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EXPOSIÇÕES ATUAIS


André Cepeda, sem título, Vale da Telha, 2009. Impressão Brometo de Prata. 67 X 86 cm.


André Cepeda, sem título, Porto, 2010. Impressão Brometo de Prata. 67 X 86 cm.


André Cepeda, sem título, 2010. Impressão jacto de tinta em papel Fine Art Hahnemuehle 310g/m. 106 X 135 cm.


André Cepeda, sem título, 2010. Impressão jacto de tinta em papel Fine Art Hahnemuehle 310g/m. 106 X 135 cm.


Vista geral da exposição. Cortesia Galeria Pedro Oliveira


Vista geral da exposição. Cortesia Galeria Pedro Oliveira

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ARQUIVO:


ANDRÉ CEPEDA

André Cepeda




GALERIA PEDRO OLIVEIRA
Calçada de Monchique, 3
4050-393 Porto

13 ABR - 29 MAI 2010


Os últimos trabalhos de André Cepeda convergem para um desvio formal e processual do corpo de imagens que tem vindo a apresentar nas exposições que vem realizando nos últimos dez anos: o preto e branco, até aqui inédito, para começar; o instantâneo da Polaroid, como base.

No decorrer do seu projecto anterior, recentemente apresentado em livro (Ontem), Cepeda embrenhou-se num nível habitualmente oculto de um tecido urbano que lhe é familiar – a cidade que habita, o Porto – na procura de um aprofundamento de relações de reconhecimento e identificação daquele meio, quer pela cartografia visual do território, quer pela sua contextualização social. Fotografou lugares e pessoas que, tendo estado sempre tangenciais ao seu próprio quotidiano, lhe escapavam, resistentes a um olhar mais atento, exploratório, sem que por isso se pretendesse invasivo.

As imagens que registou e apresenta em livro preservam a cada momento a dignidade de quem consentiu partilhar a intimidade com o fotógrafo. A sensibilidade do registo superando a crueza do contexto e a dureza das vidas, anulando-se, assim, um potencial voyeurista que uma abordagem deste tipo facilmente exploraria. Este projecto implicou por parte do artista uma deambulação concentrada e sistemática por áreas menos expostas e tradicionalmente menos favorecidas da cidade do Porto. O processo seria, como lhe é habitual, o de um tempo distendido que lhe permitisse aproximar-se e, ao mesmo tempo, olhar sóbria e distanciadamente o seu objecto de estudo.

Na exposição agora patente na Galeria Pedro Oliveira, André Cepeda imprime um novo rumo ao seu método, à sua relação pessoal com o tempo, e à relação que estabelece entre este – o seu – e o tempo do processo fotográfico. O uso da Polaroid, mesmo aplicada ao grande formato que sempre utiliza, é desde logo o indício desta nova relação. A instantaneidade que aquele processo implica subverte a habitual amplitude temporal que trabalhos anteriores requeriam. Nesta série, a disciplina que Cepeda se auto-impõe dita que sejam apenas três os registos em cada momento de contacto com as mulheres que fotografa, o que restringirá de modo significativo as possibilidades de driblar o resultado – a interrupção do quotidiano de cada uma daquelas vidas equivalerá, assim, ao imediato da sua exposição perante a máquina fotográfica. São apenas três as tentativas de resultado de encontro entre o fotógrafo e cada um daqueles corpos.

Do que vê no imediato – o positivo – será posteriormente feita a ampliação a partir do negativo que o tipo 55 da Polaroid que aqui utiliza permite. Os vestígios de emulsão que subsistem no negativo, e que permitem a fixação imediata deste e do positivo, manter-se-ão visíveis em algumas das ampliações, realçando a singularidade deste trabalho, tanto na obra do artista, como nos fragmentos de vida que congela.

A montagem da exposição obedece igualmente a um critério que parece, também ele, sujeito à interdição de uma previsibilidade voyeurista. Suspensos encontram-se igualmente aqui objectos do quotidiano – uma laranja, uma pedra, um fio sem princípio nem fim, aleatoriamente preso a uma parede. Um candeeiro que, fornecendo luz ao percurso da exposição, define à partida os postulados de organização das imagens no espaço: a luz que projecta ilumina apenas o tecto que o sustém, como em cada imagem que a seguir encontramos (seja corpo ou objecto, enfim, forma) a envolvente será o que sustém cada uma destas representações, servindo ora para as destacar, sublinhando uma ilusória pausa de movimento, ora para as integrar e resolver a deslocalização funcional da situação.

O negro de fundo que mantém em suspenso os objectos, nuns casos, é substituído pelos padrões dos quartos das pensões que albergam os corpos nus, noutros. Com a suspensão temporal do quotidiano profissional daquelas mulheres, confronta-se a suspensão espacial dos objectos, criando-se assim uma tensão entre duas dimensões que confluem para um estado de embargo espácio-temporal.





Gisela Leal