, no. 4, 1987)

[2] Giovanni Antonio Cavazzi, Relation historique de l’Ethiopie occidentale :contenant la description des royaumes de Congo, Angelle, & Matamba. A Paris : Chez C.J.B. Delespine le fils, 1732.


 

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Este artigo divide-se em duas partes, tendo sido a primeira, intitulada "PARTE I - A RAINHA NZINGA E O TRAJE NA PERSPECTIVA DE GRACINDA CANDEIAS: 21 OBRAS DOADAS AO CONSULADO-GERAL DA REPÚBLICA DE ANGOLA NO PORTO. POLÉMICAS DO SÉCULO XVII À ATUALIDADE", publicada em Fevereiro de 2018. 
Sob o mesmo tema, a autora apresentará na conferência da US Air Force Academy, "War, Literature & the Arts" (20-21 de setembro 2018, no Colorado / EUA), a comunicação "Polémicas do Século XVII aos Dias de Hoje sobre a Rainha Angolana Nzinga e as Culturas Africanas".