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A ARTE NA ERA DA TECNOLOGIA MÓVEL



PEDRO DOS REIS

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Não é preciso entrar no espaço da Gavin Brown para se ver o trabalho de Rob Pruitt. Várias fotografias impressas e dispostas como “posters” encontram-se coladas pelas paredes, internas e externas ao espaço da galeria, expondo as experiências diárias deste artista, com o seu iPhone.


A exposição trata-se portanto, de uma viagem autobiográfica, que ao mesmo tempo questiona a situação da produção artística actual – nomeadamente a produção de imagem. Não se trata, contudo, da clássica batalha “filme versus digital”, mas sim do uso da tecnologia móvel na produção de arte e a forma como essa mesma tecnologia acentua o lado promíscuo do uso do espaço, privado e público, de um autor.


No texto que acompanha a exposição, Pruitt descreve a sua experiência com o seu novo “brinquedo” e de como este tem vindo a mudar a sua vida: desde o facto de estar numa longa fila de espera para comprar o dito “gadget”; como também a alteração da sua forma de organização pessoal – referindo-se ao seu iPhone, como o seu “extra brain in my pocket”.


Com o iPhone na sua vida, deixa para trás um passado de Rolodex, Walkman e Moleskine abraçando a sua nova dependência compulsivamente. O novo ritmo justifica-se pela sua necessidade – o do artista que busca o pragmatismo de fazer arte, através de meios populares. Porque não utilizar um dispositivo com estas características, como meio, e andar com ele no seu bolso? Uma ferramenta, que como também refere, é “um diário de alguém que não escreve, e um bloco de notas de alguém que não desenha”.


Esta apologia pela hibridez técnica (e móvel) faz-nos repensar ou questionar o papel do estúdio na actual produção artística. Será, no entanto, desejável que exista tanto pragmatismo na produção? Será o trabalho deste artista, arte? Será que foi mesmo uma busca ou apenas o efeito de ter sido “convertido” à tecnologia pela força das consequências? Ou seja, enquanto indivíduo que vive dentro de um sistema de mercado.


Por outro lado, entende-se a importância de estar “sempre ligado”. O facto de poder aceder à Wikipedia ou enviar um sms ou email a alguém. Quererá Pruitt falar na importância social da arte no contexto actual, ou demonstra apenas e uma vez mais, uma necessidade de estar em ligação aos outros, enquanto indivíduo?


Pruitt refere ainda o que pode ver quando navega diariamente pelas imagens que foi tirando ao longo do dia. Associa-as a uma longa sequência de Muybridge, corrigindo-se de seguida para uma história pessoal e interminável de banda desenhada marcada cronologicamente – “never-ending-time capsule book”.


Para além deste aparentemente fascínio pela nova tecnologia com que vai registando a sua vida, há um momento de pausa. O chão da galeria faz também parte desta instalação e parece carregado de uma carga simbólica. Páginas de revistas cortadas como folhas caducas, e que se amontoam pelo chão, anunciam o “Outono” das celebridades “pop” recentemente falecidas (e que Pruitt porventura admira). Entre estas estão Charles Schulz, Yves Saint Laurent, Jason Rhoades e Evil Knievel. As suas “campas” estão decoradas com símbolos pop que os distinguiam. A de Charles Schulz, por exemplo, não tem o seu nome,mas o padrão preto e ziguezagueante num fundo amarelo é inconfundível, lembrando a camisola de Charlie Brown. Por outro lado, as “folhas” parecem querer acentuar o que dá mote à exposição: a tecnologia como fonte e meio de informação e a eventual morte da revista, como meio de difusão informativa. Neste ponto a instalação aparentemente diverge das imagens que dominam as paredes; mas Pruitt limita-se apenas a dizer “a pop morreu, longa vida à pop”.


Pedro dos Reis



NOTA
A propósito da exposição “iPhotos” de Rob Pruitt na Gavin Brown’s Enterprise em Nova Iorque (de 13 Setembro – 11 Outubro, 2008)


LINK
www.gavinbrown.biz