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CONCEPT ON: WILLIAM ANASTASI, CARL ANDRE, MARTIN BECK, TRISHA DONNELLY - NOVA IORQUE, MAIO DE 2007



ANA CARDOSO

2007-05-22




Concept On – William Anastasi, Carl Andre, Martin Beck, Trisha Donnelly

Nova Iorque – Maio de 2007


«You change and unfold if you truly perceive» – Carl Andre


William Anastasi tem uma exposição retrospectiva na Drawing Room do Drawing Center, no Soho, que fica até 21 de Julho. São recriados trabalhos site-specific, dos anos 60, que se enquadram no objectivo conceptual de desmaterialização do objecto artístico. Contudo, a especificidade dos materiais é essencial e conduz a forma dos trabalhos: a tinta escorre, a parede fura-se, o metal oxida… As peças são exercícios simples e por isso extraordinários no campo da arte conceptual que repensa o objecto, o espaço e o espectador. O título da exposição é “Raw”, o que refere uma clara inversão do modo de usar materiais – as obras apresentadas mostram a sua própria crueza, em vez de sofrerem inúmeras transformações evocativas – os materiais são o que são, as transformações são derivativas. A tinta escorre, a parede fura-se, o metal oxida. A acção altera-os e fixa-os. As formas de Anastasi são de simples comunicação – quase uma sinalética formal – e, por isso, misteriosas. A sua fórmula é 1+1=1, e o resultado simples e indizível.
As peças mostradas no Drawing Center são desenhos mentais e espaciais que revelam formas tão limpas, que temos de fazer um reset mental.
Haverá uma conversa in loco entre Anastasi e o comissário da exposição – João Ribas – no dia 31 de Maio, às 18.30h.

Carl Andre mostra um grupo importante de desenhos, ou poemas visuais – “Early Works on Paper 1958-1966” – na Gallery 2, da Galeria Andrea Rosen, em Chelsea, até 9 de Junho. São por um lado experiências fabulosas com uma máquina de escrever, e por outro um verdadeiro corpo experimental e conceptual, que reflecte os interesses metafísicos e espaciais de Carl Andre. Há repetições, padrões e desenhos feitos com letras e palavras. Alguns são muito simples e esparsos e outros obsessivos, como é a escrita, ou mesmo as suas esculturas que multiplicam e duplicam, como plataformas para qualquer coisa ou legendas de coisa nenhuma. Em certas páginas, as palavras aglomeram-se de forma magnética e criam padrões.
Há bocados de papéis cortados com letras que formam uma página ilegível. Andre pretende alcançar o infinito através da experiência das inúmeras partículas e grãos que se desdobram numa aprendizagem elementar.

Martin Beck tem a exposição “The details are not the details” na Orchard, no Lower East Side, até 10 de Junho, que explora o momento da alteração de formatos expositivos nos anos 50 e 60. No final dos anos 50, os grandes museus começam a explorar novos modos de expor, num intuito modernista, no mesmo momento em que as corporações compreendem a necessidade da disseminação da informação e essa nova forma de poder. O intuito experimental funde-se com os interesses corporativistas. Os protótipos de exposição, racionais e modulares, criados num rasgo utópico de disseminação cultural ad aeternum, transformam-se à mesma escala, num excesso de poder modernista, impositivo. O trabalho de Beck tem sido investigar a história das exposições modernistas. “The details are not the details” mostra um novo vídeo, uma série de diagramas e uma disposição especial da galeria. A exposição faz uma triangulação do que é produzido por Beck com documentos sobre o tema central e outras peças, como uma sequência fotográfica de Edward Muybridge e uma peça de Sol Lewitt.
No dia 25 de Maio, às 18.30h, haverá uma discussão entre Martin Beck e Felicity D. Scott, que questionará os sistemas expositivos, as lógicas administrativas e as noções relacionadas com o espectador.
Orchard é um projecto de três anos (encerrará em Abril de 2008), e um espaço sem fins comerciais, organizado e gerido por teóricos, realizadores e artistas como Rhea Anastas, Moyra Davey, Andrea Fraser, Nicolás Guagnini, Gareth James, Christian Philipp Müller, entre outros. É um espaço de eventos e exposições, e um dos pólos da Institutional Critique em Nova Iorque.

Trisha Donnelly mostra na galeria Casey Kaplan, em Chelsea, até 14 de Junho. O seu trabalho é pós-conceptual, elaborado e extasiantemente opaco. Há uma estética seca de economia e sugestão indefinida em cada peça. Cada peça é uma experiência interligada de pensamento romanesco, circular e singular, e ao mesmo tempo de ligação entre ideias quase simples, que quase ninguém entende. Ninguém consegue descrever Donnelly – o press release é o seu nome, a folha de sala tem um poema – tudo são peças, incluindo as performances e aparições onde nada é explicado. E, extraordinariamente, isso é admirado, querido, proclamado, dito arte quase mística, devota e de grande rigor intelectual. Donnelly é sem dúvida um fenómeno, entre os artistas precoces no mundo da arte – nasceu em 1974 – especialmente se encararmos o seu trabalho e a sua incompreensão quase magnética. A questão é que, onde tudo o que não parece arte é arte, e tudo o que parece arte também o é porque assim se declara que seja, incluindo as performances ficcionais, isso arrasta consigo uma consciência ideal e dificilmente alcancável – após a demissão do artista semi-deus. Donnelly pega na necessidade do público, de ter de haver um público e de o público querer alguma coisa, e cria no espaço dessa necessidade aquilo que é claramente impossível de pronunciar. Não só a utilização desse desejo é impossível, dado que a sua perversão contemporânea é uma espécie de anti-climax do espectáculo artístico, como é isso que origina a satisfação do intelecto na pureza conceptual.

Links:
www.drawingcenter.org
www.andrearosengallery.com
www.orchard47.org
www.caseykaplangallery.com