EDUARDO MATOS:::MATTIA DENISSEO Caçador de Borboletas:::O Contra - Céu - Ensaio sobre o HiatoGALERIA ZDB Rua da Barroca, 60 1200 LISBOA 21 JUL - 17 SET 2010 INAUGURAÇÕES: Sábado, 17 de Julho às 22h O CAÇADOR DE BORBOLETAS de Eduardo Matos Curadoria: Natxo Checa NOTA DE EDUARDO MATOS Aquando das minhas viagens do Porto para Lisboa por auto-estrada, observava sempre com curiosidade um pequeno trecho de paisagem que se apresentava pelo meu lado direito, imediatamente antes de chegar a Lisboa, uma espécie de garganta. Para quem se desloca a 120 km/h esse período de tempo são exactamente 21 segundos. A determinada hora do dia e quando a inclinação do Sol é maior, uma enorme sombra apodera-se do lugar, antecipando o crepúsculo, como se a noite chegasse ali primeiro. Um espaço onde tudo se organiza segundo o seu plano interior, sobretudo de acordo com as relações que nele se verificam entre os homens, animais e ambiente natural. O vale resulta desses modos temporais tal como o historiador francês Fernand Braudel o definiu: tempo biológico o do indivíduo, tempo social o das culturas humanas, das suas estruturas mentais, crenças, hábitos e costumes. É esta infra-estrutura do lugar, das suas relações interiores e exteriores, a projecção mental do tempo que a história e estes lugares nos fornecem, a visão de uma paisagem em constante transformação, o silêncio que traz consigo, o objecto do meu projecto. As peças deste puzzle parecem nunca se esgotar e são elas próprias capazes de formar tantas imagens quanto as que desejamos. De alimentar todas e quaisquer histórias. Este lugar constitui ambiguamente, perante aquela esmagadora realidade dos factos, um conjunto de coisas transformáveis e é esta possibilidade de elaboração de jogos polémicos, entre o subjectivo e o objectivo, entre a autenticidade e o falso, que motiva este trabalho. Biografia Eduardo Matos nasceu no Rio de Janeiro, Brasil, 1970. Vive e trabalha entre o Porto e Lisboa. Formou-se em Artes Plásticas – Pintura, pela Faculdade de Belas Artes Universidade do Porto (FBAUP). Mestrado em Práticas Artísticas Contemporâneas (FBAUP). Trabalha desde 1999 como artista plástico. No seu percurso tem vindo a desenvolver trabalhos onde cruza a linguagem imagem/vídeo/escultura com a tridimensionalidade espacial e interactuante de instalações – reconstruindo e desconstruindo especificamente em cada lugar e a cada momento as peças que compõem o simulacro de um jogo de metáforas estéticas, identitárias, sociais, políticas e geográficas. São elementos e fragmentos que recolhe do universo civil: dos seus códigos, das suas normas e regras, dos acontecimentos, da história. São imagens, símbolos e objectos que se inscrevem num espaço, numa composição, que procura relacionar entre si. Não são narrativas ou descrições, são imagens descontínuas que constroem realidades, que questionam os processos de organização, orientação, gerência, direcção e aprendizagem, inerentes a esta ideia de sociedade moderna democrática. O CONTRA – CÉU Ensaio sobre o Hiato de Mattia Denisse Curadoria: Natxo Checa NOTA DE MATTIA DENISSE O contra-céu. Ensaio sobre o Hiato apresentará uma instalação realizada especificamente para a Galeria Zé dos Bois, constituída por desenhos, esculturas, objectos e um filme também inédito. A obra nasceu da leitura paralela de dois textos: um diálogo de Giordano Bruno onde se trata da objecção clássica sobre a finitude do universo (…) o que aconteceria se alguém, com a mão, atravessasse a superfície dos céus? Ao que Burchio, um dos personagens envolvidos no diálogo, responde (...) se alguém estendesse a mão do outro lado deste convexo (concavo), ela não estaria algures, mas estaria em lugar nenhum e, por consequência, ela não seria; e o poema Desilusão de René Daumal, tirado do seu livro “Le Contre-Ciel”, sobre o limite absoluto e o instante fugaz da descontinuidade que separa a vida da morte. Este ensaio evoca o hiato como o conceito que protagoniza, paradoxalmente, a junção destas duas linhas assímptotas. Biografia Mattia Denisse nasceu em Blois, França, 1967 Tem trabalhado nos últimos anos entre França, Portugal e Cabo Verde, sobretudo no campo da instalação e desenho. As suas colaborações têm-se estendido à publicação de antologias e catálogos nomeadamente a edição do catálogo da representação portuguesa na Bienal de Veneza de 2009 - Experiments and Observations on Different Kinds of Air de João Gusmão e Pedro Paiva, artistas com quem tem uma relação estreita; à participação em inúmeras residências com diversas instituições, de que é exemplo as TERCENAS em colaboração com a ZDB e HANGAR. |

















