Links

Subscreva agora a ARTECAPITAL - NEWSLETTER quinzenal para saber as últimas exposições, entrevistas e notícias de arte contemporânea.



ARTECAPITAL RECOMENDA


Outras recomendações:

Gravuras e Litografias


Paula Rego
Centro Português de Serigrafia - Sede, Lisboa

PANORAMA


Exposição Coletiva de Artistas Emergentes
Le Consulat, Lisboa

O Jardim das Tentações


Bela Silva
MNAA - Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa

Uma Pintura e uma Floresta


Pedro Cabrita Reis
Pavilhão 31, Lisboa

O Fotógrafo Acidental: serialismo e experimentação em Portugal, 1968-1980


Colectiva
Culturgest, Lisboa

Shadows


ALFREDO JAAR
Carpintarias de São Lázaro, Lisboa

Aprender a viver com o inimigo


Pedro Neves Marques
Museu Coleção Berardo, Lisboa

MEETING POINT


COLECTIVA
Galeria Bessa Pereira, Lisboa

Amar-te os Ossos


Duas exposições individuais de JOÃO PENALVA E IGOR JESUS
Galeria Filomena Soares, Lisboa

Jugglers - Problemas e insolvência


ALBUQUERQUE MENDES
Galeria Graça Brandão (Lisboa), Lisboa

ARQUIVO:

O seguinte guia de exposições é uma perspectiva prévia compilada pela ARTECAPITAL, antecipando as mostras. Envie-nos informação (Press-Release e imagem) das próximas inaugurações. Seleccionamos três exposições periodicamente, divulgando-as junto dos nossos leitores.

 

share |

JOSÓ LOUREIRO

Boné




CRISTINA GUERRA CONTEMPORARY ART
Rua Santo António à Estrela, 33
1350-291 LISBOA

18 ABR - 11 MAI 2017


Inauguração 18 Abril, às 22h00, na Cristina Guerra Contemporary Art


"Boné é uma exposição de sinapses-mortas*. São quadros, como sempre. Um quadro ocupa um lugar vago numa parede e ali permanece até que alguém o substitua ou, em tempos de maior agitação e tumulto, o mande pela janela fora. Resistir na parede e aplacar estoicamente qualquer tipo de golpes - sendo, até hoje, o mais cómico e certeiro de todos o arremesso de uma singela peça de louça sanitária - não é um dos seus menores feitos, cumprido ao longo dos séculos com assinalável graciosidade. E assim continuará a ser.

Fossem barro, atirá-los-ia à parede e ficariam como ficassem: um centímetro acima ou abaixo, um centímetro à esquerda ou à direita, não fez nunca para mim a mais pequena diferença. Dirijo a minha atenção para o interior das pinturas, não para a forma como são encenadas. A fita métrica, apesar de ter um alcance (e plasticidade) bastante superior à maioria das ideias que assombram as exposições, é usada em excesso e com demasiada credulidade. Esquinas e arestas, paredes inadequadamente cheias ou vazias: nada disto chega a ter a relevância de um problema.

Não me esqueço de que o destino mais provável de tudo o que fazemos é uma arrecadação bolorenta qualquer. O que também é mais um alívio do que um problema. O tempo, um transeunte ubíquo e judicioso, encarregar-se-á de resgatar alguma coisa deste olvido pesado - eventualmente. Portanto, mais vale a uma obra de arte ter logo um início de vida pública atribulado e completamente desprotegido.

Não tenho nenhuma explicação plausível para o facto de dedicar a maior parte do meu tempo a pintar rectângulos de pontas cortadas ou linhas que invariavelmente escolhem os desvios mais longos para chegar a um destino. Porque motivo pintaria alguém, com incansável obstinação, maçãs sobre uma mesa? Por tudo, menos para ser plausível.

Mas não vou falar das pinturas. De uma maneira ou de outra, estarão nas paredes.".

José Loureiro, Abril 2017

*Sinapsismo, ponto nº12