Links

Subscreva agora a ARTECAPITAL - NEWSLETTER quinzenal para saber as últimas exposições, entrevistas e notícias de arte contemporânea.



ARTECAPITAL RECOMENDA


Outras recomendações:

Falésia. Tema e Variações


Manuel Baptista
Giefarte - Galeria de Arte, Lisboa

Boné


Josó Loureiro
Cristina Guerra Contemporary Art, Lisboa

Filipe André Alves & Valério Ismaeli


TEST GROUND KICK #2
Plano Lisboa, Lisboa

Arquitectura de outro tempo


Victor Palla e Joaquim Bento d´Almeida
Garagem Sul, León

Outgaze


Pedro Henriques
Maus Hábitos - Espaço de Intervenção Cultural, Porto

O OLHAR DA SIBILA – CORPORALIDADE E TRANSFIGURAÇÃO


Colectiva
Museu do Oriente, Lisboa

Peso


Alexandre Conefrey
Galeria Belo-Galsterer, Lisboa

O BIGODE ESCONDIDO NA BARBA


Francisco Tropa
Fundação Carmona e Costa, Lisboa

Estranhos dias recentes de um tempo menos feliz


Colectiva
Atelier-Museu Júlio Pomar, Lisboa

CANIBALIA, REDUX


Colectiva
Hangar - Centro de Investigação Artistica, Lisboa

ARQUIVO:

O seguinte guia de exposições é uma perspectiva prévia compilada pela ARTECAPITAL, antecipando as mostras. Envie-nos informação (Press-Release e imagem) das próximas inaugurações. Seleccionamos três exposições periodicamente, divulgando-as junto dos nossos leitores.

 

share |

MANUEL BAPTISTA

Falésia. Tema e Variações




GIEFARTE - GALERIA DE ARTE
Rua da Arrábida, 54 BC
1250-034 LISBOA

18 ABR - 30 MAI 2017


Inauguração 18 de Abril na Galeria Gierfarte


Perante a multiplicidade do desenho, inventamos palavras novas
São desenhos que chegam como uma surpresa,
como um acontecimento, no sentido deleuziano do termo,
mas aquilo que os qualifica não é serem surpreendentes.
São desenhos que têm um corpo, uma estrutura
(enquanto série, como corpo de trabalho –
lento, demorado, fluído).
São opacos e transparentes,
fazem-se e desfazem-se
num processo orgânico, gráfico, plástico.
Estão a acontecer
lentamente,
geologicamente,
perante os nossos olhos, perante o nosso corpo,
perante os nossos olhos feitos corpo.
Dobras, estrias, ondulações, erosões, brenhas, fragas, falésias.
Os desenhos são lugares e são visões. Visões de um lugar que não existe, algures entre Albufeira e
Portimão – dir-se-ia o Barranco dos Abelharucos.
Têm algo de Bravo, estes desenhos («Lagos são os Lagos, altas são as Fragas»), mas, estranhamente,
são desenhos graves.
Gravidade que nunca tinha pressentido no fazer artístico de Manuel Baptista.
Nesse sentido, são estranhos mas,
de alguma forma,
são de uma evidência desarmante.
Os objectos artísticos que mais me tocam são aqueles que surgem como se tivessem estado sempre
aqui, próximos de nós,
no nosso espaço físico.
Como uma falésia em erosão, como um corpo que envelhece, uma mesma forma sofre alterações,
de escala, de ritmo, de disposição, de densidade.
Aparece e desaparece, mostra(-se) e esconde(-se).
Os desenhos são forças que se movem, perante e para nós.
Houve sempre no desenho de Manuel Baptista uma tematização do devir.
Podemos não perceber o desenho que temos à nossa frente, mas percebemos o desenhar do desenho.
A percepção é uma forma de tradução fisiológica.
É filtrada pelo corpo – pela experiência, por um
lado, pela inocência, por outro.
A inocência é uma força, uma qualidade que se vai perdendo e que se volta a adquirir. Um desenho é
a ponderação, a luta destas duas coisas – experiência e inocência.
Desenhar estabelece essa continuidade, essa passagem, é uma aprendizagem permanente de si mesmo
enquanto prática mas é também uma aprendizagem do corpo e do espírito – do corpo enquanto
espírito, do espírito enquanto corpo.
Talvez por isso estes desenhos sejam graves e sejam cândidos, simultaneamente.
Nunca é demasiado tarde para termos uma infância feliz.
Perante a multiplicidade do desenho inventamos palavras novas,
como forma de aproximação, como forma de experiência, como forma de atravessar o tempo.


Texto de Nuno Faria