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SNAPSHOT. NO ATELIER DE...




O BREGAS durante a produção da exposição “Cruising Utopias”.


A porta do BREGAS durante a produção da cenografia para “Quebra-Nozes Quebra-Nozes” da CNB (com Sara Pereira, Bruno Portugal e Maciel Santos).


“Trouble in Paradise” (2015).


“Are You Still Awake?” (2002).


Gabriel Abrantes e Almeida e Silva no “Primeiro Grandioso Fim de Semana no BREGAS!”


Vânia Rovisco e Romeu Runa no “Primeiro Grandioso Fim de Semana no BREGAS!”


Obra de Dayana Lucas para “Humidifique-se!” no “Segundo Grandioso Fim de Semana no BREGAS!” Fotografia: Miguel Flor.


Inauguração de “Humidifique-se!” comissariada por Miguel von Hafe Pérez no “Segundo Grandioso Fim de Semana no BREGAS!” Fotografia: Miguel Flor.


Inauguração de “Humidifique-se!” comissariada por Miguel von Hafe Pérez no “Segundo Grandioso Fim de Semana no BREGAS!” Fotografia: Miguel Flor.


Workshop “Girlschool” de Susana Mendes Silva e Alice Geirinhas. Fotografia: Susana Mendes Silva.


Produção de peças para o projecto ZULULUZU do Teatro Praga.


Produção de poster para “Palhaço Rico Fode Palhaço Pobre”.

Outros registos:

Isabel Madureira Andrade



Fernando Marques Penteado



Virgílio Ferreira



Antonio Fiorentino



Alexandre Conefrey



Filipe Cortez



João Fonte Santa



André Sier



Rui Algarvio



Rui Calçada Bastos



Paulo Quintas



Miguel Ângelo Rocha



Miguel Palma



Miguel Bonneville



Ana Tecedeiro



João Serra



André Gomes



Pauliana Valente Pimentel



Christine Henry



Joanna Latka



Fabrizio Matos



Andrea Brandão e Daniel Barroca



Jarosław Fliciński



Pedro Gomes



Pedro Calapez



João Jacinto



Atelier Concorde



Noronha da Costa



Pedro Valdez Cardoso



João Queiroz



Pedro Pousada



Gonçalo Pena



São Trindade



Inez Teixeira



Binelde Hyrcan



António Júlio Duarte



Délio Jasse



Nástio Mosquito



José Pedro Cortes



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JOÃO PEDRO VALE E NUNO ALEXANDRE FERREIRA

LIZ VAHIA


 

 

Na Calçada Dom Gastão, na zona do Beato, Lisboa, situa-se o Bregas, o atelier de João Pedro Vale e Nuno Alexandre Ferreira. Não é um atelier convencional, pois ali não decorrem só as acções que estão nos bastidores de qualquer projecto artístico. Ali acontecem eventos de qualquer ordem, workshops, exposições e o que mais se propuser. A Artecapital foi conhecer a génese do projecto e os eventos que se avizinham. 

 

Por Liz Vahia

 

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LV: Aqui há uns anos a zona de Xabregas/Beato era um hiato entre o grandioso (para usar um termo caro ao vosso espaço) Terreiro do Paço e o moderno Parque das Nações. Entretanto, surgiram ali vários espaços ligados às artes visuais. Como é que foram parar à Calçada Dom Gastão?

JPV+NAF: Fomos lá parar porque um coleccionador do nosso trabalho comprou o prédio e propôs-nos ocupar a loja e o armazém na cave por um período de 10 anos. Não estávamos propriamente à procura de um atelier, até porque continuamos com o nosso atelier nas Olaias, mas este convite coincidiu com o período em que estávamos a produzir o cenário e os figurinos para o “Quebra-Nozes, Quebra-Nozes” da CNB e por muito grande que fosse o nosso espaço nas Olaias, precisávamos de um lugar maior para aquele projecto específico. Para além desta questão do espaço de trabalho, sempre pensámos que seria interessante abrir o atelier a outras actividades que não se circunscrevessem à nossa prática artística e este novo espaço proporcionava-se a isso.

 


LV: O vosso atelier chama-se Bregas. Com esta atribuição de nome, além do jogo linguístico, houve uma intenção de individualização do espaço como local e uma autonomização das vossas pessoas como artistas? Ou seja, esse espaço recatado que normalmente é o atelier do artista, aqui ganha uma dimensão aberta e colectiva e destacada do nome dos autores.

JPV+NAF: Chamámos BREGAS porque achámos graça uma vez que estamos em Xabregas. Na realidade devia chamar-se Beato que é o nome da freguesia, mas esse nome fica guardado para algum evento mais recatado. Por enquanto somos BREGAS.
A criação de um nome para o espaço autónomo do nosso, prende-se apenas com a criação de um sentimento de pertença por parte de quem lá vai fazer coisas. BREGAS como um espaço comum onde todos podemos trabalhar e não o atelier do João Pedro e do Nuno que as pessoas visitam ou que ocupam temporariamente. A ideia é que sintam que o espaço também é delas.
Para além disso, mais do que o nome de um espaço, entendemos o nome como o título de um projecto colaborativo que vai acontecendo naquele lugar ao longo de determinado período de tempo. Nunca pensámos o espaço de atelier como um lugar recatado, nem tão pouco acreditamos nisso. Nós tanto podemos estar a produzir no espaço do atelier, como em casa, na praia ou a sair à noite. Nos nossos últimos projectos as colaborações começaram a ganhar uma grande relevância, nomeadamente nos filmes que realizamos ou nas colaborações com pessoas de outras áreas como o teatro, a dança ou a música, e talvez por isso, quando surgiu o BREGAS, o espaço apareceu sempre como um lugar de construção de ideias e pertencente a uma comunidade em constante mutação. BREGAS funciona mais como nome dessa comunidade do que o nome da localização do espaço ou título de um projecto. E quando falamos de comunidade incluímos não só os criadores mas também o público que nos visita e que se interessa pelas propostas apresentadas.

 


LV: No Bregas há eventos, workshops, exposições e também residências de outros artistas. Como é que surgem essas colaborações? São convites? São propostas?

JPV+NAF: As actividades no BREGAS foram surgindo de uma forma bastante orgânica e muito pouco programada e foi nesse âmbito que as colaborações se foram desenhando. Um dia o Gabriel Abrantes ligou-nos a perguntar se sabíamos de um espaço para alugar. Na altura estávamos a trabalhar em casa, de volta do computador e pesquisas para um projecto e por isso havia muito espaço no BREGAS para aquilo que ele precisava: estava de volta de umas pinturas e da construção de uns props para um filme. Antes mesmo de ele ter começado a trabalhar no espaço já tínhamos combinado com o Nuno Almeida e Silva que está a morar na Alemanha, que quando viesse de férias para Portugal na altura do Natal, podia ir trabalhar para Xabregas. De repente tínhamos dois artistas a trabalhar no espaço durante um determinado período de tempo e achámos graça chamar “residências artísticas” a estes períodos de tempo e no fim fazer uma apresentação dos trabalhos ao público. Mas na realidade essas apresentações são apenas uma desculpa para chamar toda a gente para passar por lá e beber uns copos! Foi assim o primeiro “Grandioso Fim de Semana no BREGAS!”. O Gabriel fez a projecção de um filme e o Nuno mostrou as pinturas que tinha feito. Ao mesmo tempo, a Vânia Rovisco falou-nos de um projecto que estava a desenvolver e que gostava de mostrar no BREGAS e iniciou-se assim uma colaboração com ela. Nesse primeiro fim de semana abrimos as portas para o público poder assistir a um ensaio dela com o Romeu Runa e a partir daí ela começou a ser uma artista residente de todos os grandiosos fins de semana.
Quando desafiámos o Miguel von Hafe Pérez para comissariar uma exposição para o espaço, a lógica das residências já tinha sido iniciada e por isso foi como curator residente que ele ocupou o espaço com a exposição colectiva “Humidifique-se!”. Os workshops desenvolvidos pela Susana Mendes Silva e pela Alice Geirinhas já são uma consequência dessa exposição proposta pelo Miguel, ou seja, as propostas vão sendo activadas umas pelas outras, sem grande linha programática e isso permite-nos decidir as coisas em cima do momento e activar projectos que podem não estar circunscritos ao espaço, como ppor exemplo, o fanzine que resultou desses workshops da “Girlschool” e que elas vão lançar em parceria com a STET.

 


LV: Isso influencia o vosso trabalho regular no espaço? Como é que se adaptam?

JPV+NAF: Somos constantemente influenciados, quer pelo que se passa à nossa volta, quer pelas pessoas que nos rodeiam e os convites que fazemos para o Bregas estão directamente relacionados com essas dinâmicas. Não é pela convivência no espaço de trabalho que essa influência é maior ou menor. A ideia é potenciar a energia que existe entre as várias pessoas que ali trabalham. O objectivo não é o de desenvolver um trabalho em colaboração, mas sim um projecto resultante de uma co-existência. O produto dessa co-existência é o conteúdo do Bregas.
Depois existe uma questão práctica que tem a ver com necessidades de adaptação mas que se prendem com o tipo de trabalho que está a ser desenvolvido em cada momento e que tem de ser gerido entre os artistas, definindo o período de tempo em que cada um está a desenvolver determinado projecto, qual a parte do atelier que cada um utiliza, etc.

 


LV: O Bregas online vende produtos. Como é que os produtos se tornam bregas o suficiente para irem parar online? Há coisas desenvolvidas especificamente a pensar na venda online?

JPV+NAF: Há uns anos, e porque o atelier nas Olaias consiste num espaço inicialmente pensado para uma garagem, fizemos um projecto chamado “Garage Sale”. O projecto partia das vendas de garagem da Martha Rosler, e basicamente consistia num atelier aberto onde colocámos à venda uma série de objectos que iam desde obras de arte a roupas que já não usávamos. Parte desses objectos eram restos de materiais de peças que tínhamos feito ou material comprado mas que nunca tinha chegado a ser usado.
O que é certo, é que este projecto nos fez perceber que existiam uma série de objectos que fazem parte do nosso corpo de trabalho mas que nunca tinham sido mostrados em exposições e objectos em série que por alguma razão, não só não tinham sido vendidos, como não encontravam lugar numa lógica de mercado à qual estávamos habituados.
Não voltámos a fazer nenhuma “Garage Sale” mas com o BREGAS decidimos criar uma loja online onde esses objectos pudessem ser vendidos. A lógica nunca foi a de criar uma edição limitada de um objecto para vender, foi mais a de poder difundir por exemplo uma t-shirt da qual só existem 25 exemplares e que tanto pode ser comprada por alguém que a entenda como uma obra de arte ou por alguém que apenas gosta da t-shirt para usar no ginásio! Usei a t-shirt como exemplo porque existe uma t-shirt que foi o único produto que foi pensado especificamente para ser vendido nesta plataforma.
Desde o início que foi pensado como um meio de difundir objectos do BREGAS, sendo concebidos por nós ou por outros artistas, nomeadamente publicações, edições de música, etc.

 


LV: Que podemos esperar ver em breve no Bregas? Há alguma coisa que queiram já anunciar?

JPV+NAF: A 28 e 29 de Maio vamos fazer o “Terceiro Grandioso Fim de Semana no BREGAS!”. No Sábado, dia 28, abrimos a porta às 18:00 para mostrar a instalação que o Tiago Alexandre tem estado a fazer neste último mês, mais tarde, por volta das 20:00 o Miguel Faro mostra um conjunto de filmes, desafiado pelo Pedro Faro que no dia seguinte desenvolve um programa em torno da obra de Julius Eastman com conversa, documentário e concerto, marcando desta forma a data em que o compositor morreu em 1990. Para este programa Pedro Faro convidou ainda Irene Flunser Pimentel e desafiou a Vânia Rovisco para desenvolver uma performance específica para este evento. Para além disso haverá ainda o lançamento do fanzine resultado do workshop “Girschool” da Susana Mendes Silva e da Alice Geirinhas.
Entretanto muita coisa pode acontecer, mas ainda este ano vão passar pelo BREGAS a Rita Morais em residência para o seu projecto “Longo Curso”, o Horácio Frutuoso, o Nuno Nunes-Ferreira com uma instalação em paralelo com a sua primeira exposição individual na vizinha Baginski, o Alexandre Melo, o Vasco Araújo, entre outros.
Nas ruas de Xabregas, e no âmbito do projecto “Poster”, estará um cartaz feito no BREGAS e que antecipa o nosso projecto “Palhaço Rico Fode Palhaço Pobre”, uma peça de teatro que irá estrear em Lisboa em Março de 2017 na BoCA – Biennial of Contemporary Arts e para o qual já estamos a trabalhar.