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“Il Tempo del Postino” | Philippe Parreno, Postman Time. Foto: Peter Schnetz


“Il Tempo del Postino” | Pierre Huyghe, Hola Zombies - Episode 1: Anniversary of Time. Foto: Peter Schnetz


“Il Tempo del Postino” | Peter Fischli / David Weiss, t & Bear. Foto: Peter Schnetz


“Il Tempo del Postino” | Olafur Eliasson, Echo House (Ensaio Geral). Foto: Peter Schnetz


“Il Tempo del Postino” | Pierre Huyghe, Hola Zombies - Episode 3: Characters' Funeral. Foto: Peter Schnetz


“Il Tempo del Postino” | Anri Sala, Flutterbyes. Foto: Peter Schnetz


“Il Tempo del Postino” | Carsten Höller, Upside Down People. Foto: Peter Schnetz


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ART 40 BASEL | PARTE II | IL TEMPO DEL POSTINO



SÍLVIA GUERRA

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PARTE II


“Grândola, vila morena
/ Terra da fraternidade
O povo é quem mais ordena
/ Dentro de ti, ó cidade
Dentro de ti, ó cidade
/ O povo é quem mais ordena

Terra da fraternidade
/ Grândola, vila morena 

Em cada esquina, um amigo
/ Em cada rosto igualdade

Grândola, vila morena
/ Terra da fraternidade”

Letra da canção composta e cantada por Zeca Afonso, utilizada por Liam Gillick na performance “Factories in the Snow” (2007), em “Il Tempo del Postino”.



Os misteriosos caminhos da arte

Chego ao teatro de Basileia para a estreia suíça de “Il Tempo del Postino” com a expectativa e a excitação que a descoberta de novas experiências na arte supõe. Esta é a exposição em que a arte promete ocupar tempo e não espaço. Concebida por Hans Ulrich Obrist e Philippe Parreno para o Festival de Teatro de Edimburgo, em 2007, o espectáculo terá contado apenas com uma sessão para privilegiados já que não teve lugar na temporada parisiense do Théâtre de la Ville. Entro na sala e começo a trautear instintivamente uma melodia que de tão familiar me parece uma canção de embalar…

O palco tem a cortina encarnada corrida e um piano de cauda, negro, em boca lateral de cena. Vejo o teclado a ser percorrido por dedos invisíveis; a melodia que canto em surdina difunde-se pela sala com uma chuva de neve artificial a seu lado… não me apercebo imediatamente que se trata de Grândola, Vila Morena de Zeca Afonso; vislumbro na assistência Mathew Slotover e Amanda Sharp da Frieze, Suzanne Pagè da Fundação Louis Vuitton Moët Hennessy (LVMH) e, entre outros, o comissário português Alexandre Melo. No palco estarão obras / performances de Doug Aitken, Matthew Barney & Jonathan Bepler, Tacita Dean, Trisha Donnelly, Olafur Eliasson, Peter Fischli / David Weiss, Liam Gillick, Dominique Gonzalez-Foerster, Douglas Gordon, Carsten Höller, Pierre Huyghe, Koo Jeong-A, Philippe Parreno, Anri Sala, Tino Sehgal, Rirkrit Tiravanija & Arto Lindsay e ainda Thomas Demand. O desenho de cena está a cargo de Peter Saville.

O espectáculo começa com um ensaio de Nancy Spector, lido por um ventríloquo com um rosto gigante num vídeo em forma de lupa. O mote para esta nova experiência artística é dado pela canção de Zeca Afonso. Como um apelo à revolução na arte, fico a pensar na falta de inspiração que os portugueses sentem pela sua história recente. É preciso que seja notada por um olhar estrangeiro…


Procura-se uma revolução no mundo da arte!
Oferece-se recompensa


Um maravilhoso bailado… de cortina, realizado por Tino Sehgal, “Pas de deux” aumenta ainda mais a expectativa do público… mas o tom fora já dado, o tempo será preenchido por breves aparições, silêncios e alguns erros de comunicação hilariantes ou nostálgicos. “Il Tempo…” tem como ponto alto a performance operática proposta por Anri Sala em que cantores líricos espalhados entre a audiência cantam excertos entrecortados de Madame Butterfly de Puccini. As várias Madame Butterfly agitavam leques em néon que iluminavam os rostos da audiência enquanto os tenores cantavam entre a escuridão. As vozes extinguiam-se num silencioso playback para recomeçarem noutro ponto da sala. Douglas Gordon dirigiu a cantora folk June Tabor numa homenagem em canto à capela de “Love Will Tear Us Apart” dos Joy Division.

A música foi a componente dominante do espectáculo ou deveria dizer exposição. Porém talvez tenha sido esse o limite não quebrado. Sai-se da sala de exposição para se entrar na linguagem de cena operática e num entreacto puramente teatral e não é atingido “um oitavo sentido” que poderia surgir de um hibridismo entre estes dois dispositivos cénico-expositivos. Este foi o tempo que trouxe o carteiro a Basileia.


We talk and talk and talk

No dia seguinte parto em direcção às conversas organizadas pela Art Basel pois estava prometido um tema altamente interessante: Como coleccionar performance? Os participantes eram Robert Wilson (encenador e artista), Klaus Biesenbach (responsável pelo Departamento de Media Art e Performance do MoMA), 
RoseLee Goldberg (Directora do Festival Performa em Nova Iorque) e Jens Hoffmann (Director do CCA Wattis Institute de São Francisco). Anri Sala deveria participar na conversa mas não conseguiu aparecer às 10.00 horas da manhã, estava cansado segundo o moderador do debate.

A conversa desenrola-se em torno da experiência de cada um dos convidados, sendo invocados nomes como o de Joan Jonas e Marina Abramovic, e outros artistas históricos cujo nome só agora entra nos museus. A opção possível para o coleccionismo deste tipo de arte, vivo desde os anos 60, é a documentação das obras ou a sua recriação por novos intérpretes de peças históricas. Robert Wilson conta ao público uma performance do início da sua carreira artística e como ensinava ex-combatentes de guerra, que eram nas suas palavras ‘cabeças ligadas a uma máquina”, e crianças desfavorecidas. A performance é um meio de aproximação à arte em cruzamento com o teatro que não exige o espaço de um palco clássico, à italiana.

Corro a ver as feiras alternativas à manifestação principal esperando ver sinais de mudança e obras surpreendentes. Começo pela Scope que se junta à Art Asia num espaço claro, um tenda branca a poucos metros da Art Basel. Muita pintura e fotografia mas nenhuma referência crítica aos tempos de crise, salvo um pequeno génio escondido na sua lâmpada mágica trazido a público pela galeria brasileira Bolsa de Arte, o artista Patrício Farias.

Na galeria Pool de Berlim são apresentados os heróis de todos os dias, uma série fotográfica de crianças com máscaras e disfarces de super-heróis. Vou também à Volta 5 que mudou este ano de edifício, localizando-se perto da estação ferroviária da cidade. Vejo a Bagisnki de Lisboa entre as representações desta feira que defende um pagamento de bilhete de entrada democrático para todos: 2 euros para Vips, jornalistas e público em geral. E finalmente sente-se uma feira-off, onde projectos com um percurso diferente se torna mais evidente. A galeria parisiense Martine Aboucaya apresenta as instalações sobre as obras de dramaturgia imortais da jovem artista francesa Maider Fortuné, “Characters/ Hamlet 47054”. Numa redoma em vidro jazem a totalidade de letras que fazem parte de cada um destes textos.

A Furini Arte Contemporanea de Arezzo apresenta os vídeos, d’après performance, de William Cobbing, onde personagens tem a cabeça coberta por uma espécie de argamassa que tentam perfurar: um gesto refrescante. A belga Dagmar de Pooter apresenta uma instalação vídeo de Chris Gills, onde o expressionismo abstracto de Mondrian serve de referência pictural a uma nova linguagem de relações entre imagens. E o artista Wu Xiaohai apresenta na galeria Patricia Dorfmann os seus desenhos, onde dois personagens infantis se passeiam por décors do fim do mundo, entrando em quartos inundados ou obscuras cenas de tráfico. Vou ainda à Liste 09 que apresenta um percurso labiríntico de salas em que se sucedem escadas estreitas e caves mal iluminadas sem objectos de espanto artístico.


Dentro do melhor dos mundos possíveis …

A arte com preços marcados está a repensar o seu sistema através dos seus agentes comerciais. Todos sabem que é necessário reformular estratégias. Todos afirmam que tudo vai pelo melhor dos mundos possíveis e que as vendas se fizeram como habitualmente. Acredito nas palavras de uma assistente da galeria Yvon Lambert uma habituée de Basileia, que diz que todos respiraram de alívio quando no primeiro dia se vendeu muito bem. Após a abertura e encerramento da sucursal desta galeria em Londres, na Suíça tudo se passou regularmente como o tic tac dos seus relógios.

No entanto o factor predominante este ano é o tempo na arte. Figura na apresentação de personagens infantis ou de imaginários que remetem para a infância, na fragilidade dos sentidos, caso de vídeos como “Touch, rise and fall (2008) de Aernout Mik e na inultrapassável passagem do tempo pelas vidas humanas, nas obras de Roni Horn ou Nan Goldin, presentes no Art Unlimited.

Uma pausa para pensar, porém existirá algo que consigamos ver porque cresce na obscuridade?

Sílvia Guerra



NOTA: ART 40 BASEL | Parte I, pode ser lido em

www.artecapital.net/perspectivas.php?ref=94