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OPINIÃO


Zwelethu Mthethwa, “Real State”, 2005-2006. DVD com banda-sonora (Nkosi Sikelel´iAfrika)


Ãngela Ferreira, “Casa de Colonos Abandonada”, 2007. Lambda print sobre alumínio. 120 x 150 cm. Ed. 1/3+1 P.A. © 2007 Ângela Ferreira . Cortesia Galeria Filomena Soares, Lisboa


Barthélémy Toguo, “Terre promise”, 2001 – 2008. Emergency Exit, Le Lieu unique, Nantes, França. Madeira, calhaus, garrafas, dois aviões. 12 x 1,50 x 1m


Rosana Ricalde, “1000 Pássaros”, 2008. Xilogravura sobre papel de arroz. Dimensões variáveis


João Tabarra, “O Encantador de Serpentes”, 2007. HD, projecção, cor, s/ som; loop. Edição de 5 + 2 PA. Cortesia Galeria Graça Brandão, Porto e Lisboa, Portugal


Miguel Palma, “Navio Negreiro”, 2006. Réplica de Avião A 380, vidro, metal, sistema eléctrico, miniaturas humanas em PVC. 88 x 102 x 170 cm. Col. Fundação Ilídio Pinho. Fotografia: Cortesia do art


Jorge Dias, “Aperfeiçoamento Sistemático”, 2005-2006. Tecido, vestuário, insectos de arame, linhas. Dimensões variáveis


Armindo Lopes, “Sem título”, 2005 – 2008. Madeira e ferro. Dimensões variáveis


Kwame Sousa, “Rocinha”, 2008. Técnica mista. Díptico: 150 x 150 cm


René Tavares, “Artista do nada, 2008. Acrílico s/ tela. 120 x 120 cm

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CAROLINA RITO

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A NATUREZA DO CONTEXTO

LÍGIA AFONSO

2009-08-03
DE QUEM FALAMOS QUANDO FALAMOS DE VENEZA?

LUÍSA SANTOS

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A PROPÓSITO DO OBJECTO FOTOGRÁFICO

LUÍSA SANTOS

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O LIVRO COMO MEIO

EMANUEL CAMEIRA

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LA SPÉCIALISATION DE LA SENSIBILITÉ À L’ ÉTAT DE MATIÈRE PREMIÈRE EN SENSIBILITÉ PICTURALE STABILISÉE

ROSANA SANCIN

2009-05-23
RE.ACT FEMINISM_Liubliana

IVO MESQUITA E ANA PAULA COHEN

2009-05-03
RELATÓRIO DA CURADORIA DA 28ª BIENAL DE SÃO PAULO

EMANUEL CAMEIRA

2009-04-15
DE QUE FALAMOS QUANDO FALAMOS DE TEHCHING HSIEH? *

MARTA MESTRE

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Ao apostar no “partilhar, enquanto caminho profícuo para espalhar o conhecimento e promover, através desta acção, a comunicação de imagens, fronteiras, identidades, num crescente processo de valorização substantiva”, a curadora Adelaide Ginga partilha com os visitantes da V Bienal de Arte e Cultura de São Tomé e Príncipe uma verdadeira viagem pela produção contemporânea africana. Uma exposição madura e consciente do sentido transversal que é localizar o(s) eixo(s) da produção de arte contemporânea, hoje. Organizada pela CIAC – Centro Internacional de Arte e Cultura, sob a batuta do sempre dinâmico João Carlos Silva, a V Bienal centra seu discurso no “Partilhar Territórios” confrontando artistas de diversas procedências, numa verdadeira diáspora cultural da mais bem-vinda surpresa.


Localizada nas Antigas Oficinas das Obras Públicas, na cidade de São Tomé, a mostra central apresenta-se uma panóplia de obras de diferentes meios e de diferentes países. Longe de ater-se aos Palops, a curadora ampliou seu raio de acção para outros países africanos com grande capacidade geradora de discursos atentos ao mundo hoje. Assim, “Real State”, o vídeo de Zwelethu Mthethwa (África do Sul) e “Casa de colonos abandonados”, fotografias de Ângela Ferreira impõem-se pelo poder político de suas ideias. Também a performance, realizada na abertura da mostra, do artista Barthélémy Toguo.


Nascido nos Camarões e residente em Paris e Nova Iorque, Bathélémy apresentou uma singular acção sobre a grande discussão global. O artista, com sua presença forte e escultórica, vestido de branco, emerge de dentro de um bidão de combustível. A acção, matematicamente controlada, de beber a água de um galão de dois litros durante a execução de uma peça de Bach, mostra que o risco da morte é eminente pois a qualquer respiração mal controlada, pode ser fatal. Nesta acção o artista discute as relações de poder na África, em especial países com potenciais petrolíferos como São Tomé, e a dialéctica vida e morte, poder e ausência tão presente naquele continente.


Dos trinta artistas seleccionados, Adelaide Ginga optou por dar maior peso a arte produzida no Brasil, incluindo nomes históricos como Lygia Pape (“T´teia” e “By I Fly”) e Nelson Leirner (“Concerto Hilariante”), conjuntamente com artistas José Spaniol, Raul Mourão e Rosana Ricalde, de gerações diferentes. De Portugal, para além da singular Ângela Ferreira no contexto africano da bienal, impõe-se a obra de João Tabarra (“O Encantador de serpentes”) e Miguel Palma (“Navio Negreiro”) e o painel de Rodrigo Oliveira, um site specific que estabelece ligações com a monumentalidade do edifício e a escassez dos recursos locais. A presença portuguesa completa-se com obras fotográficas de Inês Gonçalves em parceria com o angolano Kiluange Liberdade sobre o Tchiloli. Surpresa o vídeo “Revelaciones”, de Ignasi Aballí, representante da Espanha juntamente com Pilar Albarracín, esta com uma obra de pouco impacto como nos acostumamos a ver. O moçambicano Jorge Dias apresenta seu “Aperfeiçoamento sistemático”, uma escultura que versa sobre as relações culturais entre África e a sistematização da Pop art como inaugural do sistema pós-moderno. De São Tomé e Príncipe, país organizador, as surpresas são as esculturas de Armindo Lopes e a instalação de Kwane de Sousa e os desenhos de René Tavares. Com esta mostra, a curadora trouxe um grande frescor as artes contemporâneas africanas. Se continuarem nesta elevada aposta poderão inserir São Tomé e Príncipe na rota das bienais e torná-la uma visita obrigatória (ver www.bienalstp.org)


Paulo Reis
Co-director e co-editor da Dardo Magazine (www.dardomagazine.com).