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VENEZA, A FÁBRICA DA ARTE CONTEMPORÂNEA*



MILENA FÉRNANDEZ

2013-04-02




Nu, numa pose clássica que recorda Olympia de Manet, O Mercador de Veneza atual é africano e possui uma grande carga irónica e muita vontade de provocar. Cobre o rosto com uma máscara atrás da qual se esconde um músico senegalês, que por “uma libra de carne” aceitou ser o protagonista do retrato do artista Kiluanji Kia Henda (Angola, 1979). A adaptação do drama de William Shakespeare reflete a situação dos africanos ilegais que ganham a vida a vender malas falsas e a esconder-se dos carabinieri. Ao experimentar o shock de ser africano em Veneza, Kia Henda mudou a sua percepção humana e artística. A obra jamais seria concebida se o artista não tivesse podido comparar a sua realidade com a dos imigrantes naquela cidade.

O jovem Kia Henda e outros sete novos talentos africanos viveram gratuitamente numa residência para artistas entre 2008 e 2011, por um período de três meses cada um. Tiveram a possibilidade de interatuar com artistas locais e visitar sem custos todas as exposições do programa. Num total, reúnem-se 150 obras que compreendem escultura, pintura, moda, fotografia de grande nível e força expressiva. A nigeriana Victoria Samuel Undodian (Lagos, 1982) propôs Second Hand Museumn, trajes e acessórios inspirados no Renascimento veneziano, criados com os vestidos de segunda mão recuperados por uma organização de beneficência.

A sul-americana Tamlyn Young (Johannesburgo, 1978) propôs um livro interativo com imagens e histórias de homens e mulheres longe de casa. O projeto Fronteiras da arte naufragou. Em tempos de crise, o seu principal gestor, a Fondazione Venezia 2000 não tem os recursos para garantir o futuro da iniciativa. Por isso, no passado dia 15, a mesa redonda Fronteiras da arte: Residências para artistas internacionais em Veneza reuniu os principais diretores de museus de arte contemporânea na laguna: Martin Bethenod, administrador delegado do Palacio Grassi e Punta de la Aduana; Germano Celant, diretor da Fondazione Prada em Veneza; Philip Rylands, diretor da Peggy Guggenheim Collection; Angela Vettese, presidenta da Fondazione Bevilacqua La Masa, e Marino Folin, presidente da Fondazione Venezia 2000, sede do encontro.

A Bienal de Arte de Veneza converteu a velha urbe na capital da arte contemporânea. A cada dois anos repete-se o mesmo guião: quando arranca em junho, crescem como fungos as mostras de arte contemporânea em museus, fundações e organizações privadas. Uma boa ocasião para angariar novos clientes ou é o auge das “sedes parasitas que vivem à custa do trabalho da Bienal”, segundo o diretor da Fondazione Peggy Gugghenhiem, Philip Rylands. E quando sopram os primeiros ventos invernais, em novembro, a Bienal fecha e “os parasitas” encerram a bilheteira até que se mova de novo a máquina da Bienal.

Rynlands tem a certeza que para garantir a sobrevivência de Veneza e evitar que se converta numa vitrina, é necessário estender a mão a novos criadores. E para isso, propõe transformar os pavilhões estrangeiros da Bienal em residências para artistas. Segundo Rylands, este modelo poderia funcionar durante os largos meses de inverno e na primavera, quando não se vê vivalma nos jardins. “A Fundação Guggenheim é proprietária desde 1976 do Pavilhão dos Estados Unidos, nos Jardins da Bienal. Queríamos organizar atividades expositivas quando a Bienal está fechada e assim levar um pouco de vida à zona. Mas não é possível porque estaríamos sozinhos numa espécie de deserto. Sempre pensei que quando a Bienal fecha, os pavilhões podem ser transformados em estúdios-residência, criando uma espécie de comunidade artística nos Jardins, como sucedia no bairro Dorsoduro, na Veneza dos anos cinquenta e sessenta de Peggy Guggenheim. A poucos metros de distância viviam ali artistas como Santomaso, Vedova, Bacci, Moradis, Tancredi, Favai e poderia continuar”, afirma Rylands.

As palavras de Rylands puseram o dedo na ferida, pois não é segredo para ninguém que Veneza corre o risco de converter-se numa montra que expõe as obras concebidas em outras partes do mundo, muitas das quais são propriedade de ricos mecenas, como a recém aberta Fondazione Prada, no Grande Canal; o Palacio Grassi e a Punta de la Aduana, ambos propriedade de François Pinault, dono da casa leiloeira Christie’s e Gucci. Da mesma opinião é Marino Folin, “a cidade deve converter-se numa casa para os artistas que venham a trabalhar com a Veneza real, não a idealizada e cheia de estereótipos”.

Sentado no lado oposto de Rylands, o francês Martin Bethenod não acredita nas moradas que, a seu ver, resolvem temporalmente os problemas criativos dos selecionados. “Em França existem 116 programas de residência para artistas, mas é um modelo em crise, caracterizado por um foco muito académico, pouco prático. Não serve de nada pegar num artista, metê-lo num determinado contexto para que produza algo mágico”. Na mesma linha expressou-se o reconhecido comissário Germano Celant. “Pensadas como um grande aviário onde se lançam os pintos, não funcionam. Devem ser um espaço onde possam ter contacto com artistas locais”.

Talvez seja necessário olhar para a Costa Rica, Honduras, Colômbia, México e Brasil. Nos países latino-americanos as pousadas para jovens locais e estrangeiros patrocinadas pela Fundação DOEN funcionam como laboratórios de arte. A diretora do programa, Gertrude Flentge, expôs a experiência de Cali (Colômbia), sede do espaço independente Lugar a Dudas. “Há alguns anos na rua onde se situa, corria-se o risco de morrer assassinado. Hoje é um lugar onde os artistas se reúnem, discutem, produzem”.



Milena Férnandez
* Texto original publicado no El País de 22 de março de 2013.