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OPINIÃO


Entrada do edifício Bucksbaum Center for Arts


Entrada da Faulconer Gallery


Alfinetes no mapa-mundo colocados por visitantes da exposição


Pedro Valdez Cardoso, "No man's land"


Teresa Furtado, “Dollhouse”


João Leonardo, “Calendar to Jane”


Manuel Santos Maia, “Alheava”


Miguel Palma, “A minha tetrávo era preta”


Rui Toscano, “To the mountain top”


António Pinto e Paula Reaes Pinto, “Ramification”


Marta de Menezes, “In the beginning there was the Word”


Rui Toscano, “Lisbon Calling”


Eduardo Matos, “(Mesa II - Jardim)”


Carlos Bunga, “Cut”


Vista geral das fotografias de André Cepeda


Rodrigo Oliveira, “Avançados”


Ana Perez-Quiroga, “Pronúncia”


Miguel Palma, “Deep Breath”


Dina Campos Lopes, “Eu sou daqui”


Marta de Menezes, “In the beginning there was the Word”


António Caramelo, “Antonym”


Pedro Portugal, “A alabarda de Viriato”


Rui Valério, “Imaginary Landscape #5”


Rui Valério, “Just a minute”


Nuno Pedrosa, “Verticals” (ao fundo) e “Horizontals” (ao centro)


José Carlos Teixeira, “(38 minutes of Anthropology)”


Filipe Rocha da Silva, “Condensed People”


Filipe Rocha da Silva, “Babel”

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Where are you from? Contemporary Art from Portugal /
De onde vens? Arte Contemporânea de Portugal


LOCAL
Faulconer Gallery
Grinnell College
Bucksbaum Center for the Arts
Sixth Avenue and Park Street
Grinnell, Iowa 50112

DATA
1 de Fevereiro – 20 Abril



Inaugurada no passado dia 1 de Fevereiro na Faulconer Gallery, em Grinnell, Iowa, a exposição juntou 21 artistas portugueses que procuraram responder, com o seu trabalho, à pergunta “Where are you from?/De onde vens?”. A variedade de trabalhos e artistas – uns já conhecidos do público e outros algo esquecidos ou mesmo desconhecidos criou uma selecção improvável, visto que dificilmente seriam reunidos numa exposição, em qualquer outro lugar do mundo. Este aspecto torna esta exposição inédita e curiosa, sendo merecedora de atenção. A explicação para a concepção da exposição justifica-se após uma bolsa Fullbright, onde uma das mentoras do projecto e também artista, Jane Gilmor, passou uma temporada em Évora a partilhar a sua experiência artística na fábrica Leões pertencente à Universidade de Évora. O contacto que esta artista teve com artistas portugueses motivou-a a falar com Lesley Wright, da Faulconer Gallery para que se fizesse uma exposição reunindo artistas do nosso país, no Iowa (um estado norte-americano aproximadamente uma vez e meia maior que o Indiana). A Faulconer Gallery tem vindo a desenvolver um programa com artistas internacionais desde 1999 e a escolha de artistas portugueses apareceu como mais uma oferta, que a galeria poderia apresentar ao seu público.

Na sala que antecede a sala principal de exposições, uma bancada com livros sobre Portugal (desde arte, política, economia a guias turísticos) encontra-se disponível ao visitante que quiser consultar mais informação sobre o nosso país oferecendo uma perspectiva mais didáctica sobre o que é o Portugal de hoje: Onde fica? Quais as suas fontes de rendimento? Que oportunidades existem para os seus jovens artistas (dada a presença de vários catálogos de diversas edições de prémios dirigidos aos mesmos, como o Anteciparte, por exemplo)? Que tipo de arte se produz (através de vários catálogos dos artistas presentes)? Qual é o contexto, que preocupações existem, que questões se discutem (notavelmente através de edições de arte, como as do Project Room do CCB)?

O visitante é também convidado a partilhar a resposta à pergunta – Where are you from? / De onde vens? - podendo colocar um alfinete na cidade de onde é, ou se sente, originário. Incrível ou nem por isso, vários eram os alfinetes colocados no Porto, Lisboa e Évora – maioritariamente dos artistas participantes e que foram convidados a ir até Grinnell para partilhar localmente a sua experiência artística e conhecer um pouco a realidade do local que os juntou.

Entrando na galeria, a vista geral apresenta um espaço aparentemente adormecido, onde as paredes cinza escuro contrariam o esperado white cube, numa opção que visa facilitar a separação entre a localização das obras em suporte vídeo e as realizadas com outros meios, aqui iluminadas de forma precisa. Porém, este cenário em suspensão vai sendo quebrado por acordes de guitarras eléctricas e sons mecânicos que fazem adivinhar que, por detrás da reduzida luz, há algo mais por descobrir.

Logo à entrada, o visitante é surpreendido por um carro de mão carregado de diversos objectos, conferidos de uma certa ausência de referências, devido à sua cor branca. Associado a esta escultura, existem ainda vários mapas que olhando em detalhe se apresentam como uma desconstrução geográfica do mapa-mundo. Trata-se de “No man’s land”, uma instalação mixed-media, de Pedro Valdez Cardoso. A resposta deste artista à questão colocada caracteriza-se pelo ser nómada (que faz também parte da memória colectiva portuguesa), que não se encontra propriamente confinado à sua geografia, mas que no fundo é um cidadão do mundo. Não pertence a lado algum, embora pertença a todo o lado, tal qual um vendedor ambulante; o que acaba por pôr em causa a questão da identidade cultural - se é parte de uma herança baseada na naturalidade ou se radica na sua opção enquanto individuo (como é também referido pelo artista).
Relativamente ainda aos mapas construídos numa amálgama apropriada de outros mapas, habilmente ligados através de costuras e linha, estes encontram-se dentro de uma moldura com passepartoutoval, numa alusão a um “novo atlas” ou ainda a um espelho antigo reflectindo um mundo centrado nas referências geopolíticas do indivíduo (como é referido na folha de sala).

Em oposição cromatográfica, encontramos outra instalação – uma casa de bonecas, “Dollhouse”, construída a uma escala mais “adulta”. Teresa Furtado convida-nos a entrar, a fechar janelas, portadas e a porta, e a assistir a um vídeo que nos faz regressar à infância. A história é que parece diferente – “The loveliest girl in the world”, desconstrói a visão paternalista e moralista da mulher perfeita presente nos contos de fadas, (re)escritos a partir do século XIX, mostrando em certa medida a existência da própria mulher portuguesa, instituída por um forte moralismo durante várias décadas. O vídeo inúmera as várias características da mulher (que se quer perfeita) e apresenta uma estética que é coerente com a casa onde está inserido. Bonecas e brinquedos, que se situam num cenário também ele quase infantil, servem para contar a história da rapariga perfeita - umas vezes uma boneca, outras vezes um esqueleto sem vida própria.

Avançando pelo espaço aparece uma mensagem mais pessoal. João Leonardo responde com o seu “Calendar to Jane” (Gilmor, como se imagina quando uma pessoa responde a alguém que lhe faz uma pergunta directa). Um journal, terminado com uma frase atribuída a Confúcio foi alterado dando as suas páginas lugar a um zig-zag de fotografias do artista, em momentos pessoais da sua vida. Uma resposta na primeira pessoa, em que as várias fases aparecem sem nenhuma ordem cronológica quebrando a continuidade do tempo, que se espera de um calendário.

Em frente, uma instalação vídeo – “Ramification”, de António Pinto e Paula Reaes Pinto, documenta a azáfama rotineira, de uma fábrica de conserva de sardinha. Os movimentos automáticos dos trabalhadores – maioritariamente mulheres, vão sendo quebrados por sons que parecem dar voz ao ritmo do trabalho. Curiosa é também a escultura criada a partir de rótulos de lata de sardinha, com uma forma “rizomática” (ou que também pode lembrar a parte posterior de um peixe) - da marca Ramirez, uma das poucas ainda a laborar em território nacional. A marca dá origem ao nome da instalação e ao mesmo tempo procura mostrar as ramificações (económicas, nomeadamente ao nível da actividade produtiva) que este tipo de indústria tem na economia local, intercalando as imagens da fábrica com imagens de barcos que antes chegavam às praias ou fotografias dos pescadores – memórias de tempos passados.

Manuel Santos Maia, por outro lado, relembra o recente passado colonial português, mas agora visto a uma distância temporal, num período pós-colonial. A voz do seu pai, vindo de Moçambique depois de 25 de Abril de 1974, junta-se a um conjunto de imagens de época também filmadas pelo mesmo, ou familiares seus, que se vai desenrolando por uma visita a memórias e expectativas perdidas e as razões que o levaram a voltar a Portugal, de onde o avô do artista partira décadas antes. “Alheava” é um vídeo forte, filmado em várias sessões, como parece sugerido pelo discurso do pai do artista – umas vezes voltando a lugares onde já estivera; outras vezes desenterrando outras lembranças do passado, que parece ter querido esquecer com o tempo. O vídeo apresenta assim, uma carga emocional criada pela voz que vai falando (e algumas vezes até mesmo justificando as suas opções) na primeira pessoa; ao mesmo tempo torna-se num importante documento sobre a própria guerra colonial e o momento de transição de poder, que aconteceu em Moçambique, na altura em que lá viveu. Este artista apresenta ainda, em adição às vídeo-memórias, um arquivo de filmes Kodachrome 8 mm de onde foram extraídas as imagens (e com notas pessoais do seu pai, imagina-se); assim como a câmara e o projector utilizados. Este “arquivo” protegido por uma vitrina torna-se assim uma testemunha viva da história relatada assistindo silenciosamente, com o visitante, às imagens que ajudou a gerar.

Contíguo a este trabalho encontra-se o igualmente silencioso trabalho de Miguel Palma – “A minha tetravó era preta”. A lanterna mágica projecta uma imagem das filhas do artista, que apesar da sua aparência caucasiana (louras e com olhos azuis) possuem raízes africanas. O artista questiona assim, a verdadeira importância da raça de um indivíduo, ao mesmo tempo que faz emergir a factualidade da herança multi-racial portuguesa, por vezes oculta.

Mais à frente, descobre-se um dos sons de guitarra. Rui Toscano auto-retrata-se como alguém que vem de uma cidade, ou de várias cidades. S. Paulo e Lisboa são mostrados em “To the moutain top” e “Lisbon Calling”, respectivamente. A paisagem vertical e interminavelmente sólida e sem espaço, do primeiro vídeo, contrasta com a vibrante horizontalidade do segundo; que é apenas quebrada pela presença de um avião. Dois vídeos que mostram a existência urbana deste artista e ao mesmo tempo as diferenças de escala arquitectónica entre estas duas cidades e como essas escalas podem influenciar a dimensão existencial de um indivíduo nessas cidades.

Segue-se um espaço mais amplo. Neste espaço coabitam obras de cinco artistas.

Carlos Bunga responde com “Cut”. A casa – símbolo da unidade familiar - demonstra-se como um espaço frágil sendo cortada e apresenta com um interior com separações vazias, de aparência degradada. Um vídeo que tem uma forte carga emocional, ao mesmo tempo que é também fulcral no próprio processo artístico, presente nas suas esculturas e desenhos.

“Mesa II – Jardim”, de Eduardo Matos, uma obra também mixed-media, apresenta uma mesa (tal como o nome refere). A mesa porém apresenta-se ora descontextualizada da sua função normal de peça de mobiliário, ora como parte central do seu próprio processo artístico agregando escultura, desenho, vídeo e fotografia. Do seu tampo emergem formas arquitectónicas que variam entre a casa de vidro modernista (neste caso em acrílico escuro) e outras, que lembram ruínas de espaços urbanos - uma alegoria à decadência urbana que muitas das nossas cidades parecem estar a atravessar, por falta de conservação. O acrílico escuro serve ainda como mediador da luz indirecta que é projectada de um vídeo que passa repetidamente. Mais discretamente aparecem os desenhos – abaixo do nível criado pelo tampo, descobrindo-se num deles uma imagem de uma paisagem quase camuflada. A função da mesa (de trabalho) é ainda relembrada através da presença de um conjunto de gavetas, que contém, cada uma, uma fotografia que parece parte de uma narrativa disjunta no tempo. Eduardo Matos cria então um momento, em que o visitante vai descobrindo a obra e se demora nela tornando-se parte da mesma (em oposição a um mero observador) conferindo ao conjunto características escultóricas.

As fotografias de grande dimensão de André Cepeda dominam claramente esta secção da galeria. Cepeda confronta o visitante com imagens de lugares mais ou menos comuns à maioria dos portugueses – pertencentes a um quotidiano que lentamente vai sendo esquecido; contudo, em Grinnell, o confronto com o lugar-comum transforma-se num certo mistério, visto que para um visitante com diferente identidade e referências culturais, estes locais tornam-se quase exóticos.

“Eu sou daqui” – com esta afirmação que desarma o visitante, Dina Campos Lopes dá voz a três gerações de mulheres, entre as quais, ela própria. O vídeo desenvolve-se em formato de entrevista (no caso da sua avó e da sua mãe) ou quase em reflexão, como no seu caso. É uma mensagem que reflecte uma visão pessoal ou mais do domínio privado à sua família e em que a questão da hereditariedade, o meio, as memórias, as épocas, ambições e desejos de cada uma das diferentes gerações, aparecem retratados.

Mais resguardado, mas fonte de um dos ruídos que ciclicamente quebram também a tranquilidade do espaço aparece “Deep Breath”. Este trabalho, igualmente da autoria de Miguel Palma, desconstrói a existência uniforme do espaço-tempo urbano. Um espaço, por um lado, virado do avesso, como mostra a perspectiva da imagem da micro-câmara instalada na parte móvel da obra; e que sobe ou baixa ao ritmo de uma respiração artificial profunda. Ambos espaço e tempo surgem assim como uma soma de diversos focos e ritmos construídos a partir da relação dual espaço-tempo intrínsecos a cada indivíduo.

Na fronteira com o espaço mais amplo ergue-se uma nova escultura – “Avançados”, de Rodrigo Oliveira. Nesta escultura sente-se um pouco a esquizofrenia presente na arquitectura suburbana – neste caso com forte presença de elementos de tract houses, que caracterizam a paisagem suburbana americana, aos quais foram adicionados vidros escuros presentes em muitos dos prédios modernistas. Esta escultura alude também à questão do espaço privado das famílias modernas, protegido pelas paredes da construção que dificultam a expansão e a comunicação da realidade interna, com o exterior.

Mais irónico é o trabalho de Pedro Portugal – “A alabarda de Viriato”, que evoca para além do nome do lendário líder lusitano, outros símbolos nacionais menos ortodoxos: um “galo de Barcelos” domina a peça, em especial por também servir como saca-rolhas. Será uma proposta para uma arma “anti-ASAE”, em defesa das tradições portuguesas recentemente abaladas, em nome da segurança alimentar?

Marta de Menezes mostra por outro lado, um trabalho de aspecto mais sério mas não menos histórico – as raízes historicamente ligadas à Igreja Católica que estiveram na base unificadora de Portugal enquanto espaço geopolítico. Em “In the beginning there was the Word”, germinam sementes de trigo sobre uma Bíblia, que aludem a um passado agrícola (com maior força durante a Idade Média), muitas das vezes organizado pelas ordens religiosas, caso da Ordem de Cister, que para além de terem tido um papel importante ao nível do desenvolvimento da agricultura foram também importantes centros de conhecimento e de difusão tecnológica, no nosso país e noutros onde estavam implantadas. Desta forma Marta de Menezes reforça o seu corpo de trabalho em torno da junção entre a arte e o conhecimento científico.

Em frente, encontra-se “Pronúncia”, de Ana Pérez-Quiroga, instalação onde está também presente uma peça sonora. Esta última descreve a instalação como um inventário, em função dos objectos que a constituem. A questão levantada por este conjunto de peças aparece relacionada com a forma como nos relacionamos com os objectos e associada ao facto de eles poderem ser originários de diversos locais do mundo globalizado. O que leva o visitante a questionar de novo: “Where are you from?”

António Caramelo volta a situar o discurso dentro de um plano mais pessoal – neste caso enquanto artista.“Antonym” mostra a dificuldade sentida na transição entre os planos idealizados do autor e os actos, que resultam do processo de criação artística. O vídeo tem a particularidade de ser apresentado no interior duma televisão dos anos 60, o que aponta para uma reflexão retrospectiva sobre si mesmo – onde um bloco de mármore vai sendo consecutivamente serrado até existir pouco mais do que um vestígio... Apesar da existência de planos mais ou menos concretos, cada acto leva a repensar a etapa seguinte, até que no fim, pouco ou nada resta da ideia original, num total desvio.

Segue-se “Imaginary Landscape #5”, de Rui Valério. Juntando vários álbuns de música avant-garde americana (dos quais destaco compositores como John Cage e Phil Niblock – este último, o anfitrião dos bolseiros da Bolsa Ernesto de Sousa, na sua Experimental Intermedia, em Nova Iorque) aos quais se junta também um “We came in peace for all mankind” – aludindo também a um certo fascínio pela Era Espacial (sendo a mensagem que foi deixada por Neil Armstrong e Buzz Aldrin no Mar da Tranquilidade) e ainda álbuns de raízes mais étnicas (como por exemplo o virtuoso Bismillah Khan). O vídeo aparece como uma amálgama visual e sonora construída pelas capas e música destes álbuns conseguindo-se distinguir alguns dos sons e as mesmas capas, à medida que a duração de cada um vai expirando. Em todo o caso, para além da obra visual, a parte sonora resultante da mistura dos vários álbuns constitui-se como uma interessante composição noise. De Rui Valério também, e quebrando a ordem pela qual a exposição segue, existe ainda outro vídeo – “Just one minute”, a outra fonte de som de guitarra na exposição. Este trabalho volta a retratar uma juventude urbana portuguesa bastante influenciada por uma cultura anglo-saxónica e fortemente difundida pela música. É notável a associação que o artista parece querer fazer com o turntablism (também base da cultura DJ) de Christian Marclay caracterizado pela colagem (visual e sonora), com o movimento circular em torno de si mesmo, com a duração de um minuto, e regulado ao som de um acorde periódico de guitarra.

Intercalando estes dois trabalhos de Rui Valério estão dois trabalhos de Filipe Rocha da Silva – “Condensed People” e “Babel”. O primeiro trabalho apresenta-se como uma composição usando desenho e construída em várias camadas de acrílico, onde formas humanas parecem criar um diálogo entre si, embora denotando uma separação aparentemente invisível, numa alusão à própria organização social vivida actualmente. Por outro lado, “Babel” sugere-se como pintura, em que novamente várias camadas de acrílico encerram em si letras, que parecem discorrer numa junção quase fluida, jogando a sua posição com a sombra que criam no fundo amarelo – tal e qual uma sopa de letras, onde não se consegue descobrir uma palavra. Quererá este artista denotar alguma falha de comunicação não assumida, na sociedade do Portugal Moderno?

“Horizontals” e “Verticals” são duas instalações mixed media propostas por Nuno Pedrosa, que partem de duas escultura-invenção, que criou para capturar as diferenças do tecido suburbano português e o norte-americano, numa crítica a este tipo de “organização” urbana. Se nos Estados Unidos, os subúrbios caracterizam-se pelo tract housing que se distribui interminavelmente em área – na horizontal; pelo contrário, os subúrbios portugueses caracterizam-se mais por uma concentração de construções numa orientação vertical. “Verticals” mostra-nos imagens captadas por uma câmara que foi içada por um balão meteorológico cheio de hélio – também ele parte da instalação. Por outro lado, o engenho de “Horizontals” foi desenhado para ser usado pelo artista capturando imagens ao nível da altura do poste onde a câmara está colocada. Embora se pudessem denotar várias diferenças, em todas as imagens, quer sejam horizontais ou verticais, vão-se descobrindo interiores, carregados de objectos e luzes eléctricas, que por vezes expõem alguns dos seus residentes, numa devassidão voyeurística e assumida do espaço privado.

A exposição finaliza com a instalação “38 minutes of Antropology”,de José Carlos Teixeira. Esta encontra-se dividida por uma projecção principal onde se desenvolvem entrevistas a sete pessoas. A base do diálogo é realizada em torno da questão do nomadismo, em que a pertença ou o sentimento de divisão entre dois mundos, o que se deixou e a nova realidade, se encontra sempre presente, originando novas questões como as relações com a habitação e a língua, por exemplo, criando desafios ao desenvolvimento da identidade individual e cultural.
As imagens dos entrevistados com planos aproximados e fragmentados sugerem a presença de pessoas que de alguma forma são elas mesmas um fragmento da sua potencial possibilidade de ser, e que mostram a sua incompletude através de dúvidas sobre a sua própria condição de deslocados. Nesta projecção o artista faz uma auto-análise sobre a sua própria condição - igualmente de nómada, já que passou os últimos anos entre Portugal, Estados Unidos, Espanha e Escócia - através de um texto pessoal sobre si mesmo, que se vai descrevendo no mesmo vídeo. Ainda pertencente a esta instalação existe um ecrã LCD onde o artista continua a sua auto-análise e onde um par de auscultadores reproduz uma oitava entrevista. Neste caso uma portuguesa residente nos Estados Unidos há cerca de 30 anos, e que descreve – num discurso bilingue (e por vezes sem se perceber onde começa a sua “portugalidade”, ou onde começa a sua “americanidade”) acerca da sua relação com a família mais chegada, nomeadamente o seu irmão; e ainda, como a sua mudança afectou a relação entre os dois.

De notar que foram vários os apoios oficiais recebidos de Portugal pelas duas comissárias que organizaram a iniciativa, nomeadamente do Instituto Camões, Ministério da Cultura, Fundação Calouste Gulbenkian e Fundação Luso-Americana. Uma questão que à partida é discutível, dada a localização da exposição, mas que se entende perfeitamente após a visita à mesma e dada a constatação da qualidade da sua produção.

Complementarmente a esta exposição foram criadas outras três: em Cedar Falls, na University of North Iowa (UNI), com o título “New Polyphonies: Contemporary Art From Portugal”; e outras duas com o título “On the edge – in the middle, parts I and II”, em Cedar Rapids; para além de um debate e conversas com alguns dos artistas participantes na exposição que se deslocaram ao Iowa (entre os quais, Nuno Pedrosa, José Carlos Teixeira e Marta de Menezes). Estas actividades foram ainda complementadas por acções junto de um público mais jovem, através de serviços educativos. Da exposição resultou também um catálogo, com declarações pessoais de cada artista e com textos das comissárias e ainda de Miguel von Hafe Perez, que pela improbabilidade de uma eventual nova reunião destes artistas, será com certeza um objecto de colecção.


Pedro dos Reis



NOTA: O autor viajou a convite da Faulconer Gallery (Grinnell College).
Agradecimentos: Lesley Wright, Jane Gilmor e Donald Doe.



LINK
www.grinnell.edu/faulconergallery/