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DA IMPORTÂNCIA DA CENTRALIDADE NO “MUNDO DA ARTE”



ALEXANDRA BELEZA MOREIRA

2010-03-19




Em declarações ao jornal El País, a propósito da edição deste ano da ARCO, Manuel Borja-Villel, director do Museu Reina Sofía, dá voz ao coro de protestos relativo ao modelo que a feira protagoniza, afirmando:
“Há que dar prioridade ao público que faz da ARCO uma feira de arte: os galeristas e os coleccionadores. Isto quer dizer que há que elevar o nível das galerias e dos coleccionadores.”
“Este é um modelo ligado a um mercado provinciano ou local que se mostrou caduco.”
“Cada vez vem menos gente de relevância internacional e os poucos que vieram provavelmente não voltarão no próximo ano.”
No fundo Borja-Villel critica a falta de qualidade das galerias e coleccionadores, bem como a não-centralidade da feira relativamente à “gente de relevância internacional”.


O director do Reina reclama uma centralidade relativamente ao “mundo da arte”. A centralidade é sublinhada como conceito cuja utilização, de tão recorrente, o desvaneceu. Hoje, no mundo da arte, exige-se a centralidade como conceito pragmático. Centralidade como lugar para onde conflui o fluxo de um conjunto actores ligados ao fenómeno artístico. Mas que actores? Coleccionadores, críticos, artistas e comissários, público? Não basta a simples pertença a um destes grupo, exige-se uma especial qualificação, e, para se ser, por exemplo, um coleccionador qualificado, não basta o efectivo conhecimento ou a ligação afectiva às obras. O critério cada vez mais abertamente reclamado, passa sim pela sua influência. No fundo os actores que, de uma forma imediata, possuem o poder de legitimação relativamente ao mundo contemporâneo da arte. Ora essa ideia de fluxo, se permite uma actualidade, é em si perversa. O movimento é contínuo, a passagem de um acontecimento (uma feira, bienal, exposição) a outro ao longo do ano implica uma transitoriedade que não permite o enraizamento de qualquer acontecimento artístico.


Avancemos um pouco. Fala-se da proliferação de feiras, bienais e outros espaços expositivos institucionais. Mas este fenómeno não acontece isoladamente. A quantidade de artistas, críticos e de outros actores ligados directa ou indirectamente à produção artística também aumentou significativamente. Mencionamos a título exemplificativo, a quantidade de escolas de arte, públicas e privadas, existentes hoje no nosso país e no número de artistas que se formam todos os anos. Independentemente da qualidade da sua produção, de todos estes intervenientes, quantos podem aspirar a entrar no circuito que lhes permita o reconhecimento da “gente de relevância internacional”?
O mercado actual, intrinsecamente ligado à ideia de centralidade, mantendo um valor especulativo ligado à obra, não tem capacidade, nem permite a sua inclusão. Pense-se no número de colecções (e até prémios) ligadas a instituições financeiras, e mais especificamente a fundos de investimento.


Voltemos um pouco atrás, o que acontecerá à quantidade de actores excluídos do sistema actual de legitimação do “mundo da arte” que continuam a sua produção? O seu reconhecimento não passa pelos critérios de legitimação actuais, nem a sua produção se inclui no mercado especulativo ligado a uma ideia de centralidade e imediaticidade.
Este novo fenómeno é dotado de uma complexidade que torna premente a sua análise: que tipo de relações estabelecem entre si? Qual a sua específica prática artística? Que novos quadros mentais ligados à produção artística? E que novos critérios de legitimação?


Talvez as novas condições do fenómeno da arte não estejam tão ligadas ao conceito de centralidade / não-centralidade. É necessária uma mudança de eixo. Todos estes intervenientes criam outro tipo de ligações: entre si, e entre o contexto no qual se inserem. Afiguram-se aqui novos critérios antropológico-sociais e também estéticos que traduzam outras atitudes no interior do universo da arte.



Alexandra Beleza Moreira