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O seguinte guia de exposições é uma perspectiva prévia compilada pela ARTECAPITAL, antecipando as mostras. Envie-nos informação (Press-Release e imagem) das próximas inaugurações. Seleccionamos três exposições periodicamente, divulgando-as junto dos nossos leitores.

 

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COLECTIVA

O Fotógrafo Acidental: serialismo e experimentação em Portugal, 1968-1980




CULTURGEST
Edifício Sede da Caixa Geral de Depósitos, Rua Arco do Cego
1000-300 LISBOA

19 MAI - 03 SET 2017


INAUGURAÇÃO: 19 de Maio, 22h


A exposição O Fotógrafo Acidental: Serialismo e experimentação em Portugal, 1968-1980 percorre, através de alguns artistas, usos da fotografia no contexto das artes visuais que pretenderam abrir novos caminhos de relação com a imagem e interromper linhagens históricas na prática artística.

O propósito da exposição é o de dar a ver um panorama criativo no seu conjunto a partir de alguns trabalhos escolhidos pela forma com espelham duas atitudes: o uso de imagem serial e uma atitude experimental conceptualmente exploratória.
As balizas epocais prendem-se à atividade de alguns dos protagonistas convocados: Ângelo de Sousa começou a fotografar com sistematicidade quando esteve em Londres em 1967-68 e utilizou diapositivos para registar o seu campo visual, quase efetuando um mapa das suas explorações fotográficas posteriores; Helena Almeida encerra a década de 1970 com uma as suas séries mais complexas e importantes, o ciclo Sente-me, Ouve-me, Vê-me, em simultâneo com a passagem do fotográfico para o videográfico no registo de Ernesto de Sousa das ruínas da aldeia submersa de Vilarinho das Furnas apresentado em 1980, tendo colocado José Barrias no encalço desta visão da memória de um tempo comunitário, metafórico da revolução, derradeiramente perdido.

O período que esta exposição cobre, na sua dimensão e escala, é uma época de grandes transformações, quer no contexto da arte internacional, quer nas condições específicas portuguesas, nomeadamente no ambiente político. Neste ciclo de doze anos, simétrico em relação ao 25 de Abril de 1974 – começa seis anos antes e encerra-se seis anos depois –, jogam-se alterações muito significativas na prática das artes: a crítica aos dispositivos artísticos ligados à tradição das belas artes, o surgimento de um interesse pela corporalidade, o desprezo em relação à expressão em favor de uma possível semiótica da imagem e uma vontade de aggiornamento por parte de uma geração que tinha (artisticamente) nascido com a arte pop ou com o universo conceptual.

Para estes artistas portugueses a fotografia representava a possibilidade de usar imagens que queriam situar fora da história canónica da arte e mesmo da história específica da imagem fotográfica. Não é a estética da fotografia que lhes interessa : o uso da fotografia é, na maior parte dos casos, uma ferramenta para poder realizar imagens sem o peso da tradição e da expressividade.

A questão da serialidade é aquela que reúne de forma mais evidente as diferentes propostas destes artistas. O que está aqui em causa é a falência da produção de uma imagem extraordinária, preterida em favor de uma sequencialidade que se reporta a um fluxo temporal e/ou a um espaço, ligada à preocupação com a relação entre imagem e tempo que subjaz a muitas das transformações artísticas da segunda metade do século XX – desde os happenings e ações, passando pela arte minimal ou a introdução da imagem em movimento. A serialidade revela a importância do sistema de tomada de decisão pelo artista, propondo uma tónica no processo conectivo entre imagens em detrimento da univocidade da imagem individual – e esta é a questão central tratada na exposição.

Finalmente, a utilização da série liga-se intensamente à necessidade de documentação de processos performativos, o que é verificável, por exemplo, no trabalho de Helena Almeida e Alberto Carneiro, artistas que nunca realizaram ações em público, mas cujo universo gravita em torno da representação da ação e da corporalidade.

A exposição apresenta obras de Alberto Carneiro, Ângelo de Sousa, Ernesto de Sousa, Fernando Calhau, Helena Almeida, Jorge Molder, José Barrias, Julião Sarmento e Vítor Pomar. Por ocasião da exposição, será lançado um catálogo com documentação sobre as obras expostas.

A par de O Fotógrafo Acidental, surge a exposição Simultânea, a inaugurar no mesmo dia, onde são apresentadas obras do mesmo período da coleção da CGD, com alguns dos artistas presentes na exposição acima referida. Enquanto que a primeira apresenta exclusivamente obras fotográficas, a segunda apresenta trabalhos não fotográficos, acabando, no entanto, por se complementar, dado que ambas expõem trabalhos da década de 70, o que nos permite entender o que os artistas, claramente não fotógrafos, andavam a criar para lá do experimentalismo na fotografia. O propósito de criar um contexto, para uma melhor compreensão das transformações culturais portuguesas na década de 1970, é aqui proporcionado por um conjunto de obras dos mesmos artistas apresentados na exposição da Galeria 1, a que se juntam obras de outros artistas marcantes no panorama português como Eduardo Batarda, Álvaro Lapa, Joaquim Rodrigo, João Vieira, Pires Vieira e Noronha da Costa.
Nesta exposição há a salientar a apresentação de duas das obras mais marcantes de Alberto Carneiro, raramente vistas em conjunto: O Canavial: Memória metamorfose de um corpo ausente, de 1968 e Uma Floresta para os teus sonhos, de 1970, esta última cedida pela Fundação Calouste Gulbenkian.

A Coleção da Caixa Geral de Depósitos, iniciada em 1983, é composta por um conjunto de mais de 700 obras nos mais diversos suportes. É regularmente objeto de exposições que a têm dado a conhecer a partir de pontos de vista curatoriais e temáticos muito diversos.