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PERSPETIVA ATUAL


Nuno Ramos, “Bandeira Branca”, 2010. Fotografia: Rodrigo Capote.


Gil Vicente, “Inimigos”, 2005. Fotografia: Rodrigo Capote.


Henrique Oliveira, “A Origem do Terceiro Mundo”, 2010. Fotografia: Rodrigo Capote.


Amélia Toledo, “Campo de Cor”, 1969/2010. Fotografia: Rodrigo Capote.


Nan Goldin, “The Ballad of Sexual Dependency”.

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29ª BIENAL DE SÃO PAULO - HÁ SEMPRE UM COPO DE MAR PARA UM HOMEM NAVEGAR



ANDRÉ NOGUEIRA

2010-09-30




A Bienal de São Paulo abriu as portas da sua 29ª edição no dia 25 de Setembro. Nesse mesmo dia, a propósito da instalação “Bandeira Branca” de Nuno Ramos, um grupo de manifestantes em defesa dos direitos dos animais envolveu-se numa cena de violência com o corpo de segurança do recinto. Aproveitando a ocasião um ‘pichador’ pintou na enorme obra, com tinta de graffiti branca, as palavras “Libertem os urubu”(sic). Na manhã do dia seguinte, outra obra, situada no exterior do edifício, foi intervencionada por outro elemento do mesmo grupo de ‘pichadores’.

Apresentando 159 artistas, mais de 800 obras e com um orçamento três vezes superior ao de 2008 esta edição procura resgatar a Bienal das anteriores críticas de vazio de proposta. O mote ‘a política da arte’ está presente na organização e disposição de todo o espaço. Moacir dos Anjos e Agnaldo Farias, co-curadores, explicam a proposta como “pôr os visitantes em contacto com maneiras de pensar e habitar o mundo para além dos consensos que o organizam e que o tornam ainda um lugar pequeno, onde nem tudo ou todos cabem.”

A arquitectura dos espaços expositivos dos três andares da Bienal, com projecto de Marta Bogéa, é um imenso labirinto branco, em que o tempo passa na medida da arte que se deixa descobrir. Descrito pela arquitecta como um “arquipélago, somatório de pedras ou ilhas articuladas por densidades”, a sensação de percorrer a Bienal escapa à habitual tranquilidade dos espaços expositivos.

A Bienal marca seu ritmo através do surgimento, de tanto em tanto, dos ‘terreiros’. Referência aos espaços da espiritualidade sincretista brasileira na tradição do ubanda e do candomblé, essas obras, seis no total, são subordinadas a um tipo de utilização abrangente:

“A pele do invisível” de Tobias Putrih, à imagem;
“Dito, não dito, interdito” de Kboco & Roberto Loerb, à palavra;
“Eu sou a rua” de Ben van Berkel & Caroline Bos, à cidade contemporânea;
“O outro, o mesmo” de Carlos Teixeira, à performance;
“Lembrança e esquecimento” de Ernesto Neto, à memória social;
“Longe daqui, aqui mesmo”, às utopias e distopias.

Aptas a serem os núcleos das ilhas expositivas que as circundam, essas obras têm programação dedicada que visa permear de renovação e interactividade a mostra. A dinâmica da Bienal é patente também nas apresentações de artistas não inscritos ainda nos grandes circuitos da arte. Esta Bienal “sugere associações não lineares com a arte produzida nos contextos de outros países também pertencentes a um ‘sul’ geopolítico (...) em rápida transformação, sejam eles da África, da região que um dia se chamou Europa de Leste ou, em menor medida, do Oriente Médio ou da Ásia (...) a exposição promove, critica ou ecoa, de um modo que somente a arte pode, aquelas mudanças, sugerindo uma constelação de processos articulados de ruptura acerca das ideias de localização no mundo.”

A estratégia dos curadores é reforçada no visitante pela experiência de um território e tempo próprios, em que se sucedem para o visitante transições entre espaços de luz e sombra, experiências de imersão e retorno. E o que vemos é uma luta de forças, do raciocínio límpido e flexível contra o cristalizado e dogmático, da beleza contra a aparência, da liberdade contra o consumismo, da imaginação contra a doutrina. E a arte aplica golpes certeiros. Falo da representação da sociedade na performance colectiva “Divisor” de Lygia Pape, de 1967 e recriada no primeiro dia da Bienal, das representações dos assassinatos de Bush, Lula e outros em “Inimigos” do brasileiro Gil Vicente e da poesia de Godard aplicada a um único fotograma em “Sarajevo je vous salue”.

Nas palavras dos curadores “a arte é aquilo que, de uma maneira que lhe é própria, interrompe as coordenadas usuais da experiência sensorial do mundo. (…) por possuir essa potência de desconcerto, a arte é capaz de reconfigurar os temas e as atitudes passíveis de serem inscritas em espaços de convívio e partilha.” Pensando o Brasil como “país onde inexistem, ainda, compartimentações institucionais rígidas para contenção do campo da arte” a equipa de curadores seleccionou um corpo de obras representativo dos valores programáticos definidos.

Com uma equipa de 5 curadores convidados de experiência ampla e origem diversa como Chus Martínez (curadora-chefe do MACBA, curadora convidada na 2ª Bienal de Atenas), Fernando Alvim (vice-presidente da Fundação Sindika Dokolo de Angola), Rina Carvajal (curadora adjunta do Miami Art Museum), Sarat Mahraj (professor de Artes Visuais e Sistemas de Informação em Lund e Malmo, co-curador da Documenta XI Kassel, 2002) e Yuko Hasegawa (curadora-chefe do Museum of Contemporary Art, em Tokyo), é patente uma complementaridade e confrontação permanentes na malha da mostra.

Esta Bienal consegue “pôr seus visitantes em contato com a política da arte”? Sim. Não só mostrando a forma como a arte vê a política, proposta dos curadores clara em “A exposição assume (…) que a relação entre arte e política deve ser pensada de maneira especulativa, onde mais vale formular perguntas precisas do que oferecer respostas difusas”, como está admitindo um sistema de influência recíproca, em que a política é reconhecida, porém questionada, como produto cultural.


André Nogueira