Links

PERSPETIVA ATUAL


11ª Bienal de Istambul


Colectivo WHW/ What, How & for Whom. Performance de apresentação da 11ª Bienal de Istambul no Ses Theatre sob a direcção do encenador Oliver Fljic.


Rabih Mroué, “I, the undersigned”, 2008. Vídeo still.


Támas St. Auby, “Kentaur”, 1977. Vídeo still.


Támas St. Auby, “Kentaur”, 1977. Vídeo still.


Nam June Paik, “Life”, 1974-83. Instalação.


KP Brehmer, “Real Capital – Production”, 1974. Tinta de água s/ papel.

Outros artigos:

2017-11-12


HELENA OSÓRIO


2017-10-09


PAULA PINTO


2017-09-05


PAULA PINTO


2017-07-26


NATÁLIA VILARINHO


2017-07-17


ANA RITO


2017-07-11


PEDRO POUSADA


2017-06-30


PEDRO POUSADA


2017-05-31


CONSTANÇA BABO


2017-04-26


MARC LENOT


2017-03-28


ALEXANDRA BALONA


2017-02-10


CONSTANÇA BABO


2017-01-06


CONSTANÇA BABO


2016-12-13


CONSTANÇA BABO


2016-11-08


ADRIANO MIXINGE


2016-10-20


ALBERTO MORENO


2016-10-07


ALBERTO MORENO


2016-08-29


NATÁLIA VILARINHO


2016-06-28


VICTOR PINTO DA FONSECA


2016-05-25


DIOGO DA CRUZ


2016-04-16


NAMALIMBA COELHO


2016-03-17


FILIPE AFONSO


2016-02-15


ANA BARROSO


2016-01-08


TAL R EM CONVERSA COM FABRICE HERGOTT


2015-11-28


MARTA RODRIGUES


2015-10-17


ANA BARROSO


2015-09-17


ALBERTO MORENO


2015-07-21


JOANA BRAGA, JOANA PESTANA E INÊS VEIGA


2015-06-20


PATRÍCIA PRIOR


2015-05-19


JOÃO CARLOS DE ALMEIDA E SILVA


2015-04-13


Natália Vilarinho


2015-03-17


Liz Vahia


2015-02-09


Lara Torres


2015-01-07


JOSÉ RAPOSO


2014-12-09


Sara Castelo Branco


2014-11-11


Natália Vilarinho


2014-10-07


Clara Gomes


2014-08-21


Paula Pinto


2014-07-15


Juliana de Moraes Monteiro


2014-06-13


Catarina Cabral


2014-05-14


Alexandra Balona


2014-04-17


Ana Barroso


2014-03-18


Filipa Coimbra


2014-01-30


JOSÉ MANUEL BÁRTOLO


2013-12-09


SOFIA NUNES


2013-10-18


ISADORA H. PITELLA


2013-09-24


SANDRA VIEIRA JÜRGENS


2013-08-12


ISADORA H. PITELLA


2013-06-27


SOFIA NUNES


2013-06-04


MARIA JOÃO GUERREIRO


2013-05-13


ROSANA SANCIN


2013-04-02


MILENA FÉRNANDEZ


2013-03-12


FERNANDO BRUNO


2013-02-09


ARTECAPITAL


2013-01-02


ZARA SOARES


2012-12-10


ISABEL NOGUEIRA


2012-11-05


ANA SENA


2012-10-08


ZARA SOARES


2012-09-21


ZARA SOARES


2012-09-10


JOÃO LAIA


2012-08-31


ARTECAPITAL


2012-08-24


ARTECAPITAL


2012-08-06


JOÃO LAIA


2012-07-16


ROSANA SANCIN


2012-06-25


VIRGINIA TORRENTE


2012-06-14


A ART BASEL


2012-06-05


dOCUMENTA (13)


2012-04-26


PATRÍCIA ROSAS


2012-03-18


SABRINA MOURA


2012-02-02


ROSANA SANCIN


2012-01-02


PATRÍCIA TRINDADE


2011-11-02


PATRÍCIA ROSAS


2011-10-18


MARIA BEATRIZ MARQUILHAS


2011-09-23


MARIA BEATRIZ MARQUILHAS


2011-07-28


PATRÍCIA ROSAS


2011-06-21


SÍLVIA GUERRA


2011-05-02


CARLOS ALCOBIA


2011-04-13


SÓNIA BORGES


2011-03-21


ARTECAPITAL


2011-03-16


ARTECAPITAL


2011-02-18


MANUEL BORJA-VILLEL


2011-02-01


ARTECAPITAL


2011-01-12


ATLAS - COMO LEVAR O MUNDO ÀS COSTAS?


2010-12-21


BRUNO LEITÃO


2010-11-29


SÍLVIA GUERRA


2010-10-26


SÍLVIA GUERRA


2010-09-30


ANDRÉ NOGUEIRA


2010-09-22


EL CULTURAL


2010-07-28


ROSANA SANCIN


2010-06-20


ART 41 BASEL


2010-05-11


ROSANA SANCIN


2010-04-15


FABIO CYPRIANO - Folha de S.Paulo


2010-03-19


ALEXANDRA BELEZA MOREIRA


2010-03-01


ANTÓNIO PINTO RIBEIRO


2010-02-17


ANTÓNIO PINTO RIBEIRO


2010-01-26


SUSANA MOUZINHO


2009-12-16


ROSANA SANCIN


2009-11-10


PEDRO NEVES MARQUES


2009-10-20


SÍLVIA GUERRA


2009-10-05


PEDRO NEVES MARQUES


2009-09-21


MARTA MESTRE


2009-09-13


LUÍSA SANTOS


2009-08-22


TERESA CASTRO


2009-07-24


PEDRO DOS REIS


2009-06-15


SÍLVIA GUERRA


2009-06-11


SANDRA LOURENÇO


2009-06-10


SÍLVIA GUERRA


2009-05-28


LUÍSA SANTOS


2009-05-04


SÍLVIA GUERRA


2009-04-13


JOSÉ MANUEL BÁRTOLO


2009-03-23


PEDRO DOS REIS


2009-03-03


EMANUEL CAMEIRA


2009-02-13


SÍLVIA GUERRA


2009-01-26


ANA CARDOSO


2009-01-13


ISABEL NOGUEIRA


2008-12-16


MARTA LANÇA


2008-11-25


SÍLVIA GUERRA


2008-11-08


PEDRO DOS REIS


2008-11-01


ANA CARDOSO


2008-10-27


SÍLVIA GUERRA


2008-10-18


SÍLVIA GUERRA


2008-09-30


ARTECAPITAL


2008-09-15


ARTECAPITAL


2008-08-31


ARTECAPITAL


2008-08-11


INÊS MOREIRA


2008-07-25


ANA CARDOSO


2008-07-07


SANDRA LOURENÇO


2008-06-25


IVO MESQUITA


2008-06-09


SÍLVIA GUERRA


2008-06-05


SÍLVIA GUERRA


2008-05-14


FILIPA RAMOS


2008-05-04


PEDRO DOS REIS


2008-04-09


ANA CARDOSO


2008-04-03


ANA CARDOSO


2008-03-12


NUNO LOURENÇO


2008-02-25


ANA CARDOSO


2008-02-12


MIGUEL CAISSOTTI


2008-02-04


DANIELA LABRA


2008-01-07


SÍLVIA GUERRA


2007-12-17


ANA CARDOSO


2007-12-02


NUNO LOURENÇO


2007-11-18


ANA CARDOSO


2007-11-17


SÍLVIA GUERRA


2007-11-14


LÍGIA AFONSO


2007-11-08


SÍLVIA GUERRA


2007-11-02


AIDA CASTRO


2007-10-25


SÍLVIA GUERRA


2007-10-20


SÍLVIA GUERRA


2007-10-01


TERESA CASTRO


2007-09-20


LÍGIA AFONSO


2007-08-30


JOANA BÉRTHOLO


2007-08-21


LÍGIA AFONSO


2007-08-06


CRISTINA CAMPOS


2007-07-15


JOANA LUCAS


2007-07-02


ANTÓNIO PRETO


2007-06-21


ANA CARDOSO


2007-06-12


TERESA CASTRO


2007-06-06


ALICE GEIRINHAS / ISABEL RIBEIRO


2007-05-22


ANA CARDOSO


2007-05-12


AIDA CASTRO


2007-04-24


SÍLVIA GUERRA


2007-04-13


ANA CARDOSO


2007-03-26


INÊS MOREIRA


2007-03-07


ANA CARDOSO


2007-03-01


FILIPA RAMOS


2007-02-21


SANDRA VIEIRA JURGENS


2007-01-28


TERESA CASTRO


2007-01-16


SÍLVIA GUERRA


2006-12-15


CRISTINA CAMPOS


2006-12-07


ANA CARDOSO


2006-12-04


SÍLVIA GUERRA


2006-11-28


SÍLVIA GUERRA


2006-11-13


ARTECAPITAL


2006-11-07


ANA CARDOSO


2006-10-30


SÍLVIA GUERRA


2006-10-29


SÍLVIA GUERRA


2006-10-27


SÍLVIA GUERRA


2006-10-11


ANA CARDOSO


2006-09-25


TERESA CASTRO


2006-09-03


ANTÓNIO PRETO


2006-08-17


JOSÉ BÁRTOLO


2006-07-24


ANTÓNIO PRETO


2006-07-06


MIGUEL CAISSOTTI


2006-06-14


ALICE GEIRINHAS


2006-06-07


JOSÉ ROSEIRA


2006-05-24


INÊS MOREIRA


2006-05-10


AIDA E. DE CASTRO


2006-04-20


JORGE DIAS


2006-04-05


SANDRA VIEIRA JURGENS


share |

11ª BIENAL DE ISTAMBUL



PEDRO NEVES MARQUES

2009-10-05




Este artigo sobre a 11ª Bienal de Istambul irá complementar-se com um artigo dedicado à 2ª Bienal de Atenas, eventos que estão relacionados dado o crescente interesse geopolítico das artes pela região.


A invocação de Brecht abre o mote à 11ª Bienal de Istambul, com o subtítulo de “What keeps mankind alive?” retirado da Ópera dos Três Vinténs de 1928. A invocação aproveita o espírito de Brecht, a relação da Arte com o Capital e os paradoxos críticos de uma Esquerda aburguesada. Neste sentido a Bienal propõe-se a um reflexão não só da cultura na política e da politização da cultura em tempos da sua capitalização extrema, mas, hermeneuticamente, de uma ideia de Esquerda que já não é. Este parece ser o seu ponto forte, uma marca perante tantas outras bienais (ver artigo de Outubro próximo sobre a 2ª Bienal de Atenas), mas por igual a indicação do seu falhanço enquanto suposto think tank para um caminho politizado das artes.

Após uma bienal em 2007 curada por Hou Hanru e focada na própria bienal enquanto elemento de modernização da região, este ano a curadoria da Bienal de Istambul encontra-se a cargo do colectivo de Zagreb WHW/ What, How & for Whom. Apesar da representação maioritária de artistas do Médio Oriente (Istambul incluído), evitável ou inevitavelmente a escolha do WHW desvia o foco da bienal para o Leste Europeu e Balcãs e o presente pós-comunista da região, contexto indubitavelmente brechtiano no que se refere ao falhanço da promessa democrática tomada rápida e obviamente pela pesada oligarquia russa.

O paradoxo da 11ª Bienal de Istambul não é no entanto o retorno a Brecht, e com este a um vincado militantismo nas artes ou das proposições emancipadores, mais do que participativas, do seu teatro, mas uma ingenuidade extrema na invocação do arquétipo de Brecht e, por outro lado, da inexistência de uma reflexão construtiva acerca dos caminhos da Esquerda e da arte e/ ou dos artistas enquanto elementos tendencial e historicamente esquerdistas e como tal de suposta capacidade de emancipação.

Perante a proposição da plena intrusão do capital e do neo-liberalismo nas Artes e na Política o que se apresenta nos três pólos da Bienal (o grande hangar que ladeia o Istambul Modern Museum frente ao Bósforo; a desactivada escola grega de Feriköy; e a pequena Tobacco House) confronta-nos explicitamente com uma revisão dos últimos vinte anos de condição pós-comunista, sendo as peças pelo colectivo editorial de Moscovo, Chto Delat/ What is to be done?, as mais literais a este respeito. Este é um peso árduo na exposição visto resumir-se em última análise precisamente a uma revisão histórica e pessoal da vida na região após o falhanço do sistema soviético, revisão para mais feita entre um misto de utopismo e melancolia que pouco parece oferecer de produtivo face tanto ao título de uma das mesas redondas organizadas durante o fim-de-semana de inauguração, “Who needs a world view”, como ao próprio título da bienal, o qual facilmente se poderia assumir em “What keeps Communism alive for mankind”. Porque este [Comunismo] mantém-se indubitavelmente hoje como o espectro que não cessa de assombrar as artes e o pensamento crítico face à crescente supremacia e intrusão do neo-liberalismo em todos os estratos da vida comum – cultura incluída.

No seu recente livro “O Espectador Emancipado” Rancière refere bem as problemáticas actuais de qualquer perspectiva de emancipação face ao falhanço da Nova Esquerda francesa pós-Maio de 68: “(...) por um lado, a denúncia de esquerda do império da mercadoria e das imagens tornou-se uma forma de consentimento irónico ou melancólico à própria inevitabilidade do império. Por outro, as energias militantes viraram à direita onde alimentam agora uma nova crítica do mercado e do espectáculo cujos malefícios se vêm requalificados enquanto crimes de indivíduos democráticos.” (1) E é precisamente este o paradoxo, em conjunto com a aparente necessidade de revisão do projecto comunista nas suas origens e desvios, que a 11ª Bienal de Istambul parece ter optado por não percorrer. Ao ver a bienal não deixa de pairar a sombra da ausência do recente desenvolvimento do comunismo em países latinos ou a fusão do comunismo e do mercado encontrada hoje na República Popular Chinesa. É que é certo o foco curatorial da bienal incidir na experiência da região, mas numa bienal aberta à estatística do próprio projecto (orçamento; representação; fundos; etc.), elemento possível de encontrar tanto no catálogo de exposição como numa das salas da Tobacco House, a inclusão maioritária de artistas do Médio Oriente acaba ainda assim por não se fazer notar face ao foco conceptual proposto pelo WHW. Que dizer das consequências do envolvimento comunista no Médio Oriente e da actual estratégia geopolítica da Rússia? Excepção feita aos vídeos e performance pelo artista libanês Rabih Mroué, no qual este se apresenta directa e biograficamente como agente activo na política da região, ou das fotografias de praças de fuzilamento pelo artista sírio Hrair Sarkissian, poucas são as obras em exposição que assumem esse papel. Que dizer por igual das proposições de Boris Groys quanto à presença de um modelo de produção e circulação de arte para lá do mercado no interior da ex-União Soviética? A obra apresentada pela artista arménia Karen Andreassian, um vídeo de viagem durante a qual o escritor Stephen Wright vai comentado diversos tópicos relacionados com Estética e Ética, confronta ideias como as de Groys, mas poucas outras obras parecem fazê-lo.

Não deixam ainda assim de se encontrar variadas peças marcantes ao longo da bienal e do seu foco conceptual sem dúvida pertinente. De particular destaque é o recuperar de obras como as pinturas e desenhos feitas a partir de estatísticas económicas ou políticas pelo obscuro artista alemão KP Brehmer; o filme histórico Step by Step de 1977 pelo cineasta sírio Mohammed Ossama – belíssimo retrato da juventude operária na Síria da época; ou o vídeo do neo-vanguardista húngaro Támas St. Auby no qual se entrelaçam filmagens de espaços públicos e/ ou laborais (do café à fábrica) e trabalhadores com uma disparidade, diálogos irreferenciados na criação de uma narrativa quebrada. No entanto, a sensação geral é de uma exigência da arte enquanto eficaz e traduzível, uma arte com impacto e pedagogia, quando todo o dispositivo da bienal e da maioria das peças em exposição se revela anacrónico e incapaz dessa mesma exigência, chegando ao ponto de uma certa vontade naive do que a política é e pode ser na arte. Mas como bem afirma Rancière, o político na arte dá-se enquanto dissensão na produção e distribuição de sensibilidades, ao invés de na expectativa de uma acção directa das artes na política.

Talvez a décima primeira bienal de Istambul seja uma bienal com manifesto, vincada tematicamente como poucas parecem ser, mas esta apresenta-se em última análise como uma bienal com corpo mas sem cabeça, ou como referiu Charles Esche (curador do Van Abbemuseum) na referida mesa redonda organizada relativamente ao nosso presente pós dicotomia Ocidente/ União Soviética, com um olho apenas quando para se obter perspectiva são necessários dois. No entanto, o problema aqui parece não ser a proposta curatorial da bienal em si mesma mas os próprios modelos e funcionamento da arte quando confrontados com a vontade e exigência de uma eficácia eminentemente política nesta.


Pedro N. Marques




NOTA

(1) No original: “(...) d’un côté, la dénonciation de gauche de l’empire de la marchandise et des images est devenue une forme d’acquiescement ironique ou mélancolique à cet inévitable empire. De l’autre, les énergies militantes se sont tournées vers la droite où elles nourrisent une nouvelle critique de la marchandise et du spectacle dont les méfaits se trouvent requalifiés comme crimes de individus démocratiques.” in Rancière, Jacques, Le Spectateur Émancipé, La Fabrique éditions, 2008.




11th International Istanbul Biennial
SET 12 – 08 NOV 2009
www.iksv.org/bienal