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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Madame Yevonde, Machine Worker in Summer / Costura no Verão, 1937. ©Yevonde Portrait Archive.


Edward Burra, The Band / A Banda, 1934. ©Estate of Edward Burra, c/o Lefevre Fine Art Ltd, London.


David Hockney, A Black Cat Leaping / Um Gato Preto a Saltar, 1969. ©David Hockney.


Gerald Brockhurst, Adolescence / Adolescência, 1932. ©Richard Woodward.


Cecil Beaton, My Sister Dressed as a Bridesmaid / A Minha Irmã Vestida de Dama de Honor, 1920. ©The Cecil Beaton Studio Archive at Sotheby’s.


Lucian Freud, Naked Girl with Egg / Rapariga Nua com Ovo, 1980-81. ©Lucian Freud.

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ARQUIVO:


COLECTIVA

My Choice - 
Obras seleccionadas por Paula Rego na Colecção do British Council





CASA DAS HISTÓRIAS PAULA REGO
Avenida da República 300
2750-475 Cascais

10 FEV - 12 JUN 2011





No início de 2010 Paula Rego foi convidada para comissariar uma das cinco exposições comemorativas do 75º aniversário do British Council na Whitechapel Gallery em Londres - Thresholds - mostrando 50 das 8.000 obras da colecção desta instituição, uma das mais reconhecidas colecções de arte inglesa representativa dos últimos três séculos. Um ano depois, surge a vontade de trazer esta exposição a Portugal, precisamente à Casa das Histórias da Paula Rego (CHPR), mas desta vez ampliada, com 120 peças - My Choice - Obras seleccionadas por Paula Rego na Colecção do British Council.


Neste conjunto rapidamente encontramos pontos de contacto. As obras são objectivamente detentoras de elementos unificadores de um discurso, passando por temáticas e técnicas artísticas que se ligam, complementando-se. É notória a repetida presença do trabalho sobre o feminino destacando-se nomes como Madame Yevonde, Lucian Freud ou Walter Richard Sickert focados num dramatismo historiado, ou ainda a ilustração, cite-se o trabalho de David Hockney que usa como pano de fundo contos dos Irmãos Grimm. A figuração domina de um modo global, aliada ao suporte vertical do papel, tela ou madeira, materiais que sustentam técnicas como o desenho, o óleo, a gravura, a água-forte, a fotografia e aguarela. Percorrendo obras maioritariamente inglesas datadas do século XIX até à actualidade, a questão da nacionalidade torna-se marcante, sobretudo nas obras representativas de cenas de época, ao contrário do impacto temporal. A opção de uma organização não cronológica confere, de alguma forma, uma capacidade exploratória do tempo, sendo possível ver-se, lado a lado, obras concebidas em períodos amplamente distintos, o que se traduz numa relação extremamente harmoniosa entre as mesmas.


De igual modo, a arquitectura doméstica tem na escolha de Paula Rego um peso significativo, reconhecível em obras como as de Charles Conder, Laurence Stephen Lowry e Paul Nobel, com diferentes impactos e intensidades, transbordando para o próprio espaço expositivo, no jogo de diferentes escalas, sendo este um espaço/casa que se faz notar ao longo das exposições.


My Choice foi pensada segundo um percurso bastante rigoroso, fruto das condicionantes do próprio espaço arquitectónico, organizado em sete salas que se sucedem através de uma única ordem, desenhadas em torno da maior sala da casa, onde é apresentada uma exposição paralela, The Proles Wall Years que, neste momento, dá a conhecer obras da própria Paula Rego. As exposições não são directamente comunicantes, havendo ligação pela proximidade das entradas de cada uma.


Segundo um olhar global a exposição pode ser vista através de uma continuidade, que pontualmente dá destaque a determinadas obras, conscientemente isoladas no espaço, em contraste com a criação de aglomerados de obras que, de alguma forma, constroem narrativas.


A exposição agora apresentada explora assumidamente a questão da artista-curadora, um caso específico que levanta questões extremamente pertinentes. O título My Choice é exemplificativo desta problemática, isto porque se a escolha é a acção basilar do curador, aqui é dado ênfase precisamente a essa acção, e ao nome que a sustenta. O termo My confere à escolha um cariz altamente pessoal, tendo como protagonista Paula Rego, figura central deste processo.


A própria diz ter escolhido apenas as obras das quais gostou – “Não escolhi imagens por causa do nome do artista ou por serem consideradas historicamente relevantes. Muitas vezes, não sabia quem as tinha feito. Algumas delas, já as vira antes, mas outras não. Adorei essa liberdade de gostar do que via” (1). Uma afirmação que ilustra o gosto que pensa e estrutura toda a exposição, está inevitavelmente e intimamente ligado ao próprio trabalho da curadora, tornando-se difícil estabelecer um distanciamento entre o gosto e a obra de Paula Rego, existindo uma unicidade complexa, que desenha um elo através das peças escolhidas e a sua personalidade.


Existe uma norma ao longo de toda a exposição que vai desembocar constantemente em elementos identificativos da própria obra de Paula Rego, mesmo que os trabalhos expostos tenham sido concebidos por 51 artistas diferentes, com diferentes graus de ligação à curadora. A própria procura enfatizar o peso que o valor puramente formal teve no seu juízo, como factor determinante na desconstrução do processo curatorial, acabando este por ganhar uma tamanha notoriedade que subverte o valor da obra por si só, o que leva a uma sobreposição do conjunto. Este factor reflecte-se numa dificuldade que impede pensar, nem que seja por um curto espaço de tempo, em cada uma das obras individualmente sem ter em conta a sombra do conjunto e da curadora, salvo algumas excepções como é caso do surpreendente trabalho de Madame Yevonde. As obras desta artista são expostas na última sala do percurso, promovendo excepcionalmente, um momento distinto de toda a mostra, possivelmente por ser também o único em que é possível sentir-se um distanciamento da obra face à curadora, materializado através de uma parede pintada de negro que introduz a fotografia e especificamente o processo de coloração Vivex. É finalmente, conferido a Madame Yevonde um protagonismo saudável, que se sublinha como elemento divulgador da exposição.




Notas

(1) AAVV, My Choice - Obras seleccionadas por Paula Rego na Colecção do British Council, Fundação Paula Rego, 2010, p.26.






Flávia Violante