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Nicole Eisenman, “Hamlet”, 2007


Nicole Eisenman, “Inspiration”, 2004


Nicole Eisenman, “Circuit Hag”, 2001


Nicole Eisenman, "Man Cloud", 1999


Nicole Eisenman, “Dysfunctional Family”, 2000


Nicole Eisenman, “Marxist Symbol of the Corruptive Influence of Capitalism”, 2001


Nicole Eisenman, “Captain Awesome”, 2004


Nicole Eisenman, "Dürer; Portrait of Man with Bra", 1996

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NICOLE EISENMAN: AH! JE RIS DE ME VOIR SI BELLE EN CE MIROIR...



ANTÓNIO PRETO

2007-07-02




Tendo por referente e pano de fundo a História da Pintura, o trabalho da artista americana Nicole Eisenman afigura-se, no sentido literal do termo, como uma proposta de releitura dessa história, actualizada a partir de um ponto de vista que se situará algures entre uma versão lésbica do feminismo e uma crítica dos “costumes”. O programa é claro quanto às suas estratégias e intenções: trata-se de desconstruir a “formulação masculina” tanto do discurso historiográfico dominante como da tradição iconográfica e iconológica da pintura figurativa ocidental – cotejada com os valores da sociedade contemporânea –, através de uma perspectiva satírica, próxima da sensibilidade do cartoon underground. A alusão, a transfiguração, a recontextualização, a reversibilidade, a anedota e a profanação iconoclasta são assim, em Eisenman, as vias possíveis para aquilo que podemos designar como uma contrafacção feminista da História da Arte.


Concebida e realizada em parceria com a Kunsthalle de Zurique, a exposição “Nicole Eisenman”, patente no espaço Le Plateau (galeria do FRAC – Fundo Regional de Arte Contemporânea / Ile-de-France), dá a ver um conjunto de cerca de trinta pinturas e cem desenhos realizados entre os anos noventa e a actualidade. Numa postura neo-pop, Eisenman referencia e recicla obras específicas, temas, esquemas compositivos e soluções plásticas de artistas tão diferentes como Rubens, Ticiano, Picasso, Chagall ou Delacroix, produzindo, como Hogarth, uma reinterpretação da pintura histórica e de género (entendida à luz da actualidade, da “guerra dos sexos”, do discurso dos media e da vernaculidade da cultura popular), convertida, na maioria das vezes, numa representação grotesca dos mitos contemporâneos e respectivas celebrações. Imune à influência hegemónica da arte minimal e conceptual, Nicole Eisenman tem desenvolvido um trabalho que concilia maneirismo e ecletismo. O tom homérico da pintura de Rubens, aliado à versatilidade de Ticiano, desagua num regime de formulações que, indo do rigor da pintura flamenga à bad painting, passando pelos arquétipos renascentistas, pelo dinamismo barroco, pelas deformações modernistas ou pelos efeitos expressionistas, é invariavelmente subordinado à figuração ou, mais exactamente, à tematização. A história da pintura é pois tomada apenas como pretexto ou para uma inversão de papéis, na maioria das vezes primária (preservando os elementos iconográficos, a mulher toma o lugar do homem) ou para a afirmação do homoerotismo como resistência à “predação” masculina.


A figura da mulher, ora vítima, ora carrasco, subjugada por um papel social ou, pelo contrário, emancipada de todos os ditames da moda, feminil ou virilizada, submissa ou amazona, é o centro de um escólio que, com algum cinismo, critica a tradicional reificação da nudez feminina ao mesmo tempo que a erotiza e reitera enquanto objecto de desejo. Passando em revista as bandeiras e antagonismos de algumas das principais teorias feministas do século XX – é possível, com alguma boa vontade, detectar comentários, parcamente fundamentados e mais ou menos caricaturais, tanto à perspectiva “culturalista” de Simone de Beavoir (que enquadra a condição feminina numa realidade histórica e socialmente construída), como à concepção “essencialista” de Julia Kristeva (que pensa o feminino no quadro psicanalítico da exclusão abjeccionista e da alteridade radical), mas também à via “esteticista” de Susan Sontag (que produz um raciocínio sobre o feminino no âmbito de uma política da representação) ou à “militância-espectáculo” de Camile Paglia (dita “a feminista mais machista de todos os tempos”, votada a um activismo pela via do escândalo) –, Nicole Eisenman furta-se no entanto a qualquer tomada de posição ou reflexão aprofundada face a essa história que convoca sem problematizar. Embora afirmem algumas preocupações quanto à função social da artista-mulher hoje e interroguem da validade e da pertinência de se continuar a pensar numa “arte de género”, as imagens de Nicole Eisenman estão sobretudo ao serviço de uma narrativa de pendor biográfico que passa muitas vezes pela auto-representação.


Fazendo uma panorâmica pelos trabalhos agora apresentados no Plateau, encontramos, além das referências mais eruditas (entre o épico e a ostentação camp), todos os estereótipos, sobejamente conhecidos, das versões mais populares de um determinado quotidiano no feminino, profusamente comentado com anotações gráficas de diversa ordem: entre outros, a dona de casa aprisionada atrás das panelas, a adolescente melancólica, a família disfuncional, a burguesa engalanada, não faltando ainda uma vasta gama de pin-ups dispostas aos mais variados humores e situações. Este pitoresco, que mascara com humor um certo reaccionarismo com que se propõe, constitui a dimensão mais enfática do trabalho de Nicole Eisenman que assim se descentra daquelas que são provavelmente as questões mais atinentes à reflexão que hoje se produz sobre as problemáticas de género e que correspondem à desmontagem e a um entendimento transversal da questão, apenas realizáveis através de uma perspectivação histórica. O que se poderia esperar ser o cerne da questão não passa assim de um rascunho a traço grosso.


Em Portugal assiste-se actualmente ao ressurgimento, no âmbito das artes plásticas, de uma determinada “agitação feminista”, conduzida sobretudo por mulheres, radicadas, na sua maioria, no Porto. A aparente novidade do fenómeno é proporcional à mansidão dos movimentos femininos, seja nos alvores da revolução republicana, seja no presente (veja-se o caso recente da discussão em torno do aborto), mas também ao rápido esquecimento e à falta de diálogo desta nova geração com a precedente (podemos citar, a título de exemplo, o “matricismo” de Natália Correia; a herança da Marquesa de Alorna reclamada por Maria Teresa Horta, uma das “três Marias”, empenhadas na transgressão dos códigos morais e conduzidas à barra do tribunal em vésperas da Revolução; ou, no caso específico das artes plásticas, a reflexão sobre o território doméstico levada a cabo por Ana Vieira; a desdramatização dos símbolos culturais ligados aos géneros, por Clara Menéres; ou as estratégias de padronização, descapitalização e despossessão falocráticas ensaiadas por Maria José Aguiar), da qual parece ter-se descartado sem grandes contemplações.


Sejam quais forem as vias, se não quiser ser mera ilustração, a verdadeira acção política terá, neste como noutros casos, de ganhar uma voz pública na rua e estará, seguramente, contra o facilitismo e a omissão, do lado oposto ao cliché e à caricatura.



António Preto