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Jeff Koons, “Michael and bubbles”, 1988


Cindy Sherman, “Untitled (Diptych)”, 2004


Matthew Barney, “Cremaster: Entered Apprentice”, 2002


Matthew Barney, “Cremaster 3”, 2002

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NUNO LOURENÇO

2008-03-12




Na capital do país dos fiordes existe uma importante âncora para a arte americana. Tão importante que por vezes pode prevalecer face à própria arte contemporânea norueguesa. Enquanto, o museu Henie Onstad Kunstsenter fechou na passada época de Natal durante uma semana, o Astrup Fearnley Museum of Modern Art mantinha as suas portas abertas no centro de Oslo para “More than the world”. Esta exposição de longa temporada engloba quase todos os nomes de peso americanos no que toca simulação e alienação. Fora deste mundo mas, com a face da realidade.

Ao tirar uma fotografia a uma escultura de porcelana feita por Jeff Koons, enquanto funcionários a ajeitavam no espaço do museu; Louise Lawler explora a arte para além da própria obra. A questão sobre as fronteiras da arte expande-se aqui ao nosso olhar sobre o ambiente provocado por esses objectos, à sua relação com o não-contemplado. A peça fotografada é ironicamente já por si mesma, uma transposição de um mundo de fantasia e de mito para uma forma kitsch. Entramos aqui num jogo de espelhos ao qual Gilles Deleuze chamaria a multiplicação dos simulacros, da qual perdemos de vista o modelo inicial mas que constituí o veículo para a criação infinita. A escultura intitula-se “Michael Jackson and bubbles” e a fotografia resume-se a um ídolo, “Michael”.

Para além das marcantes caras assustadas dos seus retratos, podemos ver algumas fotos de Cindy Sherman dos anos 70 onde a mesma, menos transfigurada anuncia em posturas simples os desenvolvimentos de um olhar evasivo - por exemplo sentada numa árvore tendo como pano de fundo um canyon. Temos também, a Cindy que tal como as barbies, que podem assumir todo o tipo de penteados e roupa, encarna a típica senhora de classe média cujo pensamento alheado, acompanha os sonhos correspondentes à bandeira americana estampada na sua camisa. Em “Untitled#420” de 2004, temos já, pelo contrário, o lado de lá da evasão. As máscaras da sua figura de palhaço mergulham na desilusão, porque o sentido da satisfação embateu contra a realidade. E no fim, só pode mesmo restar como em \"Untitled#167\", de 1985, os indícios de uma ingenuidade castrada: num chão de terra com pilhas perdidas e sementes que despontam, surge do nada um espelho com os olhinhos de uma criança possivelmente já morta. Horripilante!

A alienação assume outro tipo de contornos, os ideológicos ou simbólicos. Uma versão da cadeira eléctrica de Andy Warhol (1967), não se trata desse “More than the world” em relação aos homens que nela morrem em direcção a um mundo fora deste. A sua estetização corresponde à ideia insana de que a higienização dos criminosos pela sua destruição, devolve a cor ao mundo. Por sua vez, com momentos de irracionalidade, o projecto de Mathew Barney “Cremaster” mostra muito do orgulho e vaidade dos homens. Na foto “Entered Apprentice”, um homem de avental posa com a boca cheia de sangue. O seu rosto de expressão séria confirma o sentimento de honra dado pelo luxo do cenário, rico em mármores, embutidos e encrostados. Este projecto abrange igualmente filmes onde, por exemplo, homens põem outros homens a fazer de cavalos e entalam a sua boca numa trave até escorrer sangue. Depois temos as representações dos protocolos, as condecorações, “os acertos de contas” e mais sangue, ou seja, a alienação dos homens de “H\" grande. Contudo, podemos ainda ir mais longe. Para muitos, as ideias e os símbolos em si não chegam e urge-se conduzir os seus fundadores à via do eterno. Por isso, Maurizio Cattelan inspirado no mausoléu de Lenine, apresenta num caixão o corpo de J.F. Kennedy numa sala confinada ao defunto.

Richard Prince aborda a doce evasão. “Spiritual America” (1983) assume-se no corpo juvenil de Brooke Shields e as diversas fotografias de cowboys tiradas entre os anos 80 e 90, mostram a sua bravura em locais idílicos, do frio da neve ao calor do deserto, dos caminhos de montanha aos vales profundos. “Untitled (Publicity)” de 2005 é de tudo um pouco: a evasão propocionada pela música de Jimi Hendrix, o seu sucesso comercial (colagem de um disco de ouro) e a simulação de uma orgia. Chegámos então ao objectivo final: um mundo onde não há problemas, só prazer. Uma proposta de Jeff Koons apresenta um prazer sem dor, onde Cicciolina se prepara para chupar o pénis de um jovem rapaz no meio do gelo, “Blow Job Ice” de 1991. O calor do sexo é aqui tranquilizado pela frescura do gelo. Não há nenhuma contrariedade, somente harmonia entre os complementos.

“Mais que o mundo” trata-se também dos efeitos da simulação, desde os traços do surrealismo às próteses do hiperrealismo. As peças de Robert Golder são disso o melhor exemplo. Se por um lado, uma peça sem título de 2000 funde o não-compatível, uma mão que se transforma num ralo de lava-loiça; por outro, outra peça de 1993-94 recria a carne humana ao ponto de realizar o delirio sexual no que ele contêm de impossível, uma perna de homem saindo de uma vagina. A perna funciona, justamente, como uma prótese que se encaixa e desencaixa para um melhor desempenho. Ao mesmo tempo, a força destes elementos sugere que tudo pode ser gerado a partir de um ventre de mulher. Como se esse ventre fosse a caixa de Pandora!

Até 30 de Dezembro deste ano, Astrup Fearnley Museum of Modern Art abre em Oslo a sua caixa de Pandora, mostrando os trabalhos da sua colecção. Todavia, no fundo desta caixa, não foi a esperança que lá ficou guardada mas, sim os traços sedutores da ilusão!


Nuno Lourenço